Empresas querem manter teletrabalho. 85% não paga ajudas de custo (e só 8% pensa vir a fazê-lo)

Cerca de dois terços das empresas portugueses querem manter o regime teletrabalho mesmo após o fim da pandemia, concluiu um barómetro do Kaizen Institute, uma consultora especialista em recursos humanos.

De acordo com a Rádio Renascença, que cita os resultados esta terça-feira, a maioria das empresas portuguesas pretendem continuam a operar no pós-pandemia com um regime misto, isto é, mantendo os seus trabalhadores alguns dias em casa e outros na empresa.

Cerca de 70% dos diretores inquiridos consideraram que a eficiência dos seus funcionários em teletrabalho será semelhante ou até superior à registada antes da pandemia, quando o trabalho era realizado nas instalações da empresa.

Participaram 150 diretores neste barómetro.

A mesma pesquisa revela que a grande maioria das empresas (85%) não paga ajudas de custos aos seus trabalhadores e que apenas 8% pensa vir a fazê-lo.

Especialistas ouvidos pelo jornal Público e pelo semanário Expresso frisaram que os trabalhadores têm direito de pedir à sua entidade patronal uma parte das despesas associadas ao teletrabalho, como telecomunicações ou Internet.

No entanto, e apesar do Código do Trabalho prever, desde 2003, que a empresa deve assegurar este tipo de despesas, os trabalhadores não costumam exigir ajudas e custo, e por isso, as entidades empregadoras acabam por não pagar.

“Não deveria ser necessário o trabalhador requerer o pagamento de despesas como eletricidade, Internet ou comunicações, porque a lei já responsabiliza objetivamente a empresa a assegurar estes custos”, disse ao Expresso advogado especialista em Direito laboral, Pedro da Quitéria Faria, em setembro passado.

Mas como os trabalhadores não falam, as empresas não pagam“, admitiu.

A líder da CGTP, Isabel Camarinha, considera que, a longo prazo e já depois da situação de pandemia, o teletrabalho pode ser “apetecível” para muitas empresas.

Poupam muitos custos de contexto, como instalações, energia… O que deve levar os trabalhadores a serem ressarcidos das despesas que têm por trabalhar a partir de casa”, disse, citada pela RR, dando conta que já teve conhecimento de que muitas empresas pretendem manter este regime no pós-pandemia.

Face às dúvidas que o regime de teletrabalho tem gerado, especialmente no que toca às ajudas de custo por parte das empresas, muitos especialistas têm pedido um enquadramento legal claro que possa acabar com todas as dúvidas.

  Sara Silva Alves, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Uns querem manter e outros nem sequer cumprem a lei não permitindo o teletrabalho em concelhos com elevadíssimo risco de infecções!
    Onde é que andam as inspeções???

  2. Empresas a implementar controlo de assiduidade por impressão digital em plena pandemia demonstrando um total desrespeito pela vida humana!
    Onde é que andam as inspeções???

  3. A minha entidade paternal recusa-se a pagar ajudas de custo. Contactei os mesmo a solicitar as ajudas e a resposta foi esta.
    Não houve qualquer alteração relativa à questão que colocas e tudo se mantém como anteriormente te foi indicado pela gestão do teu projeto.
    Os equipamentos e ferramentas: quaisquer equipamentos tecnológicos, assim como quaisquer outras ferramentas necessárias para realizar o Teletrabalho, podem ser fornecidos pela Teleperformance, e quando apropriado, serão em todas as circunstâncias propriedade exclusiva da Teleperformance Portugal e você não deve ceder os materiais fornecidos pela Empresa um uso diferente que não seja para a prestação de trabalho. As despesas inerentes de consumo e utilização dos materiais são da sua responsabilidade.

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