Bombas caseiras contra a polícia francesa após morte de jovem detido

Engenhos explosivos caseiros arremessados contra a polícia e carros e caixotes do lixo queimados na quarta noite consecutiva de violência nos subúrbios de Paris. Os protestos não param após a morte de um jovem detido pela polícia.

Dez pessoas foram detidas na noite de sexta-feira nos subúrbios do norte de Paris, agitados pela violência desde a morte de um jovem após a sua prisão, segundo as autoridades locais.

Esta é a quarta noite consecutiva de confrontos. As forças de segurança têm sido particularmente visadas por bombas artesanais, informou um fotógrafo da AFP que estava no local.

Quatro polícias foram “feridos ligeiramente”, indicou o fotógrafo, que também relatou um incêndio numa empresa de paletes, bem como dez veículos e caixotes de lixo queimados.

Este sábado de manhã, alguns utilizadores do Twitter partilharam fotografias que ilustram os vestígios da violência, nomeadamente carros totalmente queimados ainda no meio das ruas.

Os confrontos ficaram concentrados nas comunas de Beaumont-sur-Oise – de onde era originário Adama Traoré, o jovem que morreu na terça-feira -, de Persan e Bruyères-sur-Oise.

A polícia reforçou o dispositivo de segurança durante a noite, havendo 150 polícias na região.

Na sexta-feira à tarde, uma marcha em memória de Adama Traoré foi realizada com cerca de 1.500 pessoas, sem incidentes, em Beaumont-sur-Oise.

Alguns dos participantes usavam t-shirts com a inscrição “Justiça para Adama, nunca terás paz sem justiça”, segundo reporta a France Press, citada no Yahoo!.

No Twitter, a hashtag #JeSuisAdama tem sido usado por muitos para manifestarem apoio à família do jovem e há quem compare o caso ao movimento #BlackLivesMatter, que surgiu nos EUA, fruto da violência policial contra pessoas negras.

https://twitter.com/CherguiaMbark/status/756253194980818944

Adama Traoré, de 24 anos, morreu na terça-feira após ter sido detido por polícias franceses. A autópsia ao corpo do jovem indicou que as forças de segurança não tiveram responsabilidade na sua morte.

Na quinta-feira, as autoridades judiciais indicaram que Adama Traoré sofreu uma “infecção muito grave”, “envolvendo vários órgãos”, de acordo com uma fonte próxima da investigação.

Mas a irmã do jovem, Assa, continua a acusar a política de ser responsável pela morte de Adama Traoré.

“O meu irmão foi morto, foi alvo de violência”, disse aos jornalistas, conforme cita a France Press.

ZAP / Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. A França está armadilhada e jamais encontrará a paz com tanta gente a habitá-la e tão distantes da cultura francesa e europeia, pouco a pouco as partes vão-se extremando e as lutas intensificando, os políticos sempre se recusaram a ver tudo isto e agora chegou-se a um ponto que dificilmente poderão recuar.

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