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Equador denuncia 40 milhões de ataques informáticos desde a detenção de Assange

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wheelzwheeler / Flickr

Julian Assange, fundador da WikiLeaks

O Equador afirmou esta segunda-feira ter sido alvo de 40 milhões de ataques informáticos desde da passada quinta-feira, 11 de abril, dia em que o país decidiu retirar o asilo político ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

“Como resultado desta ação [fim do asilo político e posterior detenção do ativista australiano], começaram a circular ameaças de ataques informáticos que se tornaram realidade naquele mesmo dia”, afirmou o vice-ministro das Telecomunicações equatoriano, Patricio Real, citado pela agência noticiosa Europa Press.

De acordo com o governante, os ataques provêm “principalmente dos Estados Unidos, Brasil, Holanda, Alemanha, Roménia, França, Áustria e Reino Unido“, precisou, dando conta que alguns ataques foram também rastreados a partir do próprio país sul-americano.

“O principal ataque consiste no que é conhecido como uma ‘negação de serviço’, que procura saturar o site para desabilitar o acesso e, portanto, os seus serviços”, explicou.

Entre os organismos afetados estão o Ministério das Relações Exteriores, o Banco Central do Equador, a Presidência da República, a Receita Federal, a Corporação Nacional de Telecomunicações, o Conselho Judicial e os Ministérios do Interior, Telecomunicações, Turismo e Ambiente, bem como várias universidades.

Face aos ataques, o Presidente do Equador, Lenin Moreno, convocou o gabinete de segurança setorial, tutelado pelo Ministério da Defesa, para avaliar a situação e coordenar ações necessárias e implementar o protocolo de segurança previsto para estas situações.

Este fim de semana, a ministra do Interior do Equador, Maria Paula Romo, confirmou os ataques, dando conta que estes “só conseguiram intervir num e-mail institucional e na página de um dos municípios”, adiantou.

O Equador aceitou a ajuda de Israel para combater os ataques em causa. “Já tivemos uma oferta do Governo de Israel que nos vai ajudar nestas questões com a sua ampla equipa de especialistas em ataques e defesa cibernética”, disse o subsecretário do Ministério das Telecomunicações, Javier Jara, em conferência de imprensa.

Assange está preso em Londres, depois de ter sido detido na passada quinta-feira na embaixada do Equador em Londres. O ativista pediu asilo político em agosto de 2012 para não ser extraditado para a Suécia, onde era acusado de violação, num caso já arquivado.

O cidadão australiano de 47 anos foi detido devido a um mandado de extradição norte-americano por “pirataria informática”, que será analisado numa audiência judicial a 2 de maio, e a um mandado emitido em junho de 2012 pela justiça britânica por não-comparência em tribunal, um crime passível de ser punido com um ano de prisão.

Assange já disse que vai “contestar e combater” o pedido de extradição. O australiano é formalmente acusado nos Estados Unidos de associação criminosa com vista a cometer “pirataria informática”, punível com uma pena máxima de cinco anos de prisão, revelou esta segunda-feira o Departamento de Justiça norte-americano.

É também acusado de ter ajudado a ex-analista dos serviços secretos norte-americanos Chelsea Manning a obter uma palavra-passe para aceder a milhares de documentos classificados como segredos de defesa.

  SA, ZAP //

2 Comments

  1. Porque é que a Inglaterra não pediu a extradição do presidente americano quando foi da espionagem da NSA????

  2. É o agradecimento por 7 anos de asilo. Mas um chantagista será sempre um chantagista, mesmo que disfarçado de lutador pela verdade mundial. Da mesma forma que um violador será sempre um violador, prescrevam ou não os crimes de que é acusado .

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