Enfermeiros iniciam greve de 5 dias. Sindicato aponta para adesão superior a 80%

Rodrigo Antunes / Lusa

Enfermeiros manifestam-se em frente aos Hospital de Santa Maria

Os enfermeiros iniciaram, esta segunda-feira, uma greve que decorrerá até sexta-feira, contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.

A greve foi marcada pelo Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE) e pelo Sindicato dos Enfermeiros (SE) para o período entre as 00h00 de hoje e as 24h00 de sexta-feira.

Os enfermeiros reivindicam a introdução da categoria de especialista na carreira de enfermagem, com respetivo aumento salarial, bem como a aplicação do regime das 35 horas de trabalho para todos os enfermeiros, mas a Secretaria de Estado do Emprego considerou irregular a marcação desta greve, alegando que o pré-aviso não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei.

Apesar disso, os enfermeiros mantêm a greve nacional, invocando a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.

Na quinta-feira, os hospitais começaram a receber uma circular da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) sobre este protesto, recordando que o mesmo foi irregularmente convocado e a informar que “eventuais ausências de profissionais de enfermagem neste contexto devem ser tratadas pelos serviços de recursos humanos das instituições nos termos legalmente definidos quanto ao cumprimento do dever de assiduidade”.

A ACSS referiu ainda que “devem os órgãos de gestão dos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do Ministério da Saúde providenciar para que o normal funcionamento dos serviços e da prestação de cuidados não sejam postos em causa“.

Protestos junto ao São João e Santa Maria

Centenas de enfermeiros de toda a região Norte, vestidos de negro e com t-shirts com a palavra “Basta” estão concentrados em frente ao Hospital de São João do Porto.

A iniciativa foi organizada pela enfermeira do hospital São João Áurea Ferreira através das redes sociais e reúne profissionais de vários hospitais e centros de saúde de toda a região.

É uma manifestação pacífica para demonstrar o descontentamento face à atual situação e à forma como os enfermeiros têm sido tratados ao longo dos anos”, afirmou a organizadora do protesto, enfermeira há 22 anos neste hospital.

Segundo contou à Lusa, no seu serviço, o Bloco Central, a adesão é de “100 por cento”. “Ou seja, nenhuma cirurgia programada está a ser realizada”, sublinhou.

Também de acordo com outros enfermeiros presentes na manifestação, nos Hospitais de Chaves e de Vila Real, por exemplo, a adesão também “ronda dos 100%”. Os profissionais fazem questão de salientar que este protesto “não é dos enfermeiros especializados, mas sim de todos”.

Marcaram também presença nesta concentração que durará até à hora de almoço, profissionais de Bragança, Viana do Castelo e de outros hospitais, para transmitirem a mensagem de que “quem está irregular é o senhor ministro da saúde”.

Na Unidade de Saúde Familiar de Ramalde, Porto, os enfermeiros decidiram não aderir à greve, “apenas por medo de represálias”. “Viemos vestidos de negro, todos queríamos fazer greve, mas não queremos correr o risco de apanhar falta disciplinar ou ser despedidos”, afirmou uma das enfermeiras contactadas pela Lusa.

Em seu entender, a greve deveria ter sido desconvocada e remarcada depois de esclarecidas estas dúvidas relativas a eventuais irregularidades. Aí sim, a adesão seria de 100%, sem qualquer dúvida”.

Em Lisboa, centenas de enfermeiros estão concentrados no Hospital de Santa Maria, vestidos de negro e exibindo faixas com algumas das principais reivindicações.

“Juntos somos mais fortes” e “Não à discriminação, ameaças é que não” são algumas das frases escritas nos cartazes empunhados pelos enfermeiros, que estão concentrados no passeio frente à entrada principal do hospital, alguns deles já na estrada, o que obriga as viaturas que passam por este acesso a abrandarem.

Interrompido por estridentes ovações, este grupo de enfermeiros tem vindo a crescer ao longo da manhã, tendo mesmo cortado, pelas 10h00, uma das faixas de rodagem junto ao hospital.

Os enfermeiros envergam t-shirts com algumas das palavras de ordem que marcam este protesto, nomeadamente “Basta”. “Chega de exploração” e “Não somos licenciados de segunda” são algumas das frases que se têm ouvido nesse protesto.

Sindicatos falam em adesão superior a 80%

Segundo o Sindicato dos Enfermeiros, a adesão à greve aumentou hoje de manhã, com uma subida de 80% para 85%. “A adesão à greve aumentou. Ontem à noite [domingo] estava em 80% e hoje de manhã aumentou para 85%”, disse à Lusa o presidente dos Sindicato dos Enfermeiros, José de Azevedo.

O responsável relatou ainda alguns incidentes, como a marcação de faltas injustificadas nas Caldas da Rainha e no facto de não terem deixado permanecer no serviço a enfermeira que estava de greve em Faro e que é a chefe da sala de partos.

“Fora essas situações, a greve está a correr bem”, disse José de Azevedo, que falava durante a manifestação em que participava junto ao Hospital de S. João.

O Sindicato dos Enfermeiros já anunciou que vai processar judicialmente todos os hospitais que marquem falta injustificada aos enfermeiros que estão em greve, começando pelo Hospital de Santa Maria.

Emanuel Boieiro, do SE, disse à Lusa que “todos os hospitais que marquem falta injustificada aos enfermeiros que não compareçam ao serviço por estarem a cumprir os cinco dias de greve hoje iniciados vão ter os serviços jurídicos do sindicato à perna”.

Junto a centenas de enfermeiros que esta segunda-feira protestam frente ao Hospital de Santa Maria, Emanuel Boieiro disse que este será o primeiro hospital a ser visado pelos serviços jurídicos do SE, uma vez que, segundo disse, “está a marcar faltas injustificadas aos profissionais em greve”.

Questionado sobre a alegada irregularidade da greve, Emanuel Boieiro disse não querer saber: “Não interessa o que alegam. Informámos através da comunicação social que esta greve se ia realizar”.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Sim.
    Embora não seja enfermeiro, já fui doente, e precisei de enfermeiros.
    Tenho algumas pessoas que te poderei recomendar. Nem a tua mãe to faria melhor…
    Mais um abraço e fiquemos por aqui.

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