“Há que lhe tirar o chapéu”. Bruno de Carvalho desiste da queixa contra Rui Pinto

Rodrigo Antunes / Lusa

O ex-presidente do Sporting anunciou, esta quinta-feira, que vai desistir da queixa que apresentou contra Rui Pinto, a título pessoal, por violação de correspondência.

“Vou desistir, desisto”, afirmou Bruno de Carvalho, durante a 13.ª sessão do julgamento do processo Football Leaks, onde está a ser ouvido como testemunha de defesa de Rui Pinto, criador da plataforma eletrónica através da qual foram divulgados milhares de documentos confidenciais do mundo do futebol e alegados esquemas de evasão fiscal cometidos em diversos países.

O ex-presidente do Sporting, que começou a ser ouvido esta quinta-feira, considerou que “o Football Leaks foi muito positivo para alertar as pessoas”, acrescentando: “Espero, dentro de alguns anos, dizer que foi altamente moralizador”.

“Há que tirar o chapéu a Rui Pinto, porque só com a divulgação desta informação é que se conseguiu acelerar algumas investigações. Foi extremamente positivo o que ele fez”, acrescentou o antigo dirigente leonino, citado pelo jornal online ECO.

“Comecei a olhar para o Football Leaks como um blogue com uma função primordial e uma extensão do que eu próprio dizia e pensava”, afirmou Bruno de Carvalho, acrescentando que “deu jeito porque acabou a expor a intromissão da Doyen na gestão do clube”, algo que diz ter sempre criticado.

“Basta ver que, nos dois anos da Doyen como fundo que financiou o Sporting, houve um prejuízo de 100 milhões de euros e depois enquanto eu lá estive foi um lucro de 52 milhões”, disse ainda.

À saída do tribunal, o ex-presidente dos leões admitiu que “não é bom as pessoas terem as suas caixas de e-mail violadas”, mas também não é bom que “se há informação boa, as pessoas não consigam ser julgadas porque a forma como veio essa informação seja uma ou outra”.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada.

Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

  ZAP // Lusa

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.