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Disney debaixo de fogo. Críticas apelam ao boicote do novo filme Mulan

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Divulgação / Walt Disney Pictures

A Disney está a ser alvo de fortes críticas por ter gravado o novo filme Mulan em locais da China onde há suspeitas de graves abusos dos direitos humanos.

O filme Mulan foi lançado na sexta-feira, dia 4 de setembro, depois de vários adiamentos devido à pandemia de covid-19. Parte do filme foi gravado em Xinjiang, o local de alegados abusos aos direitos humanos contra o povo indígena Uighur e outras minorias muçulmanas.

A Disney está agora a ser alvo de fortes críticas, nomeadamente pelo facto de os créditos finais do filme incluírem “agradecimentos especiais” a oito entidades do governo de Xinjiang, incluindo a Secretaria de Segurança Pública de Turpan, uma cidade no este de Xinjiang onde vários campos de re-educação foram identificados.

De acordo com a BBC, as estimativas apontam para cerca de um milhão de pessoas detidas contra a sua vontade, a maioria Uighurs muçulmanos. A China diz que os campos de detenção são necessários para melhorar a segurança.

O novo filme também expressa agradecimentos ao departamento de propaganda do Partido Comunista Chinês em Xinjiang.

Segundo o SAPO, apesar de o filme ter estreado este ano, em 2017, Niki Caro, a realizadora de Mulan, publicou fotografias da capital de Xinjiang (Asia/Urumqi) no Instagram. O ano seguinte é apontado como o ano do início da construção dos campos de re-educação em Xinjiang e, na altura, num comentário podia ler-se “Tenha vergonha, #BoycottMulan e fale contra o genocídio Uyghur”.

Por sua vez, Adrian Zenz, especialista em questões sobre a China, partilhou no Twitter um documento que prova que a menção mais recente a estes campos é de agosto de 2013.

O documento fala em campos “re-educação de “determinados grupos” para “erradicar o solo para a propagação de extremismos religiosos”. À BBC, o especialista disse que a Disney é uma “empresa internacional a lucrar na sombra de campos de concentração”.

“A Disney deve divulgar os detalhes sobre as devidas diligêncisa de direitos humanos que realizou – se as houve – antes de tomar a decisão de filmar em Xinjiang, que acordos fez com as autoridades de Xinjiang para fazer as filmagens e que assistência recebeu das autoridades”, escreveu Yaqiu Wang, investigadora da Human Rights Watch China, na mesma rede social

O filme foi diretamente para os serviços de streaming da Disney Plus, sem nunca ter passado pelas salas de cinema do mundo. Aliás, o único país onde Mulan figura nos grandes ecrãs dos cinemas é a China.

  ZAP //

4 Comments

  1. Com franqueza, já não sabem que inventar. Desliguem os vossos iphones e todos os telemóveis com um martelo… são todos feitos na China.

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