Coreia do Norte disparou míssil capaz de atingir todo o território dos EUA

(dv) KCNA / YONHAP

Míssil balístico intercontinental norte-coreano Hwasong-14, Esta quarta-feira, o mundo conheceu o Hwasong-15

O Pentágono anunciou que o míssil lançado pela Coreia do Norte é um engenho balístico intercontinental, que realizou um voo de mil quilómetros.

“Detetámos um lançamento de míssil desde a Coreia do Norte. Estamos em processo de avaliação da situação e divulgaremos informação adicional quando esta estiver disponível”, disse o porta-voz do Pentágono, coronel Robert Manning.

“A Coreia do Norte lançou um míssil balístico intercontinental não identificado em direção a leste das cercanias de Pyongsong, província de Pyongan del Sur, a norte da capital norte-coreana (Pyongyang)”, revelou também o Estado-maior Conjunto sul-coreano.

O míssil, com um alcance que permite atingir todo o território norte-americano, foi o primeiro ensaio em dois meses e meio, depois do último, de médio alcance, ter sobrevoado o norte do Japão antes de cair no mar.

Segundo a Euronews, o míssil terá seguido uma rota em arco, e pela altitude atingida é possível que até tenha percorrido mais de 10 mil quilómetros, o que colocaria ao alcance da Coreia do Norte o arquipélago do Havai, a 7500 quilómetros de distância, onde se encontra o quartel-general das forças americanas no Pacífico.

Segundo a ABC, que cita fontes oficiais norte-coreanas, o míssil é uma nova geração de projécteis balísticos norte-coreanos, denominado Hwasong-15, transportava uma “cabeça nuclear pesada de enormes dimensões“, e terá atingido uma altitude de 4.000km (10 vezes maior do que a órbita da Estação Espacial Internacional), o que lhe permite atingir a capital norte-americana, na costa leste do país.

O lançamento do míssil norte-coreano foi confirmado pela agência estatal sul-coreana Yonhap, segundo a qual “a Coreia do Norte lançou aparentemente um míssil de longo alcance, reatando as suas provocações após 75 dias de intervalo”.

Os continuados ensaios com armas feitos pelo regime de Kim Jong-un, entre os quais um ensaio nuclear no passado 3 de setembro, aumentaram a tensão na zona a níveis nunca vistos depois da guerra da península da Coreia, entre 1950 e 1953.

No passado dia 21, os Estados Unidos impuseram sanções contra 13 entidades encarregadas do transporte marítimo e terrestre na Coreia do Norte, com o intuito de pressionar Pyongyang para que ponha um fim aos ensaios de mísseis balísticos e às suas aspirações nucleares.

As sanções foram divulgadas um dia depois de Donald Trump ter remetido para a Coreia do Norte a lista de países “patrocinadores do terrorismo”, da qual o país asiático tinha saído há quase uma década.

Depois desta decisão, o Presidente dos Estados Unidos instou o regime comunista norte-coreano a “pôr fim ao seu ilegal desenvolvimento nuclear e de mísseis balísticos“.

Na assembleia-geral da ONU, em setembro, Trump foi duro quanto aos programas nucleares norte-coreanos e ameaçou “destruir totalmente” a Coreia do Norte se Pyongyang continuasse com as provocações.

Por várias vezes, Trump afirmou também que não descarta uma ação militar contra o regime de Pyongyang, uma vez que, disse, anos de diálogo não serviram para nada.

Donald Trump, que falou à imprensa a partir da Casa Branca, não deu mais detalhes sobre as medidas que os Estados Unidos poderão adotar. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, tinha anunciado antes que Trump fora informado do lançamento ainda quando o míssil estava no ar.

Entretanto, fonte oficial japonesa disse que o míssil caiu no mar do Japão, na Zona Económica exclusiva do país.

Coreia do Sul quer sanções mais fortes

O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, afirmou que o novo disparo de míssil por parte da Coreia do Norte é uma “séria ameaça” à paz global e defendeu que são necessárias sanções mais fortes contra Pyongyang.

Moon Jae-in garantiu, no Conselho de Segurança Nacional, que a Coreia do Sul “não vai ficar sentada a ver” as provocações da Coreia do Norte e explicou que vai trabalhar com os Estados Unidos para fortalecer a segurança.

O Presidente da Coreia do Sul salientou que é preciso “desencorajar as ambições nucleares” da Coreia do Norte e explicou que os sul-coreanos anteciparam o lançamento e estavam preparados.

O Exército da Coreia do Sul efetuou os seus próprios exercícios com mísseis, que começaram poucos minutos depois do lançamento da Coreia do Norte ter sido detetado.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) vai reunir de emergência, na quarta-feira à tarde por causa do lançamento do míssil efetuado pela Coreia do Norte, anunciou a presidência italiana.

ZAP // Lusa

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