Divulgados áudios de Zuckerberg com “ameaças” ao Governo e a Elizabeth Warren

JD Lasica / Wikimedia

Mark Zuckerberg, o criador da rede social Facebook

O CEO do Facebook viu serem divulgadas gravações áudio de uma das sessões de perguntas e respostas, feita em julho, com os funcionários da empresa.

O cofundador e administrador-delegado da Facebook, Mark Zuckerberg, prometeu aos empregados do grupo “lutar e ganhar”, caso a aspirante à candidatura pelos democratas à Casa Branca, Elizabeth Warren, for eleita e quiser desmantelar as grandes empresas tecnológicas.

Num estilo mais agressivo do que o habitual nas suas intervenções públicas, Zuckerberg dirigiu-se aos funcionários do Facebook, no passado mês de julho, para discutir o presente e o futuro da empresa, intervenção que foi agora divulgada pelo The Verge.

“Se Warren for eleita, apostaria que iremos ter uma batalha legal e apostaria que a iremos ganhar. Isso vai ser mau para nós? Sim, não quero colocar um grande processo ao nosso próprio Governo. Mas se alguém fizer ameaças existenciais, então entras no ringue e lutas”, disse o fundador da rede social.

“As atuais grandes empresas de tecnologia têm muito poder — muito poder sobre a nossa economia, a nossa sociedade e a nossa democracia”, disse ainda Zuckerberg aos seus colaboradores, citado pelo Expresso.

O CEO do Facebook justificou a sua oposição ao plano de Warren com o argumento, entre outros, de que a divisão destes conglomerados não vai reduzir as interferências nos processos eleitorais, bem pelo contrário, e que, na sua opinião, “as empresas não podem coordenar-se e trabalhar em conjunto”.

As suas palavras aludem à proposta da senadora democrata eleita pelo Estado do Massachusetts que, por várias vezes, tem reclamado a divisão das grandes empresas tecnológicas, por considerar “excessivo” o seu poder de mercado e na relação com os utilizadores.

Warren e o próprio Zuckerberg reagem às gravações

Hoje, depois de terem sido divulgadas as gravações áudio das declarações de Zuckerberg, Warren reafirmou a sua intenção e garantiu, através do Twitter, que o “verdadeiramente mau” seria não eliminar “um sistema corrupto que permite às empresas gigantes como o Facebook terem práticas anticoncorrenciais, desrespeitar o direito à privacidade e hesitar repetidamente na sua responsabilidade de proteger” a democracia.

“Não me assusta exigir responsabilidades às grandes empresas tecnológicas como Facebook, Google e Amazon. É a hora de dividir as grandes tecnológicas”, insistiu a senadora noutra mensagem.

Na sua conta do Facebook, Zuckerberg reagiu ao artigo do The Verge, partilhando mesmo o link do artigo do portal norte-americano e explicando que se trata de mais uma das habituais sessões de perguntas e respostas com os seus funcionários.

“Todas as semanas faço uma sessão de perguntas e respostas no Facebook na qual os funcionários me perguntam coisas e partilho abertamente o que penso sobre todos os tipos de projetos e questões. A transcrição de uma dessas sessões de há alguns meses acabou de ser publicada online — e, mesmo que fosse para ser interna e não pública, agora que está disponível, pode vê-la se estiver interessado em ver uma publicação não filtrada do que penso e digo aos funcionários sobre vários temas como responsabilidade social, desmantelamento de empresas de tecnologia, a Libra, interfaces de computação neural e fazer o que está certo a longo prazo”.

Criptomoeda Libra e condições dos moderadores

Nestes encontros, escreve o semanário, Zuckerberg também falou sobre a resistência de vários países em relação à sua criptomoeda Libra. “Penso que aquilo que é público tem sempre tendência a ser mais dramático. Mas uma grande parte passa pela negociação privada com os reguladores de todo o mundo e isso é mais relevante e menos dramático”.

Relativamente às condições em que trabalham os moderadores de conteúdo do Facebook, o cofundador diz que as notícias que têm saído “são um pouco melodramáticas”, garantindo ainda que nem todos “passam o dia a olhar para coisas terríveis”.

“Mas há coisas muito más com as quais os moderadores têm de lidar. Garantir que as pessoas recebam aconselhamento, espaço e a capacidade para fazer pausas e obter o apoio à saúde mental de que precisam é algo realmente importante”, diz ainda.

A empresa com sede em Menlo Park, na Califórnia, tem-se visto envolvida nos últimos anos em vários escândalos, que afetaram negativamente a sua imagem, o maior dos quais foi o que envolveu a Cambdrige Analytica, que utilizou uma aplicação para recolher informação pessoal de milhões de internautas sem o seu consentimento e com fins políticos.

Esta empresa serviu-se de dados do Facebook para elaborar perfis psicológicos de eleitores, que alegadamente vendeu depois à campanha eleitoral de Donald Trump, nas eleições Presidenciais de 2016.

O Facebook está a ser investigado pela Comissão Federal do Comércio, que a multou em cinco mil milhões de dólares, cerca de 4,6 mil milhões de euros, por más práticas em relação à privacidade dos seus utilizadores.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. Olha, olha… o parasita que não paga impostos já pensa que é o Hitler e que as estas multinacionais estão acima da lei e do governo!…
    Muito cuidado com o poder destas empresas (com capital superior ao de muitos países do mundo) porque são grandes demais e podem corromper tudo!
    O dinheiro e o poder são a raiz de todos os males!…

RESPONDER

Enorme impacto cósmico pode ter assolado a Terra há 12.800 anos

Uma equipa de cientistas descobriu excesso de platina em material sedimentar extraído de depósitos de turfa localizados em Wonderkrater, Limpopo, na África do Sul, revelou uma nova investigação. De acordo com um novo estudo, cujos resultados …

Astronauta capta o colossal "Olho do Sahara" a partir da EEI

A Agência Espacial Europeia publicou neste domingo uma fotografia da colossal estrutura de Richat, uma formação geológica enigmática no centro da Mauritânia, conhecida como o "Olho do Sahara". A estrutura, que tem cerca de 40 quilómetros …

NASA revela novos fatos espaciais que os astronautas vão levar para a Lua (e são pura ficção científica)

A NASA apresentou na terça-feira, na sua sede, em Washington, Estados Unidos, os novos fatos espaciais que os astronautas da missão Artemis vão usar em 2024, quando voltarem à Lua. Fatos feitos em modelos 3D, à …

Panama Papers. Mossack Fonseca não gostou do filme e processou Netflix por difamação

A dupla de sócios do escritório de advogados Mossack Fonseca, envolvido no caso “Panama Papers”, moveu um processo em tribunal por difamação contra a Netflix. A plataforma anuncia a estreia, para esta sexta-feira, do filme “Laundromat: …

Porsche e Boeing unem-se em projeto de táxi aéreo premium

A Porsche e a Boeing estão a unir esforços para explorar o mercado de mobilidade área urbana. Aproveitando os seus pontos fortes, as duas empresas prometem desenvolver um táxi aéreo para o futuro. Numa verdadeira fusão …

Fotografia com pombos? Na Tailândia, há "profissionais" contratados para assustá-los

A área de uma das portas da cidade, Tha Pae, parte do que resta da muralha vermelha que protegia a cidade antiga em Chiang Mai, na Tailândia, é uma das maiores atrações turísticas locais. Os turistas …

Sky News lança canal sem qualquer notícia sobre o Brexit

O canal Sky News Brexit-Free foi esta quarta-feira para o ar às 17h horas, sendo que os seus programas serão transmitidos até às 22h, de segunda a sexta-feira. O grupo de televisão britânico Sky vai lançou …

Vacina contra o cancro da mama pode estar disponível dentro de 8 anos

Investigadores da Clínica Mayo desenvolveram uma vacina contra o cancro ovário e da mama que poderá estar disponível comercialmente dentro de apenas oito anos. A ideia da vacina é estimular o próprio sistema imunológico dos pacientes …

Busca pelo avião de Amelia Earhart só encontrou chapéus, detritos de um naufrágio e uma lata de refrigerante

A mais recente busca pelos restos do avião de Amelia Earhart, a famosa aviadora americana que desapareceu sobre o Pacífico em 1937, terminou sem resultados. De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, a investigação …

Protestos em Hong Kong. LeBron acusado de apoiar regime chinês

A super estrela do basquetebol LeBron James juntou-se à polémica entre a NBA e a China, após apelidar de “mal-informado” o treinador dos Houston Rockets, Daryl Morey, que expressou apoio aos manifestantes em Hong Kong …