Ensino Superior. Vagas voltam a aumentar com Porto, Lisboa e Aveiro na frente

Rodrigo Antunes / Lusa

O concurso nacional de acesso ao ensino superior volta a registar um aumento do número de vagas, segundo dados divulgados este sábado, que mostram Lisboa, Porto e Aveiro com o maior crescimento.

Depois de, no ano passado, o concurso nacional de acesso ao ensino superior ter registado o maior número de candidatos dos últimos 25 anos, as vagas vão voltar a subir.

Segundo os dados divulgados este sábado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), o total de vagas para ingressar nas universidades e politécnicos públicos em 2021 é de 52.242, mais cerca de 2% em relação ao ano anterior.

No topo deste aumento voltam a surgir Lisboa e Porto que, após dois anos com cortes por determinação do Governo para corrigir desequilíbrios territoriais, puderam disponibilizar novamente mais lugares no ano passado.

Em termos absolutos, é na Universidade do Porto e na Universidade Nova de Lisboa que se registou o maior crescimento, como já tinha acontecido, aliás, no ano anterior.

Segundo a lista de vagas, o Porto vai abrir, no total, 4.406 vagas, ganhando 233 novos lugares, a maioria dos quais na Faculdade de Engenharia, que vai poder receber no próximo ano mais 185 alunos, em comparação com o ano anterior, quando já tinha aumentado em 110 o número de lugares disponíveis.

O maior reforço vai ser no curso de Engenharia Informática e Computação, que pode adicionar 100 vagas à lista por ser um curso com elevada procura por parte de alunos de excelência.

Esse foi precisamente um dos critérios para as instituições das duas maiores áreas metropolitanas do país poderem aumentar o número de vagas. No despacho que orienta a fixação de vagas previa-se um aumento até 15% em todos os cursos com um índice de excelência superior a 100, ou seja, em todos aqueles que deixam de fora candidatos em 1ª opção com nota igual ou superior a 17 valores, explica o jornal Expresso.

Essa regra permitiu a abertura de um adicional de 385 vagas e foi também daí que beneficiou, em parte, a Universidade Nova de Lisboa, em que 59 das 213 novas vagas são no curso de Gestão (passou de 231 para 290 vagas), além dos dois novos cursos em Engenharia Química e Biológica (67 vagas) e em Ciência de Dados (40 vagas).

O alargamento da oferta colocou igualmente a Universidade de Aveiro no top 3 das instituições com maior aumento, disponibilizando para o próximo ano mais 207 lugares em relação ao anterior, sendo a esmagadora maioria (198) para os três cursos que a universidade vai estrear.

Do lado oposto, o Instituto Politécnico de Tomar é o único que perde vagas no próximo concurso, disponibilizando menos 10 lugares, enquanto outros cinco politécnicos e as escolas superiores de Enfermagem, Náutica, e Hotelaria e Turismo mantêm o mesmo número.

Quem também optou por manter as mesmas vagas foram os cursos de Medicina que, como também já tinham feito no ano passado, não quiseram aproveitar a possibilidade para aumentar.

Em declarações ao Jornal de Notícias, Manuel Heitor sublinha que as instituições, no âmbito da sua autonomia, puderam reforçar as vagas nos cursos de excelência.

“Se não aumentam as vagas em Medicina, a opção é delas”, refere.

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior frisa o curso que irá abrir na Universidade Católica e os incentivos, por exemplo, à investigação clínica nas universidades de Trás-os-Montes e Évora.

“Tudo farei para continuar a reforçar a capacidade de ensino e investigação na área Biomédica, porque há um número grande de candidatos a essas opções e temos que adaptar a oferta às suas pretensões”.

Já o presidente do Conselho de Reitores, António Sousa Pereira, defende que a capacidade de oferta “está condicionada pelos hospitais universitários”.

“Pode ser um cenário político favorável que pode tornar-se numa catástrofe se houver estudantes formados sem a mínima possibilidade de fazerem especialização“, alerta.

Quase 500 novas vagas em novos cursos da área digital

Em comunicado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sublinha o aumento de 3% nas áreas digitais, sobretudo nas instituições localizadas em regiões com menor pressão demográfica, onde o aumento foi de 3,4% nestes cursos e 2% na generalidade da oferta.

Além das 52.242 vagas do concurso nacional, há ainda 721 vagas para os concursos locais, realizados diretamente nas instituições de ensino superior para ingresso em cursos de música, teatro, cinema e dança, contabilizando-se no total 52.963, o que representa um aumento de cerca de 2% em comparação com as vagas iniciais do ano anterior.

“O ingresso no ensino superior para o próximo ano letivo retoma a normalidade no processo de fixação de vagas, não incluindo nesta fase qualquer das medidas excecionais adotadas no verão de 2020”, refere o Ministério.

Ainda assim, a tutela não afasta a possibilidade de novas decisões, se for necessário, recordando que no ano passado foram transferidas para o regime geral de acesso vagas não ocupadas dos concursos especiais.

O prazo de candidatura à primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público decorre entre 6 e 20 de agosto, mais tarde do que habitualmente, como aconteceu no ano passado devido à pandemia de covid-19, que voltou a obrigar também ao adiamento do calendário de exames nacionais.

ZAP // Lusa

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