Europeias: Com Rio chocado e Rangel emocionado, Marques encostou-se aos pesos-pesados

José Sena Goulão / Lusa

Rui Rio com Paulo Rangel, PSD

No rescaldo de mais um dia de campanha eleitoral para as europeias de domingo, apareceu Paulo Portas e com Rui Rio indignado com a RTP por causa da sondagem que dá vantagem ao PS, dois pesos-pesados socialistas entraram em cena para dar força a Pedro Marques.

O cabeça de lista do PS, Pedro Marques, quis manter viva a sondagem que dá o PS como o partido mais votado nas eleições europeias de domingo, com 33% dos votos, seguido do PSD, com 23%, aproveitando para dizer que estes números afastaram o líder do PSD, Rui Rio, da campanha.

Em Aveiro, Marques realizou acções de campanha no porto de pesca e no centro da cidade, onde contou com a presença do ministro socialista Pedro Nuno Santos e da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes.

E foram destes pesos-pesados do PS que surgiram os discursos mais marcantes do dia, com Pedro Nuno Santos a pedir o voto no PS para combater a extrema-direita não “pelo que fizemos”, mas “por aquilo que nos propomos fazer em Portugal e na Europa”.

Nas farpas do costume aos rivais do PSD, Pedro Nuno Santos lembrou que o Governo anterior “batia-se com os portugueses para que aceitassem as imposições das instituições europeias”, enquanto realçou que o actual Executivo que integra “faz o contrario e bate-se nas instituições europeias para poder cumprir aquilo com que se comprometeu com o povo português”.

Também Ana Catarina Mendes subiu ao palco para criticar Passos Coelho que entrou nesta semana na campanha do PSD, apontando que o Governo que liderou foi “além da troika”, contribuindo para “roubar esperança, direitos, confiança aos portugueses”, e concluindo que “o PSD tem como ideal cortar, empobrecer, privatizar” e que “não tem a ambição de um projecto social, nem para Portugal nem para a Europa”.

Rio critica a falsa zanga da geringonça

Em sinal de que a sondagem divulgada esta semana fez mossa, o presidente do PSD afirmou estar “chocado” com a RTP, acusando a estação pública de dizer que “o PS ganha as eleições europeias”. “Como é possível um canal de televisão dizer hoje, quando as eleições ainda não se realizaram, que o PS ganha porque uma sondagem diz que o PS vai à frente?”, perguntou o indignado Rui Rio num comício ao ar livre em Aveiro.

“As eleições não se decidem em canais de televisão, em sondagens”, mas “nas urnas com a vontade do povo”, acrescentou o líder social-democrata destacando ainda a presença dos ex-líderes do partido Passos Coelho e Manuela Ferreira Leite na campanha e antecipando que também Luís Filipe Menezes e Francisco Pinto Balsemão se juntarão à mesma.

“Nós gostamos de mostrar a nossa história, há partidos que sentem necessidade de esconder a sua história, se estivesse no lugar deles bem os entendia”, afirmou ainda Rio falando também de falhas dos serviços públicos, em áreas como a saúde, os transportes ou a protecção civil, e lamentando que António Costa não considere estes temas suficientemente graves para admitir demitir-se.

“O primeiro-ministro só admite apresentar a demissão quando estão em causa interesses tácticos do PS”, acusou, referindo-se à crise política relacionada com o tempo de serviço dos professores.

Rio criticou ainda Bloco de Esquerda, PCP e BE por “darem a entender que estão zangados”, “atacando-se uns aos outros”. “Todos sabemos que, a seguir às legislativas, voltam a dar as mãos se necessário e deitam a zanga para o lado”, acrescentou.

Portas com um apelo aos “não socialistas”

O regresso de Paulo Portas aos comícios partidários para apoiar Nuno Melo na corrida às europeias foi a nota marcante da acção de campanha do CDS-PP. Num discurso de cerca de 25 minutos, no mercado de Cascais, distrito de Lisboa, o ex-vice-primeiro-ministro fez um apelo aos eleitores “não socialistas”, incluindo do PSD.

“Queria dizer aos eleitores da nossa área, não socialista. O país padece de um desequilíbrio excessivo a favor das esquerdas mais radicais e nunca a prosperidade de uma nação se construiu duradouramente com essas forças”, afirmou, justificando que, por isso, “é importante garantir que a moderação fica à frente da demagogia e que o senso comum prevalece sobre as utopias”.

Lembrando os “16 anos” em que foi líder do CDS-PP, Portas também sublinhou que Nuno Melo, o cabeça de lista, e Pedro Mota Soares, o “número dois”, foram seus ‘vices’ no partido, manifestando a “esperança” de que ambos sejam eleitos” e de que os populares recuperem “os dois deputados” – a meta fixada pela própria direcção de Assunção Cristas.

No seu discurso, Portas realçou que “cativações e impostos é o novo nome da austeridade”, e advertiu que no Governo PSD/CDS-PP de que fez parte, entre 2011 e 2015, conseguir “reduzir o défice de mais de 11% para 3% dá um pedacinho mais trabalho” do que fez o actual executivo.

Catarina diz que não há “saudades de PSD e CDS”

E foi com um olho em Portas e com outro em Passos Coelho que a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, agradeceu aos ex-líderes de CDS e PSD por terem aparecido na campanha das europeias, porque assim lembram o país da importância do acordo de 2015 para “tirar a direita do poder”.

Num comício em Braga, Catarina Martins subiu ao púlpito e atirou logo à direita, cuja “desfaçatez” condenou por “aparecer agora nesta campanha eleitoral como se nada fosse, a pedir aos mesmos que empobreceu, que atacou, que insultou, que lhes confiem o seu voto”.

“O PSD, vejam lá, foi buscar para a campanha Pedro Passos Coelho que apareceu zangado para anunciar, aliás como sempre, desgraças”, disse, perante uma vaia na sala mal se ouviu o nome do ex-primeiro-ministro.

E “Paulo Portas emerge também esta noite, qual submarino, do seu mundo de negócios. Fez uma pausa da Mota Engil para aparecer na campanha do CDS”, acrescentou, concluindo que “ninguém tem saudades de PSD e de CDS”.

Jerónimo atira-se à direita… e ao PS

Num jantar com apoiantes da CDU, em Setúbal, o secretário-geral do PCP afirmou que a escolha dos portugueses é “saber se vamos ter no Parlamento Europeu deputados que vão defender os trabalhadores e o povo, como farão os deputados da CDU, ou deputados que aceitam submeter o país às imposições da União Europeia, como fizeram no passado e farão no futuro, os deputados do PS, PSD e CDS”.

Os portugueses vão ter de decidir se aceitam “o aprofundamento do projecto supra-nacional de domínio económico e político” que submete o país “aos ditames dos grandes interesses e das grandes potências, como têm aceite PS, PSD e CDS“, ou se afirmam “a soberania nacional como elemento fundamental de uma alternativa progressista como defendem a CDU e os seus eleitos”, considerou ainda Jerónimo de Sousa.

Numa intervenção em que desvalorizou algumas sondagens pouco favoráveis à CDU, o líder comunista também vincou que “muito do que se conseguiu de avanços não existiria hoje se não fosse a iniciativa e a proposta das forças da CDU“.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. O barbas do PS Pedro Santos (o sapateiro de S. João da Madeira), diz: votem em nós, não pelo que fizemos mas pelo que nos propomos fazer. Foi honesto ao fugir-lhe a boca para a verdade: Fizemos quase nada !

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