Direção de Rio só permite que novo líder possa escolher os cabeças de lista às próximas eleições

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Rui Rio e Paulo Rangel conversam durante o Conselho Nacional do PSD

Rui Rio, presidente do PSD, e Paulo Rangel, candidato à liderança social-democrata

A Comissão Política Nacional do PSD só atribui ao presidente que venha a ser eleito nas diretas a competência para escolher os cabeças de lista em cada círculo eleitoral.

A Comissão Política Nacional do PSD reuniu-se esta segunda-feira para aprovar o cronograma da elaboração das listas de candidatos a deputados para as legislativas antecipadas, tendo ficado a saber-se que este prevê que as concelhias do partido indiquem as suas escolhas até 25 de novembro, ou seja, dois dias antes das eleições internas.

Ora, segundo a ata a que o jornal Público teve acesso, esta comissão liderada por Rui Rio também decidiu que o candidato que sair vencedor das diretas do dia 27 só poderá escolher os cabeças de lista em cada círculo eleitoral. Uma perspetiva que vai contra a de Paulo Rangel, que tem defendido que o novo líder deverá ter controlo total do processo.

Tal como o Expresso avançou no início da semana, depois das concelhias será a vez de as distritais indicarem os nomes que pretendem no dia 30, podendo haver negociações com a Comissão Política Nacional até 6 de dezembro. Um dia depois, prevê-se que as listas sejam aprovadas em Conselho Nacional.

Tendo em conta este cronograma, e caso Rangel venha a ser eleito, este é um processo que pode gerar polémica, uma vez que o novo líder teria de negociar com a Comissão Política Nacional ainda em funções, ou seja, afeta ao atual líder (os novos órgãos dirigentes só irão tomar posse no Congresso de 17, 18 e 19 de dezembro).

Recorde-se que, quando foi questionado pelos jornalistas sobre este cronograma, o eurodeputado considerou que se estava a querer pôr “o carro à frente dos bois” e que “há tempo” depois das diretas para se fazer as “operações necessárias para as legislativas”.

Entretanto, avança o jornal online Observador que a decisão do vice-presidente do PSD, Nuno Morais Sarmento, de não declarar apoio a nenhum dos candidatos à liderança, assim como a sua indisponibilidade para voltar a ocupar o cargo, deixou uma “sensação agridoce” na atual direção.

“Podia não continuar e não fazer isto. O dizer que não dá apoio nenhum tem obviamente um significado político: está mais para lá do que para cá”, lamenta-se na direção de Rio, havendo também quem considere que “acabou por ser melhor porque clarifica tudo: todos sabiam que estava mais próximo de Rangel nesta altura.”

Do outro lado do ringue, a posição de Morais Sarmento foi, como seria de esperar, muito bem recebida. Rangel optou por uma reação comedida, dizendo que era algo “significativo”, mas nas suas hostes o momento foi celebrado. “Foi melhor do que um apoio formal”, cita o jornal digital.

Na entrevista ao programa “Polígrafo”, da SIC Notícias, Morais Sarmento justificou entender “não tomar partido” entre os candidatos, uma vez que estarão a disputar as diretas “dois amigos” e por considerar que qualquer um deles tem “competência para ser primeiro-ministro”.

Além disso, quando questionado sobre Rio ter dito que o adversário não estaria preparado para ser chefe de um Governo, o vice do PSD deixou clara a sua discordância.

Está tanto quanto Rui Rio”, afirmou, acrescentando que se Rangel “não geriu a Câmara do Porto”, Rio não terá tido “os mesmos contactos internacionais” que o eurodeputado.

  ZAP //

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