Empresária australiana abre supermercado gratuito. Cada um leva o que quer

(dr) OzHarvest

Ronni Kahn

Ronni Kahn

Um supermercado gratuito. Sim, leu bem: uma mercearia onde tudo é grátis, que uma empresária visionária abriu na Austrália com produtos alimentares ainda em bom estado que seriam desperdiçados.

O supermercado gratuito da OzHarvest, uma ONG que actua no combate ao desperdício de alimentos criada pela empresária Ronni Kahn, é baseado no modelo “take what you need, give if you can” – em tradução livre, “leve o que precisa, deixe se puder.”

O projecto, pioneiro na Austrália, aproveita produtos rejeitados por supermercados, restaurantes ou pelos próprios clientes, assegurando-se do seu estado de conservação, e colocando-os disponíveis gratuitamente para quem precisa.

A loja OzHarvest tem desde frutas e legumes, pães, conservas, a refeições congeladas e bebidas, e até produtos de higiene e limpeza. Alimentos enlatados com data de validade ainda por vencer, ou recém-vencidos, são tratados com o devido respeito – e olhados com a importância do que representam para quem deles precisa.

Produtos considerados com “defeito” – como enlatados amassados ou frutas e legumes com “hematomas”, que acabam por ir parar ao lixo – são aproveitados pela OzHarvest. O supermercado fica em Sidney, e dá tudo gratuitamente a quem não puder pagar pelos produtos de que necessita.

“De cada vez que salvamos comida boa, ajudamos o planeta. Cada vez que usamos esses alimentos para a alimentação de pessoas com fome, estamos a ajudar a resolver questões sociais”, diz Ronni Kahn à Broadsheet.

O OzHarvest recebe alimentos de mais de 2.500 dadores. “Resgatamos alimentos que não podem ser vendidos pelo supermercados e retalhistas de alimentos porque o seu prazo de validade expirou ou está a expirar, mas que ainda estão perfeitamente bons para o consumo”, explica.

“Se algo expirou, não é motivo para o deitar fora imediatamente. Mas só resgatamos comida que seja absolutamente comestível. Estamos a mostrar aos consumidores como é uma loucura que alguns produtos tenham sido rejeitados”, alerta Kahn.

OzHarvest Market / Facebook

OzHarvest Market: Take what you need, give if you can

OzHarvest Market: Take what you need, give if you can

“Todos os nossos funcionários são treinados no manuseio dos alimentos, e não aceitam nenhum produto que eles mesmo não comessem”, explica a empresária.

O desperdício de alimentos na Austrália chega a 20 mil milhões de dólares por ano. Os clientes são incentivados a doar qualquer coisa que já não queiram usar ou consumir.

20% de todos os alimentos comprados pelos australianos vão para o lixo. São quatro milhões de toneladas de alimentos que acabam em aterros sanitários, onde se decompõem e emitem metano, um gás que provoca o efeito estufa.

Khan diz que a OzHarvest planeia agora abrir outros estabelecimentos, tanto em Sidney como no resto do país. “Acreditamos que isso será um catalisador para que outras pessoas façam o mesmo. Temos a capacidade de levar a ideia a todo o país, se todas as forças se unirem. Este é um modelo replicável”, garante Kahn.

Afinal, parece que sempre há almoços grátis.

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14 COMENTÁRIOS

    • Leiam o texto fala que é responsável por uma ONG, as ONG são financiadas pelos estados! “O supermercado gratuito da OzHarvest, uma ONG que actua no combate ao desperdício de alimentos criada pela empresária Ronni Kahn”. Mais uma vez o contribuinte a entrar nas contas de uma “esperta”, a esperteza saloia em acção.

  1. 1. A ideia não é inovadora.
    2. Que tipo de controlo têm eles na loja, tem que haver algum. Estou a imaginar ir um esperto com um ou dois carrinhos de supermercados levar tudo o que couber lá dentro. É vão dizer o que? Esto é tudo gratuito mas naonão pode levar isso tudo?
    3. Como qualquer instituição deste tipo os desvios são inevitáveis. Com um bocado sorte essa Ronni é que fica com o dinheiro é os empregados é que são pagos com alimentos e um ordenado simbólico.
    4. “take what you need, give if you can” – em tradução livre, “leve o que precisa, deixe se puder.” Essa tradução está bastante livre. No meu inglês livre quer dizer: leva o que precisas, dá se quiseres.
    5. Voltamos ao esperto do carrinho de compras que vai dizer que leva para ele é para dar.

  2. Parece-me uma excelente ideia!
    Afinal, são produtos que iam para o lixo e assim é menos isso que é desperdiçado (e sempre ajudam alguém)!

  3. olha lá, ó A. pinho e tú lá queres saber como paga a renda, faz é o mesmo, se não se faz, está mal, se se faz o bem reclamam. o que me chatei, não são os ricos arrogantes, chatei é os pobres arrogantes e nunca satisfeitos com o que lhe dão de boa vontade.

  4. À partida a intenção será boa ! E poderia ser até um exemplo a seguir !
    Enquanto não se provar que aquela ONG recebe quaisquer “compensações” pela venda a baixo preço/dádiva ( se
    os interessados têm ou não capacidade para pagar ! ), julgo que se deve elogiar !
    Não é segredo que em muitos países se perdem os produtos alimentares por não terem já condições para serem
    vendidos em lojas e supermercados ! E essa atribuição de aproveitar os produtos que não podem ser vendidos
    naqueles, pertence à sociedade ! Não aos Governos !

  5. Sempre é melhor ser lembrado por fazer algo do que ficar quieto sem fazer nada
    Parabéns é que tenha muita saúde e felicidade para ajudar quem precisa

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