Défice das contas públicas agrava-se em 2.550 milhões até maio

Manuel de Almeida / Lusa

O ministro das Finanças, João Leão

As administrações públicas registaram um défice de 3.203 milhões de euros até maio, um agravamento de 2.550 milhões de euros face ao mesmo período de 2019, revelou esta sexta-feira em comunicado o Ministério das Finanças.

“A execução orçamental em contabilidade pública das Administrações Públicas registou até maio um défice de 3.203 milhões de euros, representando um agravamento de 2.550 milhões de euros face ao período homólogo pelo efeito combinado de contração da receita (-0,4%) e crescimento da despesa (7,4%)”, refere a nota do ministério de João Leão.

O Ministério das Finanças acentua que a execução orçamental até maio “já evidencia os efeitos da pandemia do covid-19 na economia e nos serviços públicos na sequência das medidas de política de mitigação”. No final de abril, o défice das administrações públicas era de 1.651 milhões de euros, refletindo um agravamento de 341 milhões de euros face ao mesmo período de 2019.

No habitual comunicado que antecede a divulgação da Síntese de Execução Orçamental, o Ministério das Finança estima que, até maio, os efeitos da pandemia contribuíram para uma degradação do saldo de pelo menos 1.783 milhões de euros.

Para este total contribuiu a queda de 869 milhões de euros do lado da receita, associada à medida de diferimento do pagamento do IVA, retenções na fonte do IRS e IRC e ainda à suspensão das execuções fiscais.

O Ministério das Finanças adianta que este valor não tem em conta a quantificação para a Segurança Social da prorrogação das contribuições e a isenção das execuções fiscais.

Além da referida quebra de receita, a degradação do saldo reflete ainda um aumento da despesa, de 951 milhões de euros, associado às medidas de ‘lay-off’ (453 milhões de euros), aquisição de equipamentos na saúde (169 milhões de euros) e outros apoios suportados pela Segurança Social (144 milhões de euros).

“A par destes efeitos diretos existem efeitos adicionais associados à desaceleração da economia com impacto também na receita fiscal e contributiva e pelo aumento da despesa dos estabilizadores automáticos”, lê-se no comunicado do Ministério das Finanças. De acordo com a tutela, a receita fiscal até maio estabilizou, registando com um crescimento homólogo de 0,4%, justificado pela redução do IRC e da generalidade dos impostos diretos, o que reflete o abrandamento da economia.

Contribuições para a SS desceram

Por seu lado, as contribuições para a Segurança Social registaram um acréscimo de 0,1%, valor que evidencia a tendência de desaceleração face aos meses anteriores à pandemia. Até fevereiro, esta receita crescia 7,4%.

Do lado da despesa, o Ministério das Finanças indica um crescimento homólogo de 7,4% influenciado pela “significativa evolução” da despesa da Segurança Social (+12,4%), dos quais cerca de 597 milhões de euros estão associados à Covid-19.

Para o crescimento da despesa contribuiu ainda a evolução da despesa com pensões (4,2%) e outras prestações sociais (10,7%), tais como a prestações de desemprego (13,2%), ação social (8,2%), prestação social para a inclusão (29,3%) dirigida a pessoas com deficiência e abono de família (14,7%).

“Concorreu também o expressivo crescimento da despesa do Serviço Nacional de Saúde em 9,2%, nomeadamente em despesas com pessoal (+6,8%)”, refere ainda o comunicado, apontando o reforço de mais de 5.600 profissionais afetos ao SNS.

O Ministério das Finanças assinala que a despesa com salários dos funcionários públicos cresceu 4%, corrigida de efeitos pontuais, e que o aumento das despesas com pessoal resulta ainda da “conclusão do descongelamento das carreiras, destacando-se o aumento de 4,7% da despesa com salários dos professores”.

Em termos de investimento público, registou-se um crescimento “de 6,4% na Administração Central e Segurança Social, excluindo Parcerias Público-Privadas (PPPs), refletindo a forte dinâmica de crescimento no âmbito do plano de investimentos Ferrovia 2020 e de outros investimentos estruturantes e ainda a aquisição de material médico para o combate à Covid-19 destinado aos hospitais”.

O Ministério indica ainda que os pagamentos em atraso reduziram-se em 469 milhões de euros face a maio de 2019, sendo esta descida explicada pela diminuição dos pagamentos em atraso no SNS em 499 milhões de euros, o que reflete um mínimo na série histórica.

// Lusa

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