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Dúvida e medo marcam eleições francesas que decidem a sobrevivência da UE

Thibault Vandermersch / EPA

Marine Le Pen em comício da Frente Nacional durante a campanha para as presidenciais francesas

Marine Le Pen em comício da Frente Nacional durante a campanha para as presidenciais francesas

Emmanuel Macron continua à frente de Marine Le Pen, mas com magra vantagem, nas sondagens sobre as presidenciais francesas. E no rescaldo de um novo ataque terrorista, em Paris, o desfecho destas eleições continua imprevisível quando se joga não apenas o futuro do país, mas também da própria União Europeia.

A última sondagem divulgada sobre as presidenciais francesas coloca Emmanuel Macron (centro) à frente de Marine Le Pen (extrema-direita), com 24% e 22% respectivamente, e Jean-Luc Mélenchon (esquerda) e François Fillon (direita) empatados com 19%.

Na sondagem, realizada pelo instituto Ipsos para a rádio France Info, o candidato socialista, Benoît Hamon, perde meio ponto percentual em relação ao último estudo, reunindo 7,5% das intenções de voto.

Os restantes seis candidatos – Philippe Poutou, Nicolas Dupont-Aignan, Nathalie Arthaud, Jean Lassalle, François Asselineau e Jacques Cheminade – obtiveram percentagens abaixo dos cinco pontos.

Há ainda muitos indecisos

A sondagem destaca o elevado nível de indecisão entre os eleitores que afirmam ter a certeza de que vão votar, 31% dos quais admite que pode mudar de candidato.

Os mais seguros do seu sentido de voto são os apoiantes de Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, 85% dos quais afirma ter a certeza de que votará nela, seguindo-se os que pretendem votar Fillon (83%), Macron (73%) ou Mélenchon (67%).

A sondagem estima que a taxa de participação eleitoral na primeira volta, que se realiza neste domingo, 23 de Abril, seja de 73%, a mais baixa desde 2002.

Vitória de Le Pen é a “morte” da União Europeia

Aquilo que é certo é que se Le Pen chegar à presidência de França, será a “morte” da União Europeia (UE), conforme ela própria já disse, notando que avançará logo para a realização de um referendo, como sucedeu no Reino Unido com o “Brexit”.

“Se Marine Le Pen ganhar, haverá uma crise gravíssima na UE“, acredita o eurodeputado português, Paulo Rangel, notando, em declarações ao Público, que nas eleições francesas, está em jogo também “a sobrevivência da UE”.

Turista filmou momento do ataque a polícias

Momento relevante para a escolha final dos votantes indecisos pode ser o ataque terrorista de quinta-feira à noite, quando um homem, um islâmico radicalizado, disparou contra um veículo da polícia na Avenida dos Campos Elísios, em Paris, matando um agente e ferindo outros dois.

Um turista que passava pela zona, na altura do ataque, filmou o momento em que os tiros foram disparados, num vídeo divulgado pelo jornal francês Le Figaro.

Este homem que, segundo o jornal fala um dialecto indiano, conseguiu captar os disparos com o seu telemóvel, permitindo perceber a violência do ataque e como tudo sucedeu de forma muito rápida.

Trump diz que atentado “vai ajudar” Le Pen

O Presidente norte-americano, Donald Trump, já defendeu que este ataque vai “provavelmente, ajudar” Marine Le Pen na eleição presidencial.

Em entrevista à agência Associated Press, Trump afirmou que não apoia expressamente a líder de extrema-direita, mas sublinhou que Le Pen “é a mais forte nas fronteiras e é a mais forte em relação ao que se está a passar em França”.

Trump afirma que o ataque, já reivindicado pelo Estado Islâmico, terá um impacto na forma como os franceses vão votar no domingo.

Por outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, acredita que o “acto cobarde” não “irá perturbar a escolha democrática” nem “vergar a adesão aos valores da democracia”, por parte dos franceses.

Santos Silva diz contudo, que é evidente que o atentado tinha por objectivo “perturbar a realização das eleições” e “semear o medo e a insegurança nas cidades europeias”.

  ZAP // Lusa

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