A “correr sozinho”, PSD não aproveita tendência europeia e arrisca “resultado muito fraco”

Inácio Rosa / Lusa

O PSD vai ter “um resultado muito fraco” nas eleições europeias de Maio, considerando a projecção divulgada pelo Parlamento Europeu nesta semana que prevê uma tendência de crescimento dos partidos mais à direita. Uma tendência que o PSD, a correr “sozinho” contra a “competição” de direita, não aproveita.

As projecções do Parlamento Europeu (PE) atribuem 38,5% das intenções de voto ao PS para as eleições europeias que estão agendadas para Maio próximo.

“É uma vitória maior face à última eleição”, nota em declarações à Lusa o professor de Ciência Política na Universidade Nova Tiago Fernandes, lembrando a expressão utilizada por António Costa em 2014, em relação aos 31% obtidos nas Europeias pelo PS de António José Seguro, dias antes de se lançar na corrida à liderança.

Nessas Europeias, o PS obteve 31,4%, mais três pontos percentuais do que a coligação PSD-CDS que obteve 27,7%.

Nas eleições deste ano, a projecção aponta para 38,5% do PS, para 23,4% do PSD e 9,9% do CDS.

Com estes resultados, o PS conseguirá eleger mais um eurodeputado, passando a ser representado por 9 no PE. Já o PSD manterá os seis eurodeputados actuais, enquanto o CDS ganhará mais um representante para se juntar a Nuno Melo.

O PCP contabiliza 13,4% das intenções de voto, mantendo 3 deputados, e o Bloco de Esquerda consegue 7,5%, segurando o lugar da eurodeputada Marisa Matias.

O PAN consegue somente 2,4% das intenções de voto e o Aliança de Pedro Santana Lopes fica-se por 1,4%, não conseguindo assim qualquer lugar no PE.

E José Inácio Faria (Partido da Terra) e António Marinho e Pinto (Partido Democrático Republicano) podem perder os seus lugares no PE, tendo em conta os resultados da projecção.

“Competição à direita”

Na análise aos resultados dos maiores partidos, Tiago Fernandes atesta na Lusa que o PSD “corre sozinho” num contexto de “competição à direita”, com “a moção de censura do CDS” e “novos partidos à direita”.

Para o antigo líder do CDS José Ribeiro e Castro, os 23,4% atribuídos ao PSD são “um resultado muito fraco” e, embora o partido “mantenha seis eurodeputados”, acredita “que os mantenha à pele, sem muita folga”.

Já quanto ao CDS-PP, que a projecção prevê que passe de um para dois eurodeputados, Ribeiro e Castro considera tratar-se de “um regresso à normalidade” e de “uma percentagem boa” a esta distância das eleições.

Com estas previsões, Tiago Fernandes destaca que Portugal “parece ser a excepção” numa Europa onde a tendência é de “recomposição à direita”, com um “aumento dos populistas”, alguma subida dos liberais e “o declínio dos partidos do centro-direita”.

“Se virmos votos combinados de PS e PSD, os partidos do sistema, aguentam-se, têm mais de 60%, portanto acho que aqui há uma estabilização do sistema“, afirma o politólogo.

Tal deve-se, considera, a uma “estabilidade em geral” e a “mudanças politicas à esquerda que não são mudanças organizacionais, mas de estratégia política e de política de alianças”.

Isso, defende, permitiu ao PS “ir buscar alguns votos à esquerda” ao manter “um discurso europeísta que combina políticas sociais com ‘contas bem feitas’ e um défice controlado”, diz.

Em termos globais, a projecção divulgada pelo PE prevê que os dois maiores grupos políticos, o Partido Popular Europeu (centro-direita), a que pertencem PSD e CDS, e os Socialistas & Democratas (centro-esquerda), a que pertence o PS, percam a maioria na assembleia europeia, somando apenas 45% dos mandatos.

“Isso tem consequências muito importantes na legislatura”, alerta Ribeiro e Castro, que foi eurodeputado de 1999 a 2009.

“Traz algum problema na eleição do presidente da Comissão Europeia, se se respeita ou não o processo dos ‘Spitzenkandidaten’ [cabeças de lista dos grupos políticos] ou, sendo uma outra personalidade de consenso, quem vão ser os autores desse consenso”, exemplifica.

ZAP ZAP // Lusa

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