Cova da Moura: polícias pediram para sair, mas PSP ainda não deixou

Mário Cruz / Lusa

Quatro dos 18 polícias que foram alvo da acusação de racismo, ódio, tortura e sequestro pelo Ministério Público ainda estão na esquadra de Alfragide. Pediram para sair, mas a PSP ainda não deu resposta.

A Direção Nacional da PSP não tomou ainda qualquer decisão disciplinar em relação aos 18 polícias da esquadra de Alfragide acusados, há 10 dias, por crimes de tortura, sequestro, ofensa à integridade física qualificada – todos agravados por ódio e discriminação racial – contra seis jovens negros do bairro da Cova da Moura, no concelho da Amadora.

A ministra da Administração Interna tinha exigido ao diretor nacional daquela força de segurança que fosse cumprido o regulamento disciplinar, que prevê a suspensão de funções para agentes acusados de crimes com penas superiores a três anos de prisão, como é o caso tendo em conta o cúmulo de penas previstas.

Segundo o Diário de Notícias, logo no dia seguinte à divulgação da acusação, Constança Urbano de Sousa assinalou que “quando for notificada da decisão de acusação, o que ainda não aconteceu, a PSP aplicará as normas previstas no Regulamento Disciplinar”. Mas isso não aconteceu.

A direção da PSP foi, entretanto, notificada da acusação, remetida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal da Amadora, no dia 10 de julho, ao Comando Metropolitano de Lisboa, que tem a jurisdição da Amadora.

Confrontado com a ausência de medidas por parte da hierarquia da PSP, o gabinete da titular da pasta da Administração Interna diz que a ministra “não fará qualquer comentário sobre o assunto”, mas “mantém a sua posição no sentido de exigir o cumprimento do regulamento disciplinar”.

Segundo o DN, há mais de uma semana que o jornal insiste com a PSP para esclarecer a situação dos 18 agentes acusados, sem ter obtido resposta até ao momento. De acordo com fonte sindical, quatro destes agentes ainda estão ao serviço naquela esquadra.

Terão pedido para sair, quando foi conhecida a acusação, mas não tiveram resposta da hierarquia. Os outros 14 polícias deixaram aquele posto, que terá sido palco dos crimes a 5 de fevereiro de 2015.

Os agentes foram deixando Alfragide ao longo dos últimos dois anos por motivos pessoais e profissionais, não relacionados com o processo em si mesmo.

A Associação Sindical de Profissionais de Polícia entende que estes polícias não devem ser suspensos “tendo em conta que já houve um inquérito da IGAI que decidiu a suspensão de dois deles”.

No entanto, admitindo que, perante uma acusação desta gravidade, a dúvida esteja instalada na sociedade sobre a conduta destes agentes, o presidente do Sindicato, Paulo Rodrigues, pediu ao diretor nacional que “abrisse uma exceção para os agentes que ainda estão em Alfragide e autorizasse a sua transferência imediata para o comando que requererem”.

Mas, sublinha, “apenas se isso for do interesse dos colegas“. Com “esta dúvida instalada será difícil para qualquer polícia resolver problemas e fazer alguma diligência na Cova da Moura. É uma grande insegurança”.

Paulo Rodrigues lamenta que o diretor nacional, Luís Farinha, ainda não tenha tido esta iniciativa. De acordo com várias fontes da PSP, Luís Farinha tem estado “pressionado pelas bases” para não fazer declarações que possam por em causa a inocência dos agentes acusados. Ao ponto de ter de recuar e vir esclarecer internamente o discurso dos 150 anos da polícia, depois de ter sido alvo de contestação.

Luís Farinha disse que “face aos episódios negativos recentes que afetaram a imagem da instituição, protagonizados por quem não honra o compromisso de ser polícia“, “saberiam encontrar as soluções adequadas”, tendo depois afirmado que não se referia ao caso da esquadra de Alfragide.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. A PSP, não está a ter solução para o problema dos 4 agentes acusados de racismo, ódio e tortura, e sequestro.
    Embora eu não acredite que os agentes em causa tenham feito assim tanto mal aos meninos. Porque eles dizem que lhes chamam de pretos, (mesmo não chamando, eles dizem que chamaram, e isso é racismo segundo dizem) e ficam muito ofendidos, também não entendo muito bem porque, se é a cor deles. Nós brancos somos o quê ???? brancos não é !
    No seguimento a outro artigo, que grupo invade esquadra e apedrejaram o carro policial, ferindo um agente que foi assistido no hospital.
    Só não dizem que grupo é ! Ou seja de que raça são . Presumo sejam Africanos.
    Quero com isto dizer, que qualquer dia a Polícia vai deixar andar esta gente à vontade, até tomarem conta de todos nós, e fazerem o que lhes dá na gana, aliás isso já eles fazem hoje, roubam, abusam, gozam, e têm uma grande falta de respeito por quem os acolheu e onde vivem muitos à grande e à francesa à nossa conta.
    Mas, pelos visto ainda não chega, e as autoridades, neste caso o Governo, não faz rigorosamente nada, para nos proteger, e ainda os Polícias é que são acusados.
    Isto é inacreditável.
    No meu caso pessoal, já por duas vezes fui atacado por africanos e, pela segunda vez me roubaram um fio de ouro, que andava no meu pescoço à 28 anos. Fisz queixa na PSP, para reconhecer o ladrão, mas eram tantos africanos que não consegui distinguir.foi preciso vir esta gente para o fazer, aliás na minha zona de residência, assaltaram várias pessoas, especialmente mulheres que também ficaram sem fios e anéis.
    Afinal este estado de democracia da treta e da liberdade é esta segurança que nos dá.
    Dizem tanto mal do Salazar e do fascismo, mas pelo menos, existia respeito disciplina e ordem e trabalho, e agora ?????
    Somos governados por um bando de vígaros e incompetentes, que só se preocupam com a segurança e a barriga deles.
    Ao ponto da Polícia não ter força política para agir em conformidade dos casos.
    Não falta muito para que a Polícia, tenha de fugir, dos bandidos e ladrões, porque o Governo não lhes dá autoridade para poderem cumprir com a sua missão. Principalmente na segurança do cidadão comum.
    Onde isto vai parar ???????????????????????????????????

  2. O comentário do João Gomes é muito pertinente. Num comentário, noutro local, sobre este tema, afirmei e reafirmo: deveríamos apoiar incondicionalmente os polícias, a instituição policial. Eles são formados e educados para defender a sociedade, defender nossas pessoas e bens.
    Haverá um ou outro elemento que extravasa das suas funções? Claro que há. Há em todos os ramos em todas as funções. Em todos os lados há maus profissionais. E por isso vamos condenar toda a instituição? A “árvore não é a floresta”.
    Quanto ao problema racismo e/ou xenofobia é uma “treta”. A polícia deverá, ou deveria, actuar sempre que haja alteração da ordem pública, sejam eles pretos, brancos, amarelos, vermelhos, etc..
    Ou, pelo facto dos indivíduos da Cova da Moura serem maioritariamente negros, a polícia não pode actuar, caso haja alteração de ordem pública, só pelo medo de que lhes chamem racistas? Eles (polícias) também não actuam em bairros, ou outros locais, de maioria branca, quando há distúrbios? Se eles (polícias) “passam uma esponja” sobre delinquentes brancos, pelo facto de serem brancos, e só atacam os crimes das pessoas de cor, então, sim, direi que são racistas.
    Publicam-se, muitas vezes, estatísticas de criminalidade no país (uma vez sobe, outras vezes desce, conforme os casos ou conveniências) mas de uma forma genérica e sintética.
    Por acaso gostaria que estes estudos fossem descriminados e quantificados por raças e/ou etnias e, depois, se fizesse a devida proporção, em função dos números aproximados, por cada grupo. Aí, talvez pudéssemos ajuizar com mais rigor se determinado grupo é mais violento que outro, porque, na realidade, poderemos a estar ser injustos quando afirmamos que estes ou aqueles são uma raça de delinquentes e nós é que somos os bons.
    Fica aqui a sugestão. Os estudiosos que se debrucem sobre esta problemática para que não estejamos (órgãos de informação, órgãos oficiais e nós) a fazer afirmações gratuitas.

    • …”Se eles (polícias) “passam uma esponja” sobre delinquentes brancos, pelo facto de serem brancos, e só atacam os crimes das pessoas de cor, então, sim, direi que são racistas”…

      Por acaso, já viu o comportamento da policia, na quinta da marinha?

  3. Na minha opinião os polícias deveriam era unirem-se todos e recusarem-se a prestar qualquer serviço, admito que hajam excessos, mas como agir com aquela gente se aquilo é tudo um bairro de excessos onde nem sequer a polícia pode entrar em segurança e onde alguns já encontraram a morte e exige-se que estes entrem lá dentro com sorrisos e miminhos, talvez o melhor de tudo seja demitirem todos os polícias e entregarem a segurança do país às gentes daquele bairro e outros iguais.

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