Co-fundador da Greenpeace diz que não há provas de causa humana das mudanças climáticas

Friends of Europe / Wikimedia

O ambientalista Patrick Moore, um dos fundadores da ONG Greenpeace

O ambientalista Patrick Moore, um dos fundadores da ONG Greenpeace

O co-fundador da Greenpeace Patrick Moore considera que não há “nenhuma prova científica” para que o mundo fique alarmado com o aquecimento global e afirma que as mudanças climáticas “não são causadas por ação dos seres humanos”.

Falando aos senadores norte-americanos, o ecologista canadiano considerou que há “pouca correlação” para apoiar uma “relação causal direta” entre as emissões de dióxido de carbono (CO2) e o aumento das temperaturas globais.

“Não há nenhuma prova científica de que as emissões humanas de dióxido de carbono são a causa dominante do maior aquecimento da atmosfera da Terra ao longo dos últimos 100 anos”, disse Patrick Moore, citado hoje pelo jornal Independent.

“Se houvesse a tal prova, que fosse escrita para todos verem. Nenhuma prova real, como é entendido pela ciência, existe”, acrescentou.

A posição de Patrick Moore está a criar inquietação na comunidade científica mundial, segundo o jornal britânico.

Contactado pela Lusa, o ambientalista da Quercus Francisco Ferreira considerou que as declarações do ecologista canadiano “não fazem sentido”, até porque, assinalou, “não é um cientista do clima”.

“Têm sido documentados vários interesses de personalidades que têm vindo a ter este tipo de discurso e ficou provado cada vez mais que, ou caem no descrédito, ou mudam de opinião. Acho que ele vai mudar. Se acreditarmos nele vai-nos sair muito caro depois de todo o mal ter sido feito”, considerou Francisco Ferreira.

O ativista ambientalista criticou igualmente o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo das Nações Unidas, por afirmar que “é muito provável” que a atividade humana seja a “causa dominante” para o aquecimento global, observando que “extremamente provável” não é um termo científico.

Patrick Moore sublinha que as estatísticas apresentadas pelo IPCC não são o resultado de cálculos matemáticos ou análise estatística, pelo que podem ter sido “inventadas” para apoiar “opinião especializada” do Painel da ONU.

Para o cofundador da organização internacional de defesa do ambiente, o aumento da temperatura atmosférica na superfície da terra remonta a Idade do Gelo, quando o CO2 foi “10 vezes maior do que é hoje, mas a vida humana floresceu” naquela altura.

“Estou consciente de que os meus comentários são contrários à grande parte da especulação sobre o nosso clima que é hoje frequente”, disse o ecologista, mostrando-se no entanto confiante que a história lhe dará razão ao demonstrar que “as temperaturas mais quentes são melhores do que as temperaturas mais frias para a maioria das espécies”.

Patrick Moore, doutorado em ecologia, é cofundador do principal grupo pró ambiente do mundo, a Greenpeace, que abandonou em 1986 por considerar que o grupo se tornou mais interessado em política do que na ciência.

/Lusa

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