China vai criar a sua própria versão da Wikipédia (mas não pode ser editada)

A China está a compilar a sua própria enciclopédia online, que rivalizará com a Wikipédia, mas deverá apresentar a versão oficial dos acontecimentos históricos sensíveis, não permitindo aos internautas escrever ou editar as páginas.

Na “Wikipédia chinesa”, apenas especialistas selecionados pelas autoridades poderão adicionar ou alterar informação, em mais um esforço do regime chinês para controlar o conteúdo disponível na Internet.

Os especialistas afirmam, no entanto, que são guiados apenas pela verdade e rigor e que, em caso de haver diferença de opinião, esta deve ser resolvida por um comité, segundo Zhang Baichun, editor chefe da secção de história da ciência e tecnologia.

“Claro, a ciência não provém de uma votação democrática. Para convencer os outros, terás que apresentar provas incontestáveis”, disse à agência Associated Press.

A elaboração de 300.000 páginas nas áreas da ciência, literatura, política e história é diretamente gerida pelo departamento central de propaganda do Partido Comunista Chinês (PCC), que guia a opinião pública do país através de instruções dadas à imprensa, firmas da Internet e ao setor editorial, para além de supervisionar a educação.

Pequim tem-se esforçado por controlar a opinião pública perante o ‘boom’ do número de internautas do país – são já mais de 700 milhões -, que podem comentar notícias e informação sensível ou difundir fotografias de protestos nas redes sociais.

Ferramentas como o Google, Dropbox e Youtube, ou as redes sociais Facebook e Twitter estão bloqueadas no país, e a versão em chinês da Wikipédia está também censurada.

Jiang Lijun, editor-chefe da Encyclopedia of China Publishing House, empresa contratada pelo Governo para fazer a enciclopédia ‘online’, revelou que haverá páginas sobre líderes políticos e sobre a história do PCC.

Jiang recusou, porém, comentar como são retratados eventos como a Revolução Cultural, uma radical campanha política de massas lançada por Mao Zedong, ou a sangrenta repressão dos protestos pró-democracia em Tiananmen.

Qiao Mu, um analista independente sediado em Pequim, afirmou que a enciclopédia chinesa será “muito diferente” da Wikipédia, devido à necessidade de estar em concordância com a versão oficial do Governo.

“Se não quiser ser bloqueado na China, o editor terá que aceitar a censura, seja através de autocensura ou censura pelas autoridades”, afirmou.

// Lusa

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