Criança alvo de bullying atropelada quando fugia de colegas agressores

Vitó / Flickr

A PSP já confirmou a veracidade de um vídeo que foi divulgado nas redes sociais e que mostra uma criança a fugir de um grupo de meninas, alegadas colegas de uma escola no Seixal, num caso de bullying que terminou com a vítima a ser atropelada enquanto fugia de uma das agressoras.

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O caso ocorreu na berma de uma estrada no Seixal, no distrito de Setúbal, e envolve alunos da escola Dr. António Augusto Louro, na Arrentela, segundo revelam o Observador e o Correio da Manhã (CM).

Nas imagens divulgadas nas redes sociais, é possível ver um grupo de miúdas a perseguirem um rapaz que tenta fugir delas. A menina mais alta acaba por correr atrás dele, após lhe ter desferido, pelo menos, um soco no ombro.

O jovem consegue fugir uma primeira vez, atravessando a estrada. Mas, numa segunda tentativa para atravessar a via e escapar à colega que corria atrás dele, acaba por ser atropelado por um carro.

Enquanto isso, ouvem-se várias vozes a incitarem a agressora – “vai lá, vai lá”, dizem -, enquanto apenas uma das jovens avisa que aquilo é “bullying”.

O rapaz que terá 13 ou 14 anos “já está em casa”, após ter sido assistido no hospital a “ferimentos ligeiros”, segundo revela uma fonte da PSP ao Observador.

A mesma fonte confirma que os intervenientes nas agressões ao jovem já foram identificados e que o caso já foi reportado ao Ministério Público e à Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens.

Entretanto, a PSP estará também a trabalhar em conjunto com a escola para abordar a situação.

“A culpa é dos pais”

O caso está a ter eco nas redes sociais e sobretudo entre uma população bastante jovem que se mostra indignada e que pede que haja “consequências” para os agressores.

No Twitter, o vídeo das agressões e do atropelamento está a ser disseminado sem que os rostos das crianças estejam tapados. Portanto, é perfeitamente possível identificar a principal agressora.

Essa jovem está a ser alvo da raiva de muitos utilizadores daquela rede social, com insultos e desejos de que seja “espancada”.

Num tom mais contido, há quem note que ela “tem de ser responsabilizada e os que incentivaram também”.

Entre possíveis sanções, alguém sugere que façam “trabalho comunitário”.

Por outro lado, alguns utilizadores referem que “a culpa é dos pais” porque não lhes deram “a educação em casa”. E, por isso, também há quem evidencie que os pais devem ser “responsabilizados pela actuação dos filhos”.

Contudo, há um utilizador do Twitter que refere que “não deve ser imputada necessariamente a culpa” a nenhuma das crianças envolvidas, pois “é garotada, estão a crescer, nem sequer têm ainda sentido de responsabilidade“.

Mas a essa ideia, outra internauta aponta que “causaram um atropelamento” e que “têm 13 anos, se não têm sentido de responsabilidade deviam ter”. Assim conclui que, “a idade não é uma desculpa“.

Há ainda um outro utilizador da rede social que se reporta aos incidentes, mas também à gravação do vídeo como algo que nos deve fazer pensar.

“Não querendo julgar o que se passou sem conhecer o contexto, acho que o mais grave é a forma recorrente de como as crianças hoje se divertem a gravar alguém a apanhar, ou a chorar, ou a ser achincalhado, isto é revelador de uma falta de empatia preocupante”, conclui este utilizador.

  Susana Valente, ZAP //

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