A escravatura ainda existe: migrantes africanos à venda por 400 dólares

United Nations Photo / Flickr

Muitos migrantes que chegam à Líbia com o sonho de atravessarem o Mediterrâneo acabam por ser vendidos como escravos. A CNN esteve num leilão e falou com um jovem que foi vendido como escravo.

Uma investigação da CNN denuncia venda de migrantes africanos na Líbia, depois de receber um vídeo onde se veem vários homens a ser leiloados. As autoridades locais prometeram investigar a situação.

Depois de receber um vídeo com imagens de homens a ser vendidos como escravos, o canal norte americano disse ter passado vários meses a verificar a autenticidade das imagens.

Um dos homens que aparece no vídeo foi vendido por 1.200 dinares líbios, 75 euros. O homem que está a fazer a venda não aparece no vídeo de pouca qualidade, apenas se vê a sua mão, em cima do ombro do escravo.

Com uma equipa no local, a equipa conseguiu chegar a um leilão numa localidade a cerca de 30 minutos de Tripoli, explicando que estes ocorrem entre uma a duas vezes por mês em diversas cidades: “Alguém quer um cavador? Este é um cavador, um homem grande forte, ele cava”, diz o vendedor. Aos poucos, vão aumentando as ofertas: “500, 550, 600, 650, 700…”. Em poucos minutos, o homem é vendido e entregue ao novo “dono”, não passa de “mercadoria”, como aliás, fazem questão de referir.

A maioria destes homens são migrantes, que fugiram dos países devido a conflitos e à pobreza. Chegam até à Líbia na esperança de atravessar o Mediterrâneo e chegarem à Europa.

Com o aumento da fiscalização por parte da guarda costeira, porém, há cada vez menos embarcações a aventurarem-se pelo mar, levando a que haja cada vez mais pessoas retidas em terra. Isso levou os contrabandistas a começarem a vender estes eventuais passageiros.

De acordo com a CNN, há migrantes e refugiados oriundos da África subsaariana que são leiloados por 400 dólares (cerca de 340 euros), caso não consigam pagar o resgate exigido pelas redes de tráfico. Estes grupos, em vez de garantirem a entrada dos migrantes em solo europeu, exploram-nos ao limite para fazer mais algum dinheiro.

O responsável pelo centro de detenção, local onde os migrantes ficam retidos por não conseguirem chegar a solo europeu, assumiu que já ouviu rumores de vendas de escravos, mas nunca assistiu a nada.

Não acontece à nossa frente, não há provas”, afirmou. Também o tenente Naser Hazam, da Agência Anti-Imigração Ilegal, disse nunca ter assistido a um leilão de escravos, mas confirmou que existem gangues que fazem contrabando de pessoas no país.

“Alguns relatos são verdadeiramente terríveis e os mais recentes relatos de ‘mercados de escravos’ para migrantes podem-se acrescentar à longa lista de horrores“, referiu, num comunicado, Mohammed Abdiker, diretor de operações da Organização Internacional para a Migração.

De acordo com a mesma organização, a violência da viagem pelo norte de África levou mais de 8.800 migrantes a optarem por regressar a casa.

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. E porque fogem eles de África, será que o El-Dorado do comunismo que os russos lhes infligiram no corpo não resultou também ali uma vez mais?

  2. Para a Rússia, Japão, Coreia do Norte ou China não vão eles. Não os querem lá. Numa equipa de futebol desses países não se vêm lá africanos. Depois ainda chamam racistas aos europeus. Chama aos outros aquilo mesmo que eles são!!!

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