Ébola: português na Serra Leoa diz que há “menos beijos e abraços” e “mais lavagens”

European Commission DG ECHO / Flickr

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Um português a trabalhar há um ano na Serra Leoa relata que tem havido mais cuidados generalizados devido ao surto do vírus Ébola, “menos abraços, menos beijos, mais lavagens e desinfeções”, mas mantém o gosto por viver em Freetown, capital do país.

Luís Araújo, de 39 anos, é o responsável pelo setor de comidas e bebidas de um hotel de uma cadeia internacional e prepara-se para viajar para Portugal para passar férias. Ele e outros dois compatriotas que trabalham na mesma unidade hoteleira tentaram há mais de uma semana obter informações sobre o vírus do Ébola junto da embaixada portuguesa de Dacar, no Senegal, que serve a região, mas até agora não tiveram “nenhuma resposta” aos e-mails enviados.

“Para aqui estamos. Com mais cuidados. Lavamos mais vezes as mãos, há mais atenção, utilizamos mais vezes o desinfetante. É o que se vai fazendo, mas o epicentro da epidemia está mais para o interior do país. Por aqui, nunca vi nada”, descreveu à agência Lusa, por telefone, acrescentando, bem-humorado, que “há menos abraços, menos beijos”.

O vírus é transmissível através de contato direto com sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.

O emigrante português já estava a par das simples formas de contágio da doença, que “pode ser através de um mero aperto de mão“, desejando não ter de vir a conhecer, “como até agora, felizmente”, qualquer instalação hospitalar da Serra Leoa.

“Vamos agora de férias a Portugal, mas não penso deixar isto. Gosto muito de estar a viver em Freetown e vou voltar, claro“, assegurou, relatando que os outros cinco portugueses de que tinha conhecimento na cidade já terão sido evacuados “entre quarta e quinta-feira”.

De acordo com o Diário de Notícias, existem atualmente 41 cidadãos nacionais a viver na Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria, os três países mais afetados pelo vírus do Ébola neste surto que já matou mais de 900 pessoas.

Portugal preparado

O surto de Ébola na África Ocidental (Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria) é, até agora, o maior em quatro décadas, tendo vitimado 961 pessoas, de um total de 1.779 contagiadas.

A diretora-geral da Organização Mundial de Saúde declarou esta sexta-feira mesmo um estado de “emergência de saúde pública de alcance mundial” e pediu ajuda à comunidade internacional, já que aqueles países “não têm meios para responderem sozinhos”.

A União Europeia, além de 3,9 milhões de euros colocados à disposição do combate à epidemia, deverá instalar, nos próximos dias, o seu laboratório móvel (EMLab), precisamente na capital da Serra Leoa.

Portugal anunciou ontem que criou um “dispositivo de coordenação” que está em alerta e “mobilizará e ativará recursos que sejam adequados a cada situação” de infeção pelo vírus do Ébola que venha a ser identificada.

Num comunicado publicado no site da Direção-Geral de Saúde (DGS), a propósito da declaração pela Organização Mundial de Saúde (OMS) do estado de emergência de saúde pública de âmbito internacional, devido ao surto de Ébola, o organismo garante que ainda ” não se verificou nenhum caso de doença por vírus Ébola em Portugal, importado ou autóctone”.

ZAP / Lusa

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