Duterte adia guerra contra a droga para combater corrupção na polícia

Mast Irham / EPA

O presidente das Filipinas, Rodrigo Roa Duterte

O presidente das Filipinas, Rodrigo Roa Duterte

O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, suspendeu temporariamente a sua “guerra contra as drogas” para se concentrar no combate à corrupção policial após o homicídio de um sul-coreano no quartel-geral da Polícia Nacional.

“Temos de centrar os nossos esforços na limpeza interna, e quando o problema for resolvido, o Presidente vai mandar-nos voltar à guerra contra as drogas. Mas de momento, não temos mais operações antidroga”, disse hoje o chefe da polícia, Ronald dela Rosa, num discurso no quartel do Campo Crame, na Cidade Quezón.

Dela Rosa fez o anúncio depois de, no domingo, Duterte ter reconhecido que a polícia filipina é “corrupta até à medula” e ter prometido focar os seus esforços em “limpar” a instituição, levando a cabo uma investigação exaustiva aos agentes implicados em atividades ilegais.

O Presidente aproveitou, não obstante, para garantir que depois da limpeza dos quadros policiais, a “guerra contra as drogas” vai continuar até ao final do seu mandato em 2022, e não só por um ano, como tinha planeado anteriormente.

O anúncio chega depois do escândalo com o caso de Jee Ick-joo, um empresário sul-coreano assassinado há três meses.

No passado dia 18 de outubro, vários indivíduos – incluindo pelo menos um polícia – levaram Jee e a sua assistente da residência do empresário radicado na cidade de Angeles, situada a cerca de 100 quilómetros a norte de Manila, numa suposta operação antidroga.

Ambos foram transportados para Campo Crame. A assistente foi libertada, mas o sul-coreano foi estrangulado nesse mesmo dia, segundo a investigação.

A viúva, Choi Kyung-jin, disse que os sequestradores lhe pediram um resgate para libertar o marido, fazendo crer que ele estava vivo.

O caso, cuja investigação no Senado começou na passada quinta-feira, gerou polémica ao mostrar o clima de impunidade criado pela campanha antidroga do Presidente filipino.

Este caso ameaça deteriorar as relações com a Coreia do Sul, um país que proporciona elevados investimentos e um fluxo constante de turistas para as Filipinas, escreve a agência Efe.

Na campanha que o levou à vitória nas eleições presidenciais realizadas em 2016, Duterte prometeu “limpar” as Filipinas dos narcotraficantes e toxicodependentes, argumentando que a droga está a destruir as novas gerações do país.

A campanha antidroga criada pelo Presidente Filipino provocou mais de 7.000 mortes de pessoas alegadamente ligadas aos estupefacientes, das quais 2.527 morreram às mãos dos agentes em alegados confrontos com os suspeitos.

// Lusa

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