Chega diz que apoio ao Governo dos Açores “acabou”

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Estela Silva / Lusa

André Ventura, líder do Chega

Deputado regional acusou o Governo de “mentir todos os dias”, evocando essa razão para não poder continuar a confiar nos parceiros de coligação.

José Pacheco, deputado do Chega/Açores, anunciou ontem que o apoio do partido ao Governo Regional, formado a partir da coligação PSD/CDS-PP/PPM, “acabou” e que pretende reprovar o próximo Orçamento da região, o qual deve ser discutido no final do ano. O deputado, que tem um acordo de incidência parlamentar com o Governo, especificou que “continua sem ter eco das propostas” apresentadas para a viabilização do documento.

A título de exemplo, o representante do Chega cita o caso das viaturas para a corporação de bombeiros e os incentivos à natalidade. Recorda ainda que está por fazer a prometida remodelação no executivo de José Manuel Bolieiro, uma exigência do Chega. “Não tenho problema nenhum, enquanto representante do Chega nos Açores, de assumir essa despesa e esse risco, mas fica o Governo Regional a saber que, com o Chega, acabou“.

O deputado afirmou ainda que não pode “confiar em pessoas que mentem todos os dias”. Deixou ainda acusações ao executivo regional de “empurrar com a barriga os problemas da região” e de estar envolvido em “trapalhadas” no processo das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência. “Quando nos sentimos enganados, temos de dizer ao nosso parceiro que fomos enganados e que não podemos confiar neles. Obviamente que, em novembro, temos um Orçamento e está aqui a garantia do deputado do Chega José Pacheco: o orçamento está chumbado“, avançou à Lusa.

Pacheco destacou que o Governo Regional teve “vários meses para mudar de rumo” e que persistiu a “enganar o povo açoriano”. Questionado sobre o que significa, neste momento, o fim do apoio do Chega ao Governo Regional dos Açores, o deputado observou que o partido “não tem ferramentas, institucionais ou parlamentares para fazer coisíssima nenhuma”. “Mas, obviamente, vai continuar a questionar o governo até obter as respostas”, frisou.

“Quando o meu bom povo é enganado, estou aqui também para ir para uma briga, seja ela qual for. Haja eleições quando quiserem. Nós estamos aqui para ir a guerra”, disse.

Num comunicado, o Chega/Açores refere que “os compromissos assumidos por este Governo de coligação com o Chega não estão a ser cumpridos” e criticou o processo das Agendas Mobilizadoras do PRR. “O desempenho do secretário das Finanças, Bastos e Silva, tem-se mostrado prejudicial para os açorianos e até para o próprio Governo, deixando um rasto de ineficácia, opacidade e, até mesmo, de falta de competência”, acrescenta a nota

O partido diz que não pode continuar a “assistir impavidamente”, uma vez que o “dinheiro de todos dos açorianos” continua a ir para os “bolsos dos mesmos”. “Este Governo Regional não tem demonstrado capacidade para gerir esta região de forma eficiente e em benefício dos açorianos. Prova disso é o grande lodo em que se transformou o processo das Agendas Mobilizadoras”, lê-se ainda no comunicado.

Perante a retirada de apoio do Chega, o Governo Regional dos Açores, que também depende do apoio da IL e do deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega), fica sem a maioria no parlamento açoriano.

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados, sendo que, na atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal (IL), um do PAN, um do Chega e um deputado independente (eleito pelo Chega). A coligação pós-eleitoral (PSD/CDS-PP/PPM) que formou governo dos Açores fez acordos de incidência parlamentar com o Chega e o deputado independente, ao passo que o PSD o fez com o deputado único da IL.

  // Lusa

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