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Circo: anti-redes sociais é especialista no TikTok (e a culpa não foi dele)

O contexto de Jack Lepiarz, que se adaptou a uma nova realidade depois de um vídeo publicado…por outra pessoa.

Encontrar pessoas que são contra a utilização de redes sociais é frequente. Mas é menos frequente encontrar pessoas que eram contra a utilização de redes sociais e, por causa de uma rede social, a sua vida mudou radicalmente. Para melhor.

O portal Input encontrou em Massachusetts o caso de Jack Lepiarz. Artista de circo, aos 33 anos sempre se afastou das redes sociais. Preferia só trabalhar directamente para as pessoas e ser locutor de rádio na National Public Radio. Ignorava publicações, nunca se filmava em manobras.

Até que, em Setembro de 2021, apareceu no TikTok um vídeo que mostra Jack a ter uma das suas actuações com um chicote de fogo. Esse vídeo – que foi publicado por uma das pessoas presentes no público – foi visto quase dois milhões de vezes.

O sucesso foi tal que o artista ficou motivado e juntou-se ao Tiktok. Agora publica frequentemente truques e actuações: “Funcionou mesmo bem e de forma muito rápida”, admite.

A conta de Jack Lepiarz no TikTok foi criada há quatro meses mas já angariou mais de 1.2 milhões de seguidores.

Conseguiu, em menos de uma semana, entrar no grupo do TikTok Creator Fund – a empresa dá prémios monetários aos utilizadores que chegam, no mínimo, aos 10 mil seguidores e às 100 mil visualizações durante um mês. Mas esse grupo só engloba utilizadores de Estados Unidos da América, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha ou Itália.

E Jack não foi o único homem – ou mulher – de circo a ver no TikTok uma espécie de salvação. Entre palhaços, acrobatas, ou outras especialidades, vários artistas de circo já reúnem milhões de seguidores no TikTok.

O objectivo é, não só melhorar a vida profissional de cada um, mas também melhorar a reputação do próprio circo, no geral.

A adesão ao circo nos EUA caiu drasticamente durante os últimos anos. E não foi só por causa do coronavírus: há cada vez mais outras distracções, outros divertimentos; e acumularam-se as dúvidas à volta do dia-a-dia dos animais neste mundo.

Em 2017 a Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus, que era mesmo a maior empresa do sector nos EUA, fechou. Tinha quase 150 anos de actividade.

E ainda há outro factor para a queda financeira de muitas empresas ligadas ao circo: há manobras que os artistas estudaram durante meses ou anos – e que, agora, vêem uma criança a fazer isso facilmente nas redes sociais (e por causa da multiplicação de vídeos nas redes sociais).

Mas, voltando a Jack, o TikTok ajuda a humanidade: “Durante aqueles 60 segundos ou três minutos, todos nos podemos divertir e talvez não ser tão terríveis“.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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