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CTT paga aos accionistas mais do dobro dos lucros (que caíram em 56%)

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O resultado líquido dos CTT caiu 56,1% em 2017, face ao ano anterior, para 27,3 milhões de euros, sendo que o tráfego de correio endereçado caiu 5,6%. Apesar disso, os accionistas da empresa vão receber 57 milhões de euros em dividendos.

Os accionistas dos CTT terão, assim, direito a mais do dobro dos lucros amealhados pela empresa em 2017, avança o Correio da Manhã.

“Os CTT têm uma estrutura financeira sólida e não se endividam para pagar dividendos”, salientou o presidente-executivo da empresa, Francisco de Lacerda, durante a apresentação dos resultados de 2017, citado pelo jornal.

A empresa atravessa, neste momento, uma fase de reestruturação, com o encerramento de várias estações de Correios e com a saída de trabalhadores.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), os CTT adiantam que a quebra do lucro em 56,1% em 2017, para os 27,3 milhões de euros, é “decorrente de um decréscimo do EBITDA [resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações] e do EBIT [resultado operacional]”.

Estas quebras do EBITDA (-20,5%) e EBIT (-48,2%), referem os Correios, tiveram “origem fundamentalmente” na “queda de tráfego de correio, provisões de gastos relativos à optimização de recursos humanos, entrada da Transporta no grupo”, em 2016, e no “acordo com Altice e significativa reversão de provisões”.

O resultado líquido recorrente dos CTT – que exclui os rendimentos e gastos não recorrentes e considera uma taxa de imposto nominal sobre o rendimento – recuou 37,5% para 40 milhões de euros.

Espera-se subida nas receitas em 2018

A empresa espera uma “ligeira subida nas receitas” em 2018, sublinhou Francisco de Lacerda. “Dependendo do que vier a acontecer na queda do correio e também no tema dos produtos financeiros”, são esperados “números semelhantes àqueles que atingimos em 2017”, disse o presidente-executivo aos jornalistas, à margem da conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais.

“Desde 1 de Janeiro de 2018, houve um aumento de três pontos de acesso nos CTT“, com “uma redução de 20 lojas” e “um aumento de 23 postos de correio”, explicou ainda, afirmando que eventuais encerramentos serão analisados em cada momento.

Os Correios de Portugal referem, em comunicado enviado à CMVM, que, “no final de 2017, o Banco CTT alcançou uma nova marca histórica“, no primeiro ano completo de actividade, com os rendimentos a atingirem os 7,6 milhões de euros, contra “cerca de 1,0 milhões de euros em 2016”.

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) reportado do Banco CTT melhorou 5% para 24,2 milhões de euros negativos.

Atualmente, o Banco CTT está presente em 208 lojas e conta com 285 mil clientes, através da abertura de mais de 226 mil contas de depósitos à ordem.

A instituição financeira captou mais de 619 milhões de euros em depósitos, dos quais 409 milhões de euros à ordem.

  ZAP // Lusa

3 Comments

  1. Este é um governo que passa ao lado de assuntos importantes mas não descarta injectar mais dinheiro no novo banco e através da Santa casa injectar mais dinheiro no montepio…. Os CTT deviam ser nacionalizados pelo menos no que corresponde aos armazéns de recolha e triagem…. Pois não existe concorrência e uma empresa monopólio!

  2. A privatização dos CTT foi uma das piores medidas tomadas pelo Estado.
    Parece incrível que os novos donos tenham colocado os CTT a dar prejuízo, e estejam a endividar a empresa junto dos bancos, para aumentarem a distribuição de dividendos !
    É um dos casos em que se justificava a reversão da privatização com justa causa.

  3. Podem sempre pagar os dividendos (dos lucros que não tiveram), com o dinheiro dos depositantes… Não?
    609 milhões de euros em depósitos, deve dar para isso!
    Depois declaram o banco insolvente… Não há problema…

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