Começou a “fotografia perfeita da população”. Já pode responder aos Censos pela Internet

Os Censos 2021, a maior operação estatística nacional, já arrancou. Com as cartas com os códigos que os recenseadores distribuíram pelas casas dos portugueses, já é possível responder ao inquérito pela Internet.

Os Censos são o instrumento estatístico que permite fazer, de 10 em 10 anos, a “contagem e a caracterização da população e do parque habitacional” do país, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O questionário divide-se em quatro áreas: edifício, alojamento, agregado doméstico e indivíduo. Na primeira, averigua-se o tipo de edifício, a época de construção e o número de alojamentos e pisos. Quanto ao alojamento, analisam-se aspetos como o ar condicionado, o tipo de aquecimento, a área útil e o lugar de estacionamento.

No agregado doméstico questiona-se o número de residentes no agregado doméstico e as relações de parentesco. Sobre o indivíduo, o Censos recolhe informação como a data de nascimento, o estado civil legal, o local de residência, o país de proveniência, o alfabetismo, a profissão, o local de trabalho ou de estudo e o meio de transporte utilizado.

O INE assegura que garante a segurança e a confidencialidade da informação que recolhe das respostas dos cidadãos, havendo “anonimização de qualquer referência individual”. Há perguntas que são colocadas desde 1860 (sexo, idade e estado civil, por exemplo), outras são retiradas (local de residência há cinco anos ou as horas trabalhadas), e algumas são acrescentadas (motivo de migração).

Este ano, para responder aos Censos, basta aceder à página da operação de recenseamento, colocar o código e a password indicados na carta que recebeu do Instituto Nacional de Estatística (INE), responder às questões e, quando terminar, selecionar “Entregar”.

Se interromper o preenchimento do questionário, a aplicação vai guardar automaticamente toda a informação registada até esse momento.

Depois de o questionário ser entregue, já não será possível alterar os dados enviados. Se o quiser fazer, deve “contactar o Recenseador responsável pela área da sua residência e preencher um questionário em papel com a informação a corrigir”, segundo o INE.

Depois de terminar e entregar o questionário, vai receber no sistema uma mensagem com o comprovativo de entrega, que deve guardar como prova da resposta.

A resposta aos Censos é obrigatória e quem não responder arrisca uma multa. A coima é de 250 a 25 mil euros ou de 500 a 50 mil euros, consoante o agente seja pessoa singular ou coletiva.

A resposta aos Censos deve ser feita, de preferência, até ao dia 3 de maio. Para aqueles que não conseguirem responder pela Internet, há outras formas de participar: telefone, e-balcão nas Juntas de Freguesia, e autopreenchimento dos questionários em papel entregues pelos recenseadores.

A resposta pelo telefone é “direcionada para as pessoas que não conseguem responder pela Internet e, por motivos de saúde ou isolamento, não podem responder de outra forma”.

Se tiver recebido duas cartas, deve introduzir os códigos de cada uma, verificar a morada e responder consoante o alojamento certo.

Se perder os códigos, deve aguardar pelo contacto do recenseador responsável pela área da sua residência que lhe fará chegar novos códigos.

Em declarações ao jornal Público, a demógrafa Maria João Valente Rosa disse que este é “um momento importantíssimo das estatísticas”.

Para a especialista, os benefícios “são vários até para a vida de cada pessoa, pois dessa informação sobre nós podem depender decisões sustentadas, tanto em termos públicos como privados, sobre o nosso futuro coletivo.”

Já para a socióloga Cristina Roldão, esta será “uma fotografia perfeita da população”.

Mais de 100 respostas por minuto esta manhã

O INE recebeu esta manhã cerca de 130 respostas por minuto ao inquérito do Censos 2021. Em conferência de imprensa, o presidente do INE, Francisco Lima, afirmou que até às 11h desta segunda-feira, mais de 90 mil inquéritos tinham sido entregues.

Francisco Lima admitiu que, durante a manhã, o site do INE esteve com dificuldades de acesso, aconselhando as pessoas que querem responder e não conseguem aceder a “aguardar uns minutos e voltar a tentar”.

A ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, salientou que “em pandemia, o Censos é uma operação ainda mais complexa”, apelando a que a maior parte possível de respostas seja dada através da Internet.

De qualquer maneira, mesmo na hipótese de ser preciso os recenseadores irem a casa das pessoas para recolher as respostas ao inquérito censitário em papel, o INE coordenou-se com a Direção-Geral da Saúde (DGS) para tudo se fazer em segurança.

Maria Vieira da Silva apontou ainda como inovação deste censo a existência de traduções em 11 línguas do inquérito, com a população surda a poder também aceder a tradução em língua gestual portuguesa.

“Apelamos a uma resposta rápida, porque o trabalho dos recenseadores também disso depende”, afirmou Francisco Lima, indicando que as primeiras contagens resultantes do Censos 2021 deverão começar a ser divulgadas a partir de meados de agosto.

Francisco Lima referiu que a operação pretende incluir toda a gente nas respostas, como a população sem-abrigo, que já foi contactada por brigadas de recenseamento em colaboração com as equipas de apoio a esta população.

Maria Campos Maria Campos, ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Gostava de saber se os Censos sendo Obrigatorios como vão fazer para pedir aquelas pessoas que não têm Residência mas recebem do Estado?

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