Deputado do PS defende demolição do Padrão dos Descobrimentos (e que “devia ter havido sangue” no 25 de Abril)

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ascenso.simoes / Facebook

Ascenso Simões, deputado do PS

Ascenso Simões, deputado do PS, votou contra o pesar pela morte de Marcelino da Mata e considera que “a nossa História precisa de ser descolonizada”. Assim, defende que o Padrão dos Descobrimentos devia ter sido “destruído” e sugere que “devia ter havido sangue” no 25 de Abril, embora não de forma literal.

Numa altura em que as feridas da guerra colonial foram reabertas, após a morte do militar Marcelino da Mata, o deputado Ascenso Simões acrescenta achas à fogueira.

Num artigo de opinião escrito no jornal Público fala do “mamarracho do Padrão dos Descobrimentos” e considera que, “num país respeitável, devia ter sido destruído”.

Ascenso Simões também escreve que “o 25 de Abril de 1974 não foi uma revolução, foi uma festa”. “Devia ter havido sangue, devia ter havido mortos, devíamos ter determinado bem as fronteiras para se fazer um novo país”, constata ainda.

Após estas declarações, o deputado socialista explica ao Observador que “não se trata de mortos físicos nem de sangue derramado nas ruas, mas de cortes epistemológicos“.

“Cortes verdadeiros do ponto de vista da política, da transformação da sociedade”, acrescenta, salientando que o 25 de Abril não “fez os cortes suficientes para limpar da nossa memória elementos que são danosos da construção de uma democracia plena”.

“É um dos grandes monumentos do regime ditatorial”

Mas quanto ao Padrão dos Descobrimentos, Ascenso Simões defende que devia ter sido destruído enquanto “monumento do regime ditatorial”, da mesma forma que se derrubaram estátuas e se nomeou a ponte Salazar para ponte 25 de Abril.

“Quando não temos leitura da história achamos que a normalidade é passar por um qualquer momento sem nos questionarmos. Mas se nos questionássemos, enquanto sociedade, perguntaríamos porque é que não derrubamos aquele que é um dos grandes monumentos do regime ditatorial”, afiança ainda sobre o Padrão dos Descobrimentos.

No artigo no Público, Ascenso Simões refere que “o salazarismo foi muito eficaz na construção de uma história privativa, garantindo, até hoje, a perenidade dos mitos do desígnio português, dos descobrimentos, ou do império”.

Mas, em declarações ao Observador, esclarece que “falta perceber verdadeiramente que não tivemos império nenhum” e “que os tempos que vivemos desde o século XV até ao 25 de Abril foram tempos de grande instabilidade que nunca consolidaram império nenhum”.

“Esse império que está na nossa cabeça” é “uma construção simbólica do império salazarista”, conclui.

“Fomos dos piores colonizadores europeus”

Sobre o voto de pesar pela morte de Marcelino da Mata, contra o qual votou em oposição à tendência de voto da bancada socialista, Ascenso Simões justifica que as condecorações do militar que nasceu na Guiné, mas combateu ao lado das forças portuguesas na guerra colonial, eram “medalhas do fascismo” e “a elaboração máxima do exemplo de africano usado pelos senhores da guerra”.

Marcelino da Mata “era eleito como sendo o D. Afonso I do Congo do século XX, um títere ao serviço de uma ideia de império de pés de barro que o Estado Novo construiu e que se mantém presente na nossa sociedade”, nota o deputado em entrevista ao Público.

Em declarações a este jornal, Ascenso Simões refere ainda que “é uma falácia o exemplo colonial português”, pois entende que “fomos dos piores colonizadores de todos os países europeus”.

Citando António de Spínola, o deputado resume a história da seguinte forma: “os ingleses dizem para os povos colonizados: cresce, mas não te aproximes; os portugueses consagraram o: aproxima-te, mas não cresças“.

A nossa História precisa de ser descolonizada, carece de uma limpeza dos atavismos historiográficos que foram, também, marcados pela investigação positivista”, acrescenta, concluindo que “não se suportará uma história anacrónica, mas é insuportável uma história falsa”.

  Susana Valente, ZAP //

119 Comments

  1. Oh Sr. Rua li o seu comentário ao meu.
    Respeito a sua opinião embora discorde de algumas passagens.
    Por exemplo1 só defendia a política ultramarina quem dela tirasse proveitos abismais. Não era bem assim como sabe.
    Nós tivemos várias fases de emigração.
    A primeira, nos primórdios do séc. XX mesmo finais do XIX para o Brasil e Argentina (Ainda hoje tenho lá primos de terceira e quarta geração). Depois a seguir à II G.G. começou para o ultramar, uns para fugir à pobreza de cá outros até por motivos políticos (caso do meu pai, que cá não passava da cepa torta por simpatia pelos comunistas – Era empregado de escritório na antiga CUF). Como ele foram milhares, alguns perfeitos mantecapos racistas (conheci alguns, que já não estão entre nós).
    E olhe que não enriqueciam, os que iam trabalhar no duro. As condições de início não eram agradáveis. É por fim uma terceira vaga de emigrantes para a Europa, uns para fugir à tropa (conhece como eu alguns, que se pavoneism por aí, até com condecorações) e outros a maioria à procura de melhor vida, tal como hoje.
    Mas sabe o que hoje mais me surpreende? É que enviamos militares para países que nada nos dizem e ninguém escreve: ” nem mais um soldado para onde quer que seja”.
    E olhe que eu não sou contra, mas espanta-me.

  2. Era melhor , que esse Ascenso Simões, como todas as pessoas do seu calibre, não existissem. É mesmo mais importante esse monumento do que ele. A única forma de apagar a história de um povo, e destruí-lo completamente, como fez a igreja católica, como por exp. Os Cátaros ( sul de França). Dessa forma, é capaz de ser mais fácil ir destruindo as pessoas deste tipo. O que ainda me espanta mais, é, porque é que estes tipos não vão viver para outro país á sua medida? Talvez constatassem. Que afinal, quem está mal são eles. Vá para Angola, por exp.

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