No debate entre os líderes do CDS e da IL, o tom foi de discórdia e troca de acusações. ‘Nega’ ao Chega foi dos poucos tópicos a reunir consenso

José Coelho / Lusa

Cotrim de Figueiredo e Rodrigues dos Santos revelaram posições opostas em questões como as privatizações das grandes empresas públicas, a subida do salário mínimo ou em matérias como a eutanásia, o aborto, a prostituição, entre outras.

Os líderes do CDS/PP e da Iniciativa Liberal (IL) rejeitaram hoje acordos de governo que incluam o Chega, mas mostraram posições divergentes em várias áreas como as privatizações e as políticas sociais.

Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS/PP, considerou que os dois partidos, que disputam o mesmo eleitorado, “até têm visões parecidas, mas só até ao momento em que a IL deixa de se preocupar com as pessoas e passa a olhar só para os mercados”. João Cotrim de Figueiredo, por sua vez, a quem Rodrigues dos Santos chamou “primo moderninho”, acusou o CDS/PP de criticar o seu partido com “argumentos semelhantes” ao Bloco de Esquerda (BE).

Rodrigues dos Santos, que várias vezes evocou o cariz social das propostas do CDS/PP, chegou a classificar o líder da IL como “uma Ruth Marlene da política, que ora pisca à esquerda, ora pisca à direita”.

Os dois dirigentes mostraram estar em desacordo quanto às privatizações de TAP, RTP e Caixa Geral de Depósitos (CGD), com o Cotrim de Figueiredo a defender as três e Francisco Rodrigues dos Santos a colocar reticências sobre a venda da RTP e a do banco púbico.

O aumento do salário mínimo nacional para 900 euros foi também um ponto de discórdia, com a IL a considerar que a “medida não é razoável em função da atual situação” e deve ser vista em conjunto com outros fatores como a produtividade” e o CDS/PP a defender a tomada da decisão “em sede de concertação social”.

Rodrigues dos Santos, que assumiu a liderança dos centristas há quase dois anos, garantiu não temer a perda de votos para a IL, afirmando: “Acredito que, à semelhança do que tem sido a nossa história, os que ficam são mais do que suficientes para levarem o CDS/PP a um bom resultado. Os partidos não são donos dos votos”.

Francisco Rodrigues dos Santos admitiu estar “disponível” para se entender com João Cotrim de Figueiredo, caso a IL “deixe de fazer concessões à extrema esquerda em matérias como a eutanásia, o aborto, a prostituição, as drogas leves, a ideologia de género nas escolas e as proibições à tauromaquia”.

Cotrim de Figueiredo, que considerou Francisco Rodrigues dos Santos como “o mais novo dos líderes que tem a cabeça mais velha de todos”, respondeu dizendo que “quando se fazem compromissos é respeitando a liberdade dos outros.

À exceção do pedido de Cotrim de Figueiredo a António Costa sobre o que tenciona fazer no que diz respeito a coligações, as menções ao PS e ao governo quase não existiram.

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