Câmaras instaladas na cabeça revelam segredos dos pinguins da Antártida

Pela primeira vez, um grupo de cientistas capturou imagens surpreendentes de pinguins-gentoo e as suas rotinas nas águas geladas do Oceano Antártico.

Usando câmaras em miniatura estilo GoPro, presas às cabeças das aves marinhas, a equipa descobriu que a comunicação vocal entre os pinguins está ligada à sua organização em grupos e não à recolha de alimentos.

A filmagem também mostrou que, depois de fazerem certas vocalizações, os pinguins realizam mergulhos mais curtos e nadam para outras áreas, o que poderá sugerir que estas “chamadas” em alto mar podem ter várias funções.

Os pinguins-gentoo (Pygoscelis papua) têm cerca de 90 centímetros de altura e pesam até 8,5 quilos, sendo a terceira maior espécie de pinguins do mundo. Tal como os seus parentes, o pinguim-de-adélia (Pygoscelis adeliae) e o pinguim-azul (Eudyptula minor), os gentoo reúnem-se em grandes colónias de reprodução, de até 300 mil pares.

Além disso, os gentoo emitem sons que lembram os brinquedos para os cães, ou uma buzina de festa. Tais chamadas agudas não são para incomodar: como outras aves, os pinguins dependem de uma grande variedade de sinais vocais para trocar informações, formar grupos e coordenar movimentos.

Os cientistas tinham dificuldade em entender o comportamento dos pinguins enquanto caçavam krill e peixes no oceano, por isso optaram por usar uma câmara de vídeo de tamanho reduzido para acompanhar 26 pinguins-gentoo.

A descoberta

O cientista Won Young Lee, do Korea Polar Research Institute (KOPRI, na Coreia do Sul), disse que a filmagem apresenta um vislumbre raro sobre o misterioso comportamento destas aves marinhas.

“Os pinguins passam muito tempo no oceano, mas a forma como comunicam no mar é mal compreendida. O que nos surpreendeu foi que estes animais parecem emitir sons para atrair outros indivíduos”, disse o especialista ao ScienceAlert.

Ao longo de duas estações de reprodução, Young Lee e os seus colegas registaram um total de 598 pinguins nas costas da Ilha King George, na Antártica.

Ao reproduzir os arquivos de vídeo, os cientistas analisaram a acústica dos sons e os padrões de comportamento do mergulho, exploração de recursos alimentares e formação de grupos dos pinguins.

Segundo o estudo publicado na Scientifis Reports, os especialistas descobriram que quase metade dos pinguins formaram grupos cerca de um minuto após serem emitidas vocalizações. Cada um dos sons variava em comprimento e frequência, e era semelhante às chamadas observadas em pinguins africanos (Spheniscus demersus).

Dúvidas

No entanto, apesar de procurarem alimentos em grupo, não havia nenhum sinal de interação vocal entre os pinguins – para além disso, houve pequenas mudanças nos mergulhos ou na captura de presas depois da emissão de sons.

Isso sugere que as chamadas vocais podem ter mais a ver com a formação de grupos do que com interagir com os vizinhos ou ajudar uns aos outros na alimentação.

Quando a equipa examinou as filmagens percebeu que os pinguins realizavam mergulhos rápidos pouco profundos depois das vocalizações. Como a emissão de sons requer energia, os mergulhos mais curtos provavelmente foram devidos a níveis de oxigénio diminuídos.

“Não sabemos porque é que estes pinguins realizam chamadas vocais ou como é que reconhecem essas chamadas no oceano. Suspeitamos que existem outros mecanismos envolvidos na comunicação vocal”, afirmou Young Lee.

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2 COMENTÁRIOS

  1. A ciência está tão desenvolvida que as mini câmaras, tipo gopro, nem se notam na cabeça. Vejo algo, mini, na asa, será isso?

  2. Boa, Altamente, podemos fazer isso também em 212 pinguins ali perto das Janelas verdes, não iam mostrar segredos nenhuns, mas por a nú o que se passa naquela comunidade, e acreditem mais de 98% da população ia ficar impressionada com o que as câmaras iam mostrar

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