A cura pode estar próxima. Vírus do VIH é removido pela primeira vez do genoma de animais

Alexey Kashpersky

Conceito artístico do VIH criado pelo designer ucraniano Alexey Kashpersky

Cientistas conseguiram eliminar o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) do corpo de um ser vivo graças a um novo tratamento experimental desenvolvido nos Estados Unidos.

Uma equipa de cientistas da Escola de Medicina Lewis Katz da Temple University e do Centro Médico da Universidade do Nebraska, nos Estados Unidos, conseguiu remover, pela primeira vez, o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) do genoma de animais vivos. O artigo científico foi publicado na terça-feira na Nature.

Os investigadores conseguiram eliminar o VIH de nove de 23 ratos infetados com o vírus da SIDA, juntando a tecnologia de edição de genes CRISPR com um medicamento de supressão do vírus, de libertação lenta. Os atuais tratamentos contra esta condição – os antirretrovirais – não conseguem eliminar totalmente este vírus, apenas suprimem a sua replicação e disseminação no corpo humano.

Este tratamento inovador consiste em dois processos. O primeiro – Laser Art – é um medicamento de libertação lenta que isola e controla o vírus. O segundo utiliza a tecnologia de edição genética CRISPR Cas9, que permite modificar e eliminar os genes das células infetadas com o vírus.

Na prática, o Laser Art consiste na manipulação de fármacos convencionais de tratamentos antirretrovirais, de modo a facilitar o acesso do conteúdo desses medicamentos às membranas das células, onde o vírus se costuma alojar, e assim retardar a dispersão desse material, garantindo que o material acompanhe o ciclo do VIH.

Já a técnica CRISPR edita os genes das células infetadas com o vírus que não foram captadas pelo Laser Art para remover o VIH. Isoladamente, os tratamentos não surtiram o efeito esperado mas, quando combinados, o vírus foi eliminado em 30% dos 29 ratos usados.

Estas descobertas representam apenas um primeiro passo para a cura. Uma das premissas do trabalho, segundo  os investigadores foi tratar a SIDA como uma doença genética, e não infecciosa.

De acordo com o CNBC, estas técnicas foram aplicadas num grupo de ratos humanizados, o que significa que os roedores foram alterados para produzirem células humanas suscetíveis ao vírus. A tecnologia teve também como alvo os reservatórios de VIH latentes.

Os investigadores conseguiram com sucesso eliminar o vírus de nove dos 23 ratos, resultados que apontaram, de maneira inédita, para a possibilidade da doença poder ser curada. Neste momento, está a ser realizada uma segunda fase do estudo, mas em primatas. Caso seja novamente bem sucedido, o processo será repetido em seres humanos.

Kamel Khalili, líder da investigação e investigador da Universidade de Temple, adiantou que o principal argumento do estudo é que, quando dois métodos são usados em conjunto, podem “produzir uma cura para a infeção pelo VIH“, efetiva e duradoura, lê-se numa nota de imprensa.

“Agora temos um caminho claro para avançar nos testes em primatas não humanos e possivelmente em testes clínicos em pacientes humanos durante o próximo ano”, continuou Khalili.

Desde que a epidemia VIH/Sida surgiu na década de 1980, mais de 35 milhões de pessoas morreram em todo o mundo. Apesar de, atualmente, o número de mortes por Sida estar a diminuir, o número de novas infeções em todo o mundo continua muito alto. São cerca de 1,8 milhões de novos casos por ano, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

ZAP //

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