Cientistas produzem células estaminais sanguíneas em laboratório

Investigadores da Universidade de Nova Gales do Sul demonstram agora como um dispositivo micro-fluídico que imita o coração embrionário pode produzir precursores de células estaminais do sangue.

A doação de células estaminais sanguíneas é um procedimento médico importante, mas está sujeito a constantes carências.

Tal como acontece com órgãos e transfusões de sangue regulares, os pacientes que recebem células estaminais de sangue doadas precisam de ter o mesmo tipo de sangue que o seu doador para evitar que o organismo rejeite células estranhas.

Segundo o New Atlas, este novo sistema poderia permitir que as células estaminais do sangue fossem produzidas a pedido. O estudo foi publicado na Cell Reports este mês.

Idealmente, os cientistas seriam capazes de cultivar células estaminais de sangue no laboratório, que teoricamente poderiam ser dadas a quem necessitasse. Isto poderia ser feito através do cultivo de células precursoras, que se podem diferenciar numa variedade de tipos de células estaminais do sangue retiradas de uma linha de células estaminais embrionárias.

“Parte do problema é que ainda não compreendemos completamente todos os processos em curso no micro-ambiente durante o desenvolvimento embrionário que leva à criação de células estaminais de sangue por volta do 32º dia”, explica Jingjing Li, autor principal do estudo.

“Assim, fizemos um dispositivo que imita o batimento cardíaco, a circulação sanguínea e um sistema de agitação orbital que causa stress de cisalhamento — ou fricção — das células sanguíneas à medida que estas se movem através do dispositivo ou em torno de um prato”.

O dispositivo foi concebido para promover o desenvolvimento de células estaminais sanguíneas precursoras. Mas não só, estes precursores também passaram a produzir células sanguíneas diferenciadas, e mesmo células como as que revestem os vasos sanguíneos, que são responsáveis pela criação das células estaminais do sangue no embrião em desenvolvimento.

“Formar uma aorta e depois as células que efetivamente emergem dessa aorta para a circulação, esse é o passo crucial necessário para gerar essas células”, disse o co-autor do estudo, Robert Nordon.

“O que temos demonstrado é que podemos gerar uma célula que pode formar todos os diferentes tipos de células sanguíneas. Mostrámos também que está muito relacionada com as células que revestem a aorta — por isso sabemos que a sua origem é correta — e que prolifera”.

A equipa espera que este trabalho possa eventualmente conduzir a dispositivos que possam incubar grandes lotes de células estaminais do sangue, o que reduziria a dependência dos dadores e reduziria os tempos de espera.

Os investigadores estão atualmente a trabalhar na ampliação da técnica ao utilizar bio-reatores para cultivar as células.

  Inês Costa Macedo, ZAP Notícias //

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