Cola pode ser o ingrediente mágico para captura barata e eficiente de CO2

Cientistas inventaram um novo material que consegue capturar e armazenar dióxido de carbono de uma maneira muito mais barata e eficiente. E a cola é o ingrediente secreto que torna tudo possível.

Captura e armazenamento de carbono é um tema badalado entre os investigadores que lutam para salvar o planeta das alterações climáticas. Os cientistas estão constantemente a tentar desenvolver e melhorar materiais que possam capturar dióxido de carbono da atmosfera.

Na Universidade de Swansea estão a desenvolver um novo material promissor a partir de uma amina líquida — uma substância química conhecida pela sua capacidade de reagir com CO₂, mas que na forma líquida não consegue fazê-lo com eficácia. Os resultados foram publicados, semana passada, na revista Chemistry of Materials.

Ao apenas adicionar cola suficiente para fazer a amina líquida transformar-se num sólido, o novo material resultante é capaz de capturar um quinto do seu próprio peso em CO₂. A cola é um tipo de resina epóxi — usada em tintas e vernizes. O trabalho dos cientistas mostra que estas resinas podem ser um ingrediente-chave na fabricação de materiais de captura de carbono.

Uma vez que grandes avanços estão a ser feitos em energias renováveis, estará a tecnologia de captura de carbono a tornar-se redundante? Infelizmente não. Há uma concentração de CO₂ na atmosfera cerca de 1,5 vezes maior do que havia nos tempos pré-industriais.

Se quisermos limitar o aquecimento global a 1,5°C para evitar as piores consequências das alterações climáticas, o CO2 atmosférico terá de ser capturado numa escala industrial e transformado em novos produtos químicos úteis ou enterrado em reservatórios de petróleo esgotados.

Para todos os danos que está a causar, na realidade, o CO₂ representa apenas 0,04% da atmosfera, dificultando muito a extração diretamente do ar. O trabalho dos cientistas britânicos focou-se principalmente na captura de CO₂ antes de fazer fumaça em usinas onde as concentrações de CO₂ variam de 8 a 15% e as temperaturas podem estar entre 40 e 100°C.

Processos industriais que realizam captura de CO₂ atualmente usam aminas líquidas, mas essa tecnologia acarreta problemas. É muito cara, não é muito eficiente e os produtos químicos são altamente corrosivos e tóxicos para o meio ambiente. É por isso que é necessário algo melhor que possa corresponder à escala desse problema.

A próxima geração de captura de carbono

Os cientistas mostraram que as moléculas de cola unem as moléculas de amina líquida numa massa sólida. Ser sólido torna mais fácil e seguro de manusear e muito mais barato de reutilizar, em comparação com os atuais materiais de captura de carbono que são líquidos. A resina epóxi também é barata e amplamente produzida. Quando esta e a amina líquida são combinadas, o material sólido que se forma é muito eficaz na captura de CO₂.

No entanto, numa chaminé, o material seria exposto a uma mistura de gases e teria que capturar exclusivamente dióxido de carbono. Os cientistas conduziram uma experiência para ver se consumiria nitrogénio — o gás mais abundante na atmosfera da Terra —, mas isso não aconteceu, confirmando que o material une-se seletivamente ao CO₂.

De seguida, testaram a capacidade do material de capturar CO₂ sob as condições replicadas da chaminé. Testaram o material com uma corrente de gás que era 10% CO₂ e 90% N₂ a 90°C. Assim que o dióxido de carbono foi capturado, a temperatura foi aumentada para 155°C para remover o CO₂ capturado e regenerar o material para que pudesse ser reutilizado.

O material capturou 9,5% do seu peso em CO₂ ao longo de 29 ciclos sucessivos — um desempenho muito bom para um material que teria de funcionar constantemente para capturar e libertar CO₂ dentro de uma chaminé.

Este material pode ser a próxima geração em materiais de captura de carbono sólido. Cola: comum, barata e abundante, ainda poderia encontrar um novo e valioso papel na luta contra as mudanças climáticas.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Entretanto a Europa teve o inverno mais frio de sempre em 2017, os glaciares aumentam, e este ano nevou em Las Vegas.
    Mas claro novas taxas se preparam, e novos contratos de “renovaveis” com a EDP que vao resultar em a eletricidade portuguesa manter-se a mais cara da Europa

    • Meu, porque omites a vasta maioria dos dados e eventos que mostram exatamente o contrário? É a chamada cegueira clubística, mas sabes que mais? O planeta está a aquecer, e bem, e está-se a borrifar para a tua opinião. Se tens dúvidas vai analisar os dados concretos que estão disponíveis publicamente e de variadíssimas fontes, Americanas (cujo presidente é anti-aquecimento global), Russas (que querem que Ártico desapareça para irem lá buscar os hidrocarbonetos), Chinesas e Europeias. Os dados apontam todos no mesmo sentido sem qualquer margem para dúvidas! Vai lá analisá-los, faz tu os gráficos, etc, e depois falamos. Infelizmente pela tua conversa nem deves saber do que estou a falar. Abraço e força nisso, é que o conhecimento dá trabalho percebes?

    • O termo aquecimento global pode ser enganador, pois o que está a acontecer são alterações climáticas, onde em alguns locais vai até ficar mais frio e noutros mais quente.
      Acho que ninguém pode negar que aqui em Portugal há 30 anos as estações do ano estavam bem mais definidas que hoje!
      Isto vai acabar por alterar muita coisa, basta ver que há culturas agrícolas que só se criam no inverno e outras no verão.
      Também não se pode tapar o sol com a peneira dizendo que uma coisa tem emissões zero (ex carros elétricos), quando parte da electricidade é produzida em centrais de carvão ou de outras fontes não renováveis.
      Também as fontes renováveis têm impacto ambiental que é necessário avaliar (experimentem acampar junto a uma torre eólica), mas também não se deve ser tão radical como muitos ambientalistas que para eles tudo está mal, e assim não dá para mudar nada.

      • O clima desde o inicio do planeta Terra sempre mudou de ano para ano. O facto do clima mudar não prova coisa nenhuma.
        Há muito dinheiro a ganhar com o negócio do CO2 o planeta desde 1998 arrefece

  2. há outro meio muito mais eficaz e barato de capturar o carbono,
    são umas coisas verdes e grandes que até crescem sozinhas e chamam-se árvores

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