Coreia do Norte faz explodir “inútil” escritório de ligação com o Sul. Exército “totalmente pronto” para ação militar

Yonhap South Korea / EPA

A Coreia do Norte fez explodir esta terça-feira o escritório de ligação com a Coreia do Sul em Kaesong, uma cidade perto da fronteira, aumentando a tensão na península coreana, revelou o Ministério da Unificação em Seul.

“A Coreia do Norte explodiu o escritório de ligação de Kaesong, às 14h49 (7h49 em Lisboa), disse o porta-voz do ministério encarregado das relações entre as duas Coreias, em comunicado.

Fotografias da agência de notícias sul-coreana Yonhap mostraram fumo a sair do que parece ser um complexo de edifícios e a agência revelou que a área fazia parte de um parque industrial agora fechado, onde ficava o escritório de ligação.

A Coreia do Norte tinha ameaçado demolir o escritório à medida que intensificava a sua retórica sobre o fracasso de Seul em impedir que ativistas usassem panfletos de propaganda através da fronteira.

Alguns especialistas dizem que a Coreia do Norte está a manifestar a sua frustração porque Seul não pode retomar os projetos económicos conjuntos devido a sanções lideradas pelos Estados Unidos.

No sábado à noite, Kim Yo Jong, irmã influente do líder da Coreia do Norte, alertou que Seul em breve testemunharia “uma cena trágica do inútil escritório de ligação Norte-Sul (na Coreia do Norte), sendo completamente destruído”, deixando aos militares da Coreia do Norte o direito de dar o próximo passo de retaliação contra a Coreia do Sul.

Em 2018, as Coreias abriram o seu primeiro escritório de contacto em Kaesong, para facilitar uma melhor comunicação e as trocas desde a sua divisão, no final da II Guerra Mundial, em 1945.

Quando o escritório foi aberto, as relações entre as Coreias floresceram depois de Coreia do Norte ter iniciado negociações sobre o seu programa de armas nucleares.

Exército ameaça ocupar zona desmilitarizada

A Coreia do Norte ameaçou esta terça-feira enviar tropas para zonas limítrofes com o vizinho do Sul que tinham sido desmilitarizadas, após um acordo entre os dois países, assinado em 2018.

Numa declaração emitida pela agência estatal KCNA, o Estado-Maior da Coreia do Norte afirmou que está a considerar um plano “para reconduzir o exército às áreas que foram desmilitarizadas ao abrigo do acordo Norte-Sul, fortificar a frente e aumentar a vigilância militar”. O exército da Coreia do Norte afirmar estar “totalmente pronto” para agir contra a Coreia do Sul.

O texto não especifica quais as áreas ao longo da zona desmilitarizada – uma faixa de quatro quilómetros de largura que separa as duas Coreias – a serem incluídas no plano. Uma das possíveis áreas é aquela em torno da cidade de Kaesong (sudoeste) e do monte Kumgang (sudeste), de onde a Coreia do Norte retirou as tropas após o acordo.

O pacto para aliviar as tensões militares nas fronteiras foi assinado durante a cimeira de Pyonyang, realizada em setembro de 2018 pelos dirigentes das duas Coreias, o que constituiu um grande avanço para os dois países.

Na semana passada, Pyonyang elevou ainda mais o tom com Seul, em resposta ao envio de folhetos de propaganda contra o regime de Kim Jong-un por ativistas na Coreia do Sul, muitos deles desertores norte-coreanos. Os folhetos, que são frequentemente pendurados em balões que sobrevoam o território norte-coreano ou inseridos em garrafas atiradas para o rio fronteiriço, contêm geralmente críticas ao historial de Kim Jong-un em matéria de direitos humanos ou às ambições nucleares.

Embora Seul tenha denunciado imediatamente estes grupos e afirmado que os impediria de enviar novamente panfletos, durante o fim de semana Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, ameaçou cortar relações com os sul-coreanos.

A declaração do Estado-Maior da Coreia do Norte indicou também que “as relações Norte-Sul estão cada vez piores” e que Pyongyang também vai começar a enviar “em grande escala” folhetos de propaganda.

A Coreia do Norte tem vindo a endurecer a sua posição com os Estados Unidos e a Coreia do Sul ao longo do último ano, na sequência do fracasso da cimeira de Hanói, em que Washington considerou insuficiente a proposta de desarmamento do regime.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra desde o conflito que as opôs entre 1950 e 1953, que terminou com um cessar-fogo e não com um tratado de paz.

ZAP // Lusa

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