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Um passo em direção à mudança. Cuba prepara-se para acabar com a caderneta de racionamento

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Cuba prepara-se para dar mais um passo em direção a mudança. Ainda sem data na agenda, as autoridades preparam-se para por fim à libreta de abastecimiento, um dos símbolos da Revolução comunista de 1959.

A libreta de abastecimiento, criada em 1962, garante às famílias o acesso a um cabaz básico de produtos subsidiados pelo Estado, a grande maioria deles importada. Para o economista cubano Omar Everleny, este pequeno caderno “é um símbolo da escassez do Estado, que teve de subsidiar os produtos que ali se vendem, durante muito tempo”.

Segundo o Expresso, o Estado cubano gasta anualmente cerca de 1000 milhões de dólares (850 milhões de euros) com este sistema, no qual estão inscritas quase quatro milhões de famílias.

Na quinta-feira passada, o fim da caderneta foi abordado pelo atual Presidente de Cuba, no programa televisivo “Mesa Redonda”. De acordo com o semanário, Miguel Díaz-Canel disse que a libreta deixará de existir após a conclusão da anunciada reforma monetária que o regime de Havana tem em vista, visando eliminar uma das duas moedas oficiais.

Na ilha, coexistem o peso cubano (CUP) e o peso convertível (CUC): o CUP é a moeda em que os cubanos recebem salários e pensões e equivale, atualmente, a quatro cêntimos do dólar; já o CUC é a moeda usada pelos turistas e por quem trabalha no setor do turismo. Agora, Havana quer acabar com o CUC e ficar com o CUP como moeda única.

O Presidente garantiu, contudo, que reforma monetária não irá pôr em causa a continuidade de grandes conquistas da Revolução, como a saúde e a educação universal gratuitas.

Além de uma profunda crise, Cuba vê-se a braços com as dificuldades em virtude da pandemia de covid-19. De acordo com o Expresso, a escassez de alimentos, produtos de higiene e medicamentos nas prateleiras dos espaços comerciais é a consequência mais visível desta crise.

A caderneta de abastecimento, instituída pela Lei 1015, foi criada por Fidel Castro para enfrentar a falta de alimentos que derivou do embargo económico decretado pelos Estados Unidos, principal parceiro comercial naquela época.

Omar Everleny acredita que “parte da população, uns 25%, não esteja preparada nem consiga aguentar o cancelamento da libreta de abastecimiento”.

“O Estado deve mostrar a capacidade necessária para criar mecanismos financeiros que compensem a população que tenha de adquirir os bens do velho cabaz subsidiado, aos preços que esses produtos atinjam”, rematou.

  ZAP //

1 Comment

  1. Então e a Rússia à época URSS com vários países subjugados ao seu domínio e sua ideologia, não teve a capacidade de colaborar com o seu aluno centro americano e demonstrar ao mundo ocidental de quanto valia o paraíso comunista? Uma oportunidade perdida para todos eles!

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