Escutas, cartas e chantagens. Como o FBI tentou minar reputação de Martin Luther King

Desde a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade em 1963 até aos seu assassinato em 1968, o FBI lançou-se numa intensa campanha para desacreditar Martin Luther King Jr., de acordo com o novo documentário “MLK/FBI”.

“O primeiro medo que [o diretor do FBI J. Edgar Hoover] teve foi que [Martin Luther] King se alinhasse ao Partido Comunista, que J. Edgar Hoover era obcecado em destruir”, explicou o diretor de cinema Sam Pollard, que realizou o novo documentário “MLK/FBI”, em declarações ao NPR.

No dia em que assinala o dia de Martin Luther King, o portal explica que o documentário de Pollard se basiea em arquivos recém-desclassificados obtidos através do Freedom of Information Act, juntamente com imagens de arquivo restauradas, e mostra o quanto King e os seus associados foram marcados por parte do Governo na década de 1960.

A campanha do FBI contra King começou com escutas, mas rapidamente cresceu. Quando as escutas telefónicas revelaram que King estava a ter casos extraconjugais e que estava a ser infiel à esposa Coretta Scott King, o FBI mudou o seu foco para descobrir todas as evidências da sua infidelidade, gravando-o nos seus quartos de hotel e pagando a informantes para o espiar.

Eventualmente, o FBI escreveu e enviou a King uma carta anónima, juntamente com algumas das gravações obtidas pelas escutas, sugerindo que se deveria matar.

Ao ler a carta, Pollard ficou impressionado com o facto de que parecia ter sido escrita por alguém próximo a King. “Não só estavam a tentar fazer parecer que era um ex-associado a escrever a carta, mas também um negro”, contou o diretor do documentário. “Esta deveria ser a polícia do país, que deveria estar a fazer a coisa certa, e este é o caminho que farão para destruir um ser humano? É horrível.

A esperança de Hoover era que a imprensa escrevesse sobre o assunto e que isso desacreditasse King e a sua reputação como cristão honesto que liderava o movimento pelos direitos civis.

Segundo a ABC News, o ex-diretor do FBI James Comey chama a vigilância e a forma como foi usada para minar King “a parte mais sombria da história”.

O objetivo de Pollard com “MLK/FBI” é mostrar até onde as autoridades foram para parar King e encontrar o homem por trás do mito. “Foi o grande orador na marcha em Washington, com o seu discurso I Have a Dream“, disse Pollard. “Mas era um homem complicado na sua vida pessoal.”

O diretor também procurou mostrar um ponto mais amplo: quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas. “Não quer dizer que não houve progresso”, disse Pollard. “Mas o racismo sistémico faz parte do ADN da América.”

Como evidência, Pollard aponta para o recente tumulto no Capitólio dos Estados Unidos. Para o direto, esse é um exemplo de história a repetir-se de “formas muito tristes e trágicas”.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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