“Vergonhoso”. Dinamarca volta atrás na proibição de carne em cantinas

A Dinamarca voltou atrás numa iniciativa que introduzia dois dias vegetarianos por semana nas cantinas do país, devido a críticas dos trabalhadores.

O Governo dinamarquês introduziu dois dias vegetarianos por semana nas cantinas do país, limitando também o consumo de carne de vaca ou cordeiro a uma vez por semana. Agora, cerca de uma semana depois, a Dinamarca viu-se obrigada a voltar atrás nesta iniciativa após críticas dos funcionários.

O Governo tornou a proibição opcional, ficando à responsabilidade de cada local de trabalho decidir se implementava as mudanças ou não. A iniciativa fazia parte do objetivo do Governo de atingir uma redução de 70% nas emissões de gases com efeito de estufa até 2030, escreve o jornal britânico The Guardian.

Além dos dias sem carne nas cantinas, a Dinamarca planeava introduzir diretrizes dietéticas amigas do ambiente em 2021 e iniciativas para ajudar a reduzir as emissões do setor agrícola.

“Ainda acreditamos que as pessoas vão comer carne no futuro, mas devemos comer menos por questões climáticas e de saúde”, disse Anne Paulin, porta-voz climática do Governo.

Especialistas disseram que os dias sem carne, mesmo que obrigatórios, dificilmente reduziriam as emissões climáticas, dada a dimensão da pecuária no país, que exporta cerca de 90% da sua produção de carne de porco, por exemplo.

“Mudar a dieta provavelmente não reduzirá muito as emissões da Dinamarca. O nosso setor agrícola abastece um mercado global e não os vejo a produzir menos porque vendem menos na Dinamarca”, disse Katherine Richardson, líder do centro de ciência sustentável da Universidade de Copenhaga.

Por sua vez, a Greenpeace disse que o passo atrás na proibição do Governo nos dias sem carne nas cantinas é “vergonhosa” e que vai afetar a predisposição para mudar a agricultura no país.

“É preciso começar a falar sobre o elefante na sala, o facto de a Dinamarca ser o maior produtor de carne do mundo per capita, com 28% das emissões climáticas dinamarquesas provenientes da produção de carne e laticínios”, disse Helene Hagel, chefe de política climática e ambiental da Greenpeace Dinamarca.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Ainda não sei se estou a crer no que acabei de ler. Um governo que quer regular o que se pode comer ao almoço. Isto é dum fundamentalismo delirante. Talvez numa ditadura islâmica tal fosse possível, numa Turquia ou num Irão… Agora na Dinamarca? Juro que não acredito. Qual a próxima medida? Regular o número de quadradinhos de papel higiénico?

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