Controlo da violência no YouTube pode deixar em branco um capítulo da História

(dr) Aleppo Media Centre

Omran Daqneesh sentado na cadeira de uma ambulância, depois de ter sobrevivido a um ataque aéreo na cidade de Aleppo, na Síria

Nos últimos meses, o site de partilha de vídeos na Internet anunciou uma nova política de remoção de vídeos com violência explícita ou de apoio ao terrorismo e, de um dia para o outro, centenas de milhares de vídeos do conflito na Síria desapareceram.

O controlo de conteúdos violentos no YouTube pode “apagar” a história da guerra na Síria, uma das mais sangrentas da atualidade e uma das mais filmadas, com centenas de milhares de vídeos amadores carregados na Internet, advertiram ativistas.

Nos últimos meses, o site de partilha de vídeos na Internet anunciou uma nova política de remoção de vídeos com violência explícita ou de apoio ao terrorismo e, de um dia para o outro, centenas de milhares de vídeos do conflito na Síria desapareceram.

Ativistas ouvidos pela agência Associated Press advertiram que muitos vídeos contêm provas decisivas de violações dos direitos humanos, as quais correm o risco de se perder. Embora estejam a multiplicar esforços para organizar arquivos próprios, frisaram que não têm a infraestrutura tecnológica nem o alcance global do YouTube.

Por outro lado, sustentaram, o YouTube acaba por ser uma janela para o mundo muito importante para os que resistem ao regime de Bashar al-Assad.

“É como estarmos a escrever as nossas memórias, não num livro nosso, mas no livro de terceiros. Não temos controlo sobre elas“, explicou Hadi al-Khatib, cofundador do Arquivo Sírio, um grupo criado em 2014 para preservar fontes abertas de provas de crimes cometidos pelas várias partes em conflito na Síria.

A partir da base de dados e informações dadas por cerca de 900 pessoas ou grupos, al-Khatib disse que cerca de 180 canais relacionados com a guerra na Síria foram fechados desde junho.

Até então, o YouTube apenas removia vídeos denunciados por utilizadores, mas a partir de junho passou a recorrer a um ‘software’ especial para filtrar todos os vídeos carregados no ‘site’. Em colaboração com o YouTube, o grupo de al-Khatib conseguiu que cerca de 20 canais fossem reabertos, recuperando cerca de 400.000 vídeos, mas 150.000 vídeos continuam em risco.

Ainda não há nada perdido para sempre. Mas isto é muito perigoso, porque não há alternativa ao YouTube”, disse al-Khatib. O YouTube, que é propriedade da Google, afirmou que corrigirá quaisquer erros recarregando vídeos indevidamente removidos e que está em diálogo com os ativistas para encontrar uma solução.

O fecho de canais sírios foi especialmente frustrante para uma comunidade que acabara de obter uma vitória em agosto com a emissão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de um mandado de detenção contra um comandante líbio com base em provas em vídeo.

Um dos mais destacados grupos de defesa dos direitos humanos sírios, o Centro de Vídeo e Documentação na Síria (Video and Documentation Center in Syria), anunciou que vai deixar de utilizar o YouTube e que vai criar o seu próprio sistema de armazenamento e difusão.

“O risco tornou-se demasiado grande e nós já não confiamos nesta plataforma para manter provas de violência”, respondeu por email à AP o diretor executivo da organização, Husam Alkatkaby.

Mas nem todos os grupos têm capacidade para constituir a sua própria plataforma, até porque o YouTube fornece aos ativistas uma conta pessoal gratuita e ferramentas tecnológicas para editar, traduzir e carregar os vídeos em qualquer momento, muito importante para os ativistas que estão no terreno.

O YouTube começou por ser usado por ativistas sírios em 2011 para registar os protestos pacíficos contra o regime através de vídeos filmados com telemóveis.

À medida que o conflito evoluiu, os vídeos acompanharam a escalada, registando as consequências de ataques com armas químicas, bombardeamentos aéreos, operações de salvamento para retirar crianças de edifícios destruídos pelas bombas e ataques contra socorristas ou sobreviventes em fuga.

Os grupos ‘jihadistas’ carregaram vídeos de decapitações, enquanto membros do exército e da polícia divulgaram cenas de tortura e os apoiantes do governo distribuíram a sua própria propaganda.

Em 2016, o vídeo de uma criança coberta de sangue e pó entre sobreviventes de um bombardeamento aéreo das forças governamentais em Alepo foi visto por 4,3 milhões de pessoas no YouTube.

Robin Gross, diretor executivo de uma organização que promove a liberdade na internet, a IP Justice, defendeu que imagens poderosas, mesmo que impressionantes, ajudam a influenciar a opinião pública, como ocorreu na Guerra do Vietname. “O software de filtragem não avalia a importância de compreender um conflito e como a imagem, mesmo que explícita, pode contribuir para melhor compreender uma situação”, disse.

// Lusa

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