Ter como religião a canábis. Freiras feministas controlam negócio milionário

Não há missas nem cânticos, nem tão pouco uma religião específica. Apesar disso, as “Irmãs do Vale” vestem hábitos de freiras e gerem um negócio de produção e venda de canábis para fins medicinais. E é tudo legal.

Instaladas em Merced, na Califórnia, as “Irmãs do Vale” vestem o hábito porque, apesar de não professarem nenhuma religião, sentem-se verdadeiras “freiras”. Trabalham e rezam juntas e fazem votos, nomeadamente manter uma vida simples, servir as plantas e as pessoas, obedecer aos ciclos da Lua, cuidar da Mãe Terra e manter a castidade – o sexo não é proibido, mas deve ser mantido “muito privado”, como explica a Irmã Kate.

Não há regras muito rígidas – a alimentação é vegetariana, mas nem sempre; praticamente só há mulheres envolvidas no negócio da canábis, mas também há alguns homens. O que é absolutamente rigoroso é que sejam as mulheres a mandar em tudo.

“Uma missão para empoderar as mulheres”

A fundadora, a Irmã Kate ou Christine Meeusen, o seu nome de baptismo, é uma antiga analista de negócios que aos 40 anos já tinha garantido o seu milhão de dólares. Mas o seu sonho americano foi pelo ralo abaixo quando descobriu que o marido lhe tinha gasto o dinheiro e que mantinha uma vida dupla com outra mulher.

Traída, saiu de casa com os dois filhos e foi viver com o irmão, mas acabou sem ter onde dormir depois de ter sido posta na rua após uma discussão intensa.

Vendo-se num beco sem saída, juntou-se ao movimento “Occupy Wall Street”, protesto lançado em 2011 contra as desigualdades económicas e sociais e a corrupção no Governo dos EUA. Vestiu o hábito de freira e reforçou assim o respeito que conseguia com os discursos para multidões e os artigos que escrevia para jornais e revistas.

Acabou por tornar-se na Irmã Kate a tempo inteiro e enformou o seu desejo de um “socialismo saudável” na comuna feminista das “Irmãs do Vale”.

“Estamos numa missão para empoderar as mulheres para estarem na sua melhor espiritualidade, para darem o seu melhor como activistas e para estarem ao serviço da suas gentes e do planeta”, constata a Irmã Kate em declarações à ABC News, concluindo que, no fundo, o objectivo é “inspirar mulheres”.

A história das “Irmãs do Vale” é contada num documentário recentemente lançado nos cinemas e que estreou em Cannes, intitulado “Breaking Habits” [algo como “Romper os hábitos” na tradução para Português], e constitui apenas um dos pilares onde estas freiras feministas se movimentam. Porque o marketing é tão fundamental neste negócio como em todos os demais – e a Irmã Kate sabe bem do assunto, dado o seu passado ligado ao mundo dos negócios.

Além de blogger – com um blogue adequadamente intitulado “Cannabis Kate” -, ela também lançou o livro “The Accidental Nun” [“A freira acidental”]. E as “Irmãs do Vale” tem o seu perfil no Facebook, claro está!

Sisters of the Valley / Facebook

As “Irmãs do Vale” gerem um negócio de produção e venda de canábis medicinal.

Ex-modelo levou negócio para a Nova Zelândia

Entretanto, as “Irmãs do Vale” já abriram filiais em países como Dinamarca, Reino Unido e Nova Zelândia. Neste último país, foi uma ex-concorrente a Miss Universo e antiga modelo que lançou o negócio, depois de ter passado uma temporada na Califórnia, a receber os ensinamentos da Irmã Kate.

A Irmã Maria, que nasceu Kwan Wong em Auckland, na Nova Zelândia, foi gestora de eventos da Pepsi e trabalhou para a Louis Vuitton, mas a dada altura da sua vida viu-se num beco sem saída, com dois filhos para criar. Foi neste contexto que tropeçou nas “Irmãs do Vale” na Internet.

Depois de ter conseguido poupar para poder viajar até à Califórnia, a experiência transformou-lhe a vida, como revela ao site neo-zelandês Stuff.co.nz. “Nunca me tinha sentido tão conectada e tão amada“, refere. “A Irmã Kate é um farol de luz para tudo na minha vida”, diz ainda.

“Não deixa ninguém pedrado, mas é mesmo marijuana”

Neste momento, existem mais de uma vintena de “Irmãs do Vale” por todo o mundo, seis delas em Merced. Na Califórnia, elas dedicam-se a produzir uma estirpe de marijuana que não provoca os efeitos psicotrópicos associados à droga.

Não deixa ninguém pedrado, mas é mesmo marijuana”, explica a Irmã Kate, notando que “ao longo dos anos foi possível desenvolver estirpes que te deixam super pedrado”, mas que no caso da sua irmandade se dedicam a uma versão que não causa os efeitos psicoactivos.

A Irmã Kate assume que preferia poder usar todas as propriedades da planta, considerando que a sua força medicinal se deve ao todo das suas características. Mas explorar apenas a metade do potencial da canábis permite lucros de mais de 3.500 euros por dia. No fim do ano, a irmandade ganha perto de um milhão de euros.

A “marijuana médica” é vendida pelas “Irmãs do Vale” sob a marca “CBD Salve” para tratar insónias, artrite e ansiedade.

A Irmã Kate conta que começou a “respeitar a canábis como remédio” quando entrou na menopausa. Vivia então na Holanda e um médico aconselhou-a a fumar mais para lidar com os efeitos indesejáveis deste período da vida das mulheres.

Fumar charros não faz parte da “prática espiritual” das irmãs, embora algumas delas o façam.

“Nós meditamos juntas, mas não usamos a canábis como parte do ritual. Pensamos na canábis como medicamento, por isso não precisamos de ter uma festa de medicamentos”, afiança a Irmã Kate.

A marijuana recreativa é legal em vários Estados dos EUA e há até notícias de que a Coca Cola está a equacionar lançar uma bebida com canabinóides.

O negócio da canábis vai movimentar mais de 2 mil milhões de euros em 2022, segundo as previsões dos especialistas.

SV, ZAP //

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