Boris Johnson vai ser o novo primeiro-ministro britânico

Neil Hall / EPA

Boris Johnson é o novo líder do Partido Conservador. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros foi o mais votado as eleições internas.

Os resultados foram conhecidos na manhã desta terça-feira, depois de semanas de votações entre os 160 mil militantes do partido. Boris Johnson venceu a eleição com 92.153 votos, contra 46.656 de Jeremy Hunt. O resultado foi o desfecho de um processo que se prolongou por seis semanas e decidido pelo voto limitado a cerca de 160 mil militantes do partido Conservador.

A eleição foi desencadeada pela demissão de Theresa May, a 7 de junho, depois do fracasso no processo da saída do Reino Unido da União Europeia e dos maus resultados nas eleições locais na Irlanda do Norte e em Inglaterra — os piores desde 1995 para os tories.

Anunciado o nome do seu sucessor, May irá uma última vez, como primeira-ministra, ao parlamento britânico, na quarta-feira, seguindo depois para o Palácio de Buckingham, onde apresentará a sua demissão à Rainha Isabel II. Quando a formalidade for cumprida, a monarca vai receber Boris Johnson, a quem dará posse como novo primeiro-ministro.

O primeiro discurso como primeiro-ministro será feito apenas na quarta, depois de tomar posse, à porta do número 10 de Downing Street, a residência oficial que passará a ocupar.

Boris Johnson, de 55 anos, figura proeminente da campanha para o Brexit no referendo de 2016, era mais popular e reconhecido do que o outro finalista, Jeremy Hunt, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, de 52 anos.

Boris Johnson era o favorito na corrida à sucessão de Theresa May. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros — que se demitiu do Governo de May em desacordo com a forma como a primeira-ministra estava a conduzir o Brexit — foi o mais votado em todas as rondas da eleição.

Defensor de uma saída rápida, com ou sem acordo, Johnson fundou a sua campanha na garantia de que, ao contrário da antecessora, cumpriria o Brexit. Aquilo que propõe pode, no entanto, não ser fácil de pôr em prática. Para sair sem acordo, Boris Johnson terá de passar por cima do parlamento, que por mais que uma vez votou contra essa opção, e do próprio partido, dividido quanto ao que fazer.

Jeremy Hunt, adversário de Boris Johnson nestas eleições, admitia a possibilidade de pedir mais tempo para garantir um bom acordo de saída para os britânicos.

A oposição interna que o novo líder vai encontrar também se tornou bastante evidente com a saída do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, na segunda-feira. A demissão deve ser seguida por outros nomes, como os dos ministros da Justiça e das Finanças.

O Reino Unido tem até ao dia 31 de outubro para sair da União Europeia, a nova data definida depois de mais um adiamento do Brexit, previsto inicialmente para 29 de março.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Vai ser curta a estadia dele em Westminster… E a grande vantagem é a de que se os Conservadores já estavam pelas ruas da amargura nas sondagens desde as eleições Europeias, Boris vai assegurar-se de que os Conservadores não voltem a ter hipótese de voltar ao poder durante décadas.

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