Egito atinge 100 milhões de habitantes (mas não há grandes motivos para celebrar)

Tinou Bao / Flickr

Mercado na cidade do Cairo

A população do Egito atingiu os 100 milhões de habitantes, tornando-se no país árabe mais populoso e o terceiro em África atrás da Etiópia e da Nigéria, anunciaram ontem as autoridades.

O calculador eletrónico instalado no edifício da agência egípcia de estatísticas (CAPMAS) passou de oito a nove números. “O ano passado foi dos mais rápidos a atingir um milhão [de nascimentos]”, declarou o general Khairat Barakat, o chefe do CAPMAS, assegurando que essa meta foi atingida em 216 dias em 2019.

O Egito torna-se assim no 14.º país mais populoso do mundo.

A taxa de natalidade registou um forte crescimento nos últimos 30 anos, com uma média de 1,5 milhões de nascimento anuais. Há três décadas, o país do norte de África contava com 57 milhões de habitantes.

A superpopulação tem constituído nos últimos anos um importante desafio para as autoridades, cujas tímidas políticas de limitação dos nascimentos não produziram os resultados pretendidos. “Para além do problema físico da densidade populacional, agravaram-se os problemas sociais”, disse à agência noticiosa AFP a professora de Economia da Universidade do Cairo, Heba El Laithy.

“Os pobres têm tendência a gerar mais filhos devido à ideia de que terão melhores condições económicas a longo prazo”, explicou, adiantando que as crianças são encaradas como futuras fontes de rendimento para ajudarem os seus pais.

Tal como descreve a imprensa internacional, a explosão populacional desencadeia uma série de preocupações, como o crescimento da pobreza na país, o aumento do desemprego e a crescente escassez de recursos básicos, como a água.

Desafio e ameaça para o país

Em 2017, o presidente Abdel Fattah el-Sisi declarou que o terrorismo e o excesso populacional representavam as duas principais ameaças para o Egito, uma perspetiva que tem sido partilhada pelo seu governo.

O último recenseamento em 2017 tinha registado 95 milhões de habitantes, uma avaliação que excluía os egípcios que vivem no estrangeiro.

Na sexta-feira, durante uma reunião do executivo, o primeiro-ministro Mostafa Madbouly voltou a manifestar essa inquietação. “O crescimento populacional constitui o principal desafio do estado (…) e que afeta a segurança nacional”, disse.

À semelhança da maioria dos países árabes a população do Egito é jovem: as estatísticas indicam que 60% dos habitantes têm uma idade inferior a 30 anos. Os estudos indicam ainda que a faixa etária entre os 18 e os 29 anos constitui um quinto da população.

A maioria dos habitantes estão concentrados em áreas urbanas nas margens do rio Nilo. A capital, o Cairo, e a cidade de Giza, integrada nesta grande metrópole, concentram 19 milhões de pessoas, ainda segundo os números hoje divulgados.

Cerca de 10 milhões de egípcios vivem no estrangeiro, a maioria nos países do Golfo para onde emigraram por motivos económicos, e em particular após os tumultos e a revolta popular que derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak em 25 de Janeiro de 2011.

ZAP // Lusa

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