Empresas de marido da ministra da Coesão receberam fundos comunitários

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Miguel A. Lopes / Lusa

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

Duas empresas detidas parcialmente pelo marido da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, beneficiaram de centenas de milhares de euros em fundos comunitários.

A ministra, que tutela as entidades responsáveis pela gestão dos fundos comunitários, não vê qualquer incompatibilidade. Um próprio parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sublinha que não é ilegal, embora fale na “obscuridade” da lei e sugira aos legisladores que “ponderem cuidadosamente” sobre o que está em causa.

De acordo com o Observador, num dos projetos, o apoio da União Europeia é de 303.275 euros, dos quais 133 mil vão diretamente para a Thermalvet, empresa detida a 40% por António Trigueiros de Aragão, marido da ministra.

A empresa foi constituída 15 dias antes do início da execução do projeto, em outubro de 2020, quando Ana Abrunhosa já era governante. O objetivo do projeto é desenvolver uma “gama diversificada de produtos inovadores de uso veterinário com ingrediente base comum, o recurso endógeno água termal das Termas Monfortinho”.

António Trigueiros Aragão garantiu ao Observador que a gestão da empresa é feita “sem qualquer interferência” de Ana Abrunhosa.

“Neste caso concreto, embora não consiga precisar a data, falámos sobre o assunto, quando o consórcio que integra uma empresa de que faço parte decidiu candidatar-se a apoios comunitários. Sei que a minha mulher, já no âmbito das suas funções enquanto ministra, pedira pareceres jurídicos para analisarem (então em abstrato) esta questão, caso alguma vez ela se colocasse”, explicou o marido da ministra.

Há ainda um outro apoio de 66.015 euros a uma empresa na qual o marido da ministra tem uma participação indireta. Este apoio surge no âmbito do programa Compete 2020, que é tutelado pelo Ministério da Economia. Em causa está a XIPU, detida em parte pela Multialimenta.

A diferença é que no caso da XIPU não há interferência direta da ministra Ana Abrunhosa na atribuição de fundos comunitários.

Em resposta ao Observador, a ministra garantiu que “não acompanha os negócios que são do marido”, apesar de António Trigueiros Aragão ter admitido uma troca de ideias com a governante.

Ainda assim, Ana Abrunhosa garante que “sempre agiu com legalidade”. O seu marido corrobora essa ideia.

“Se houvesse incompatibilidade, os ministros só poderiam casar-se com outros ministros ou ser celibatários”, atira Trigueiros Aragão. “A obtenção de fundos comunitários é um direito para qualquer empresa ou cidadão, desde que estejam reunidas condições para poderem deles beneficiar”.

  ZAP //

17 Comments

  1. dar subsidio no valor de 300 mil euros a uma empresa constituida 15 dias antes é obra…
    a aprovação do apoio foi relampago sem duvida.
    Já participei em 2 candidaturas e eram pedidos documentos relevantes para a instrução da candidatura como a certidão permanente, IES e outras coisas mais. Como é que um empresa criada 15 dias antes do inicio da execução do projeto pode ter estas coisas? com jeitos até o capital social é só de 5 mil euros…
    os casos de incompatibilidades aumentam de dia para dia e é tudo perfeitamente normal…

  2. Quem vai para a Politica, não deve ser casado….ter filhos….irmãos……., familia, amigos……………,Pais terá que ter mas deve afastar-se deles rapidamente………………….. pois é sabido que todos irão ser corruptos Ou então terão que viver na miséria….

    • Não é bem assim, pode casar, ter filhos, pais, irmãos, amigos e etc….só que deve cumprir as leis e não se meter em TRAFULHICES como é habitual com muitos dos nossos politicos, compreende???? Ou visto ao contrário, para não se viver na miséria tem de se ser TRAFULHA? Tome juízo.

  3. Quando esta ministra saltou a terreiro para defender o artolas que criou a localização de dois aeroportos, com validade apenas de 24 horas, eu desconfiei que esta ministra tivesse algum rabo-de-palha. E afinal aí está a confirmação. Que gente fingida e oportunista. Aliás, num governo sem coesão e com fragilidades cada vez mais evidentes.
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  4. Soma e segue. Mas a senhora, coitada, não tem culpa de nada. Comoveu-me muito o pranto em que entrou quando pediu a anulação das atas. País democrático é assim…

  5. Nos programas de apoio comunitários deviam investigar a fundo a vergonha que se passa na avaliação de candidaturas por parte de alguns programas operacionais, pelas CIMs, pelas associações locais de desenvolvimento…
    Há escândalos demasiado óbvios para não seguirem para investigação por parte do MP.

  6. Estou de acordo com o Sr Armando e se quiserem rir um bocado leiam a minha aventura; candidatei-me a um programa de atribuição de beneficios no âmbito do Covid, no qual me deram 870 € em materiais de proteção( sim, leram bem, oitocentos e setenta euros)….Foi preciso enviar 1001 documentos, trocar 2002 emails com a entidade competente e o meu contabilista e eu demorámos cerca de 4 meses até terminar todo o processo, que só acabou quando tive de enviar uma fotografia minha junto ao material adquirido! Se não acreditam posso mandar a foto..

    • E então?!? Em programas de maior dimensão tem auditorias no terreno, obrigação de cumprir objetivos (criação de postos de trabalho, volume de negócios, exportações…). Se não atingir resultados devolve tudo. Se fizer maroscas, devolve tudo e ainda segue para o ministério público. Acho muito bem que assim seja!

      • “E então” é que com os TRUTAS dos politicos não tem de cumprir essas formalidades todas, ou não percebe o que escrevemos aqui??? E já viu alguma vez isso acontecer, de seguir para o MP, de ter de devolver tudo, irem presos???? Dê-me só um exemplo, só umzinho????

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