Dois helicópteros Kamov já estão operacionais

Pedro Aragão / Wikimedia

Helicóptero Kamov Ka-32A-11BC da frota da Protecção Civil, baseado em Faro

Helicóptero Kamov Ka-32A-11BC da frota da Protecção Civil, baseado em Faro

O secretário de Estado da Administração Interna revelou esta terça-feira que dois helicópteros pesados Kamov já estão disponíveis para o combate aos fogos florestais e que até final de julho um outro Kamov estará operacional.

João Almeida falava na Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar após um requerimento do PCP, aprovado por unanimidade, para ouvir o Governo sobre os meios aéreos do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF).

O governante lembrou que a manutenção destas aeronaves foram adjudicadas a uma nova empresa, a 6 de fevereiro de 2015, tendo posteriormente sido detetados problemas “graves” que levaram à inoperacionalidade de quatro Kamov, o que somado a outra aeronave que teve um acidente em 2012, deixou apenas um Kamov operacional.

João Almeida recordou que o seu Ministério abriu um inquérito para apuramento total das responsabilidades relacionadas com os problemas do Kamov, o que não impediu que se iniciasse o processo de reparação das aeronaves, o que permite que atualmente dois Kamov estejam disponíveis e um outro pronto até final do mês.

Brevemente estarão operacionais três Kamov“, sublinhou o secretário de Estado, anunciando que durante o período mais intenso de fogos florestais (fase Charlie) houve um reforço das forças terrestres e antecipação da atuação de meios de atuação ampliada no combate aos incêndios na floresta.

João Almeida reconheceu que a inoperacionalidade dos Kamov é um “problema estrutural”, indicando que em 2014 estas aeronaves estiveram inoperacionais 1.846 horas, enquanto em 2013 foram 2.887 horas e, em 2012, atingiu 2.146 horas.

O responsável realçou que o Governo “não nega a gravidade da situação dos kamov”, nem desvaloriza a importância destas aeronaves pesadas no combate aos incêndios florestais, mas apontou a utilização de outros meios aéreos anfíbios que, com a ajuda das equipas terrestres, têm mantido taxas elevadas de sucesso nos ataques iniciais aos fogos.

João Ramos (PCP) questionou sobre se não era suposto o Governo estar a par da situação dos Kamov, observando que há dois anos tinham sido dados alertas sobre o estado das aeronaves e que aparentemente não houve a resposta adequada do executivo.

O deputado comunista estranhou ainda que tenha havido a substituição de diversos motores dos Kamov, sem que a situação melhorasse, e que o governo não tivesse acionado uma cláusula contratual que obrigava a que existisse um stock de peças para estas aeronaves.

“O Estado foi alertado para a situação destes meios aéreos e não tomou as medidas adequadas”, criticou o deputado do PCP.

João Almeida garantiu que o Governo tinha informação oficial que “contrariava o estado” em que as aeronaves, afinal, se encontravam, pelo que decidiu instaurar um inquérito para apurar responsabilidades de entidades públicas ou privadas causadoras da situação.

O secretário de Estado elogiou a eficácia do ataque inicial aos fogos florestais em Portugal, que continua acima dos 90%, dizendo que o mérito não é deste ou daquele governo, mas dos operacionais no terreno e dos seus coordenadores.

/Lusa

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