Dinheiro que sobrou do crowdfunding dos enfermeiros ainda não tem destino

Miguel A. Lopes / Lusa

O movimento “greve cirúrgica” continua com 246 mil euros que sobraram do crowdfunding (financiamento colaborativo) para suportar as paralisações dos enfermeiros guardado numa conta bancária.

“Estamos a estudar a situação. Ainda não há muito para dizer. Quando tivermos algo de novo, anunciamos”, afirmou Nelson Cordeiro, um dos organizadores da inédita recolha de fundos, ao jornal Público.

Entrar com um processo na justiça” é uma das possibilidades equacionadas, mas “é necessário analisar a viabilidade [desta opção]. Somos um grupo de enfermeiros, não somos um sindicato”, sublinhou o enfermeiro que em 2018 criou este grupo em conjunto com quatro colegas.

O dinheiro serviu para financiar as duas greves às cirurgias programadas dos enfermeiros dos blocos operatórios de vários centros hospitalares e hospitais públicos, que levaram ao adiamento de milhares de cirurgias, entre novembro de 2018 e fevereiro deste ano.

As reivindicações eram muitas, mas poucas foram atendidas, disse. “Está tudo igual”, enfatizou Nelson Cordeiro, que acredita que as pessoas que contribuíram com donativos para o fundo não podem pedir a sua devolução. “Como é que iríamos fazer a devolução? Uma parte do dinheiro já foi gasto nas greves”, observou.

Em julho, os enfermeiros do grupo “greve cirúrgica” decidiram fazer um inquérito a todas as pessoas que contribuíram para o crowdfunding. Apenas 19% das pessoas respondeu e quase dois terços votaram contra doar os 246 mil euros a causas sociais. A maior parte defendeu que o dinheiro recolhido devia ser usado para continuar a “luta dos enfermeiros”, o que poderia passar, eventualmente, por um processo contra a tutela.

O financiamento da greve cirúrgica dos enfermeiros levantou suspeições públicas sobre a sua origem, sendo aventada nomeadamente a possibilidade de estar a ser financiada pelo setor privado da saúde. Os enfermeiros conseguiram angariar 784 mil euros através do crowdfunding e a ASAE quis investigar quem é que contribuiu com o dinheiro, para averiguar se havia alguma infração da Lei. A Ordem alegou que os donativos foram feitos por enfermeiros, individualmente e em grupo, e por amigos e familiares.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a considerar que a greve dos enfermeiros, financiada através de donativos, era ilegal.

A 20 de setembro, a ASAE não detetou irregularidades nas campanhas de crowdfunding dos enfermeiros, mas abriu um processo de contra-ordenação contra a entidade gestora de uma outra plataforma na Internet.

ZAP //

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