Caligrafia desleixada de Isabel I denuncia-a como a tradutora anónima de um livro romano

A rainha Isabel I de Inglaterra foi identificada como a tradutora anónima do livro “Anais” de Tácito. As idiossincrasias da sua caligrafia acabaram por ser fundamentais para a descoberta.

Na análise a uma tradução de século XVI do livro “Anais” de Tácito, um investigador ficou estupefacto quando descobriu que o anónimo tradutor do texto era a Rainha Isabel I. Curiosamente, a rainha britânica foi apanhada devido à sua caligrafia desleixada.

Tipo de papel, estilo da escrita e caligrafia foram alguns dos aspetos observados pelo especialista John-Mark Philo, que não lhe deixaram dúvidas de que se tratava de Isabel I. O estudo foi publicado no mês passado na revista científica The Review of English Studies.

Até aos dias de hoje não era conhecido o anónimo tradutor deste livro, mas Philo começou a desconfiar de quem seria após analisar alguns detalhes. O papel usado era muito distinto e popular no secretariado de Isabel I na década de 1590. Além disso, marcas d’água como um leão galopante, uma besta e as iniciais G.B. foram encontradas e eram comummente utilizadas na correspondência da rainha.

Segundo All That’s Interesting, apesar das suspeitas, estas evidências não eram suficientes para provar que, de facto, se tratava da rainha Isabel I. O fator decisivo foi a sua caligrafia desleixada. Embora toda a tradução tenha sido copiada por um escriba profissional, as correções e adições foram feitas com uma letra “extremamente distinta e desarticulada”, tal como verificado em vários escritos da rainha.

“Esta foi a pista mais forte. Eu recolhi uma amostra da letra dela o mais ampla possível e comparei as suas outras traduções”, explicou Philo. “Os floreios idiossincráticos servem como ferramentas de diagnóstico”.

O investigador dá o exemplo das letras “m” e “n”, que eram tão baixas que se tornaram rabiscos horizontais. Da mesma forma que o “e” e o “d” eram igualmente impercetíveis.

“Quanto mais alto você estiver na hierarquia social, mais desleixada poderá ser a sua caligrafia”, explicou Philo, num comunicado enviado à imprensa. “Para a rainha, a compreensão da letra é um problema para as outras pessoas“.

A rainha Isabel I era altamente culta e tinha notáveis capacidades linguísticas, falando latim, francês e italiano, para além de inglês. Há quem diga ainda que tinha ligeiras noções do espanhol e do grego.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Bem, de acordo com algumas fontes, que podem ser consideradas fidedignas, a rainha era uma pessoa muito culta e, ainda de acordo com as mesmas fontes, nomeadamente o embaixador espanhol à corte, a rainha falava fluentemente o espanhol (como uma castelhana, de acordo com a mesma fonte). O que vai muito além de meras noções. O que não deixa de ser expectável. Parte da sua juventude foi passada ao cuidado da sua meia-irmã Maria (rainha Maria I), uma mulher também muito culta que terá sido quem instruiu Isabel em Francês, Castelhano, Poesia e Alaúde, e sobre quem estão bem documentados os vários professores que teve desde tenra idade.
    Isto contraria as informações vagas do artigo sobre a instrução da rainha Isabel I.

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