Conselho da Europa teme que polícia de Malta tenha “recusado provas” no caso da jornalista assassinada

(dr) Times of Malta

A jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia

Daphne Galizia era jornalista, acompanhava casos de corrupção no país e foi assassinada há dois anos. Pieter Omtzigt, relator do Conselho da Europa responsável pelo caso, diz que a abordagem da polícia e dos políticos malteses não bate certo com a promessa de investigação.

A morte da jornalista Daphne Caruana Galizia ainda não foi explicada e Pieter Omtzigt, relator do Conselho da Europa que tem acompanhado o caso, suspeita que não estejam a ser feitos todos os esforços para que isso aconteça.

No segundo aniversário do assassinato de Daphne, o holandês partilhou algumas das suas preocupações relativamente à investigação que tem sido feita em Malta. “As autoridades individualmente até podem estar a fazer o melhor possível, mas a abordagem da força policial como um todo, e dos políticos responsáveis por ela, não corresponde à promessa do primeiro-ministro de não deixar pedra sobre pedra”, disse, em entrevista ao britânico The Guardian, citado pelo Expresso.

Entre as críticas do relator Pieter Omtzigt estão a demora no afastamento de um dos investigadores do caso, no qual teria um conflito de interesses, a recusa de uma cópia do computador de Daphne disponibilizada pela polícia alemã e uma denúncia de um ex-chefe da Europol sobre a fraca cooperação da polícia maltesa.

Para Omtzigt, é grave o falhanço em chegar a um acordo com um dos presumíveis assassinos, Vincent Muscat, que terá falado com a polícia sobre um intermediário. Muscat e advogados de defesa não chegaram, no entanto, a qualquer acordo com as autoridades, o que inviabilizou a possibilidade de Muscat denunciar outros envolvidos.

Esta foi uma oportunidade perdida de chegar aos responsáveis morais pelo crime. “Estou preocupado que as autoridades tenham recusado provas que podiam levar a quem ordenou o assassinato”, afirma. “E também estou preocupado que nem Muscat, nem o seu advogado, nem outros que possam estar preocupados com a situação — incluindo o suposto intermediário — tenham recebido proteção adequada”.

Vincent Muscat é um dos três homens detidos por suspeitas de ter plantado o explosivo no carro. Agora na prisão, teme pela sua segurança.

Em outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, foi morta após ter sido colocado um explosivo no Peugeot 108 em que seguia, e que rebentou com Daphne lá dentro. Responsável pela investigação Panama Papers em Malta, a jornalista mantinha um blogue onde denunciava casos de corrupção, sobretudo de políticos. Entre eles, o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, e dois dos seus assessores. Daphne denunciara também, dias antes, estar a ser vítima de ameaças de morte.

No último texto que a jornalista publicou no seu blogue, uma hora antes do assassinato, Caruana Galizia repetiu as suas acusações contra Keith Schembri, qualificando-o de um “escroque” que usa a sua influência no governo para enriquecer. “Há escroques para onde quer que se olhe. A situação é desesperada”, concluiu.

A revista Politico incluiu Caruana Galizia entre as “28 personalidades que fazem mexer a Europa”, descrevendo-a como “um WikiLeaks inteiro numa só mulher, em cruzada contra a falta de transparência e a corrupção em Malta”.

ZAP //

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