Trump, Macron e May ficam em casa. Bolsonaro é a estrela em Davos

Tânia Rêgo / Agência Brasil

O Fórum Económico Mundial dá o pontapé de saída esta terça-feira e Jair Bolsonaro deverá encabeçar a lista das estrelas que marcarão presença no evento, ao apresentar os pilares da revolução liberal no país.

Donald Trump, Emmanuel Macron e Theresa May ficaram em casa. Já Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, viajou para Davos, na Suíça, para marcar presença no arranque do Fórum Económico Mundial.

Como Angela Merkel, Shinzo Abe, Pedro Sánchez e Giuseppe Conte só falam no dia seguinte, Jair Bolsonaro será a estrela desta terça-feira. O brasileiro falará às 14h30, hora suíça (13h30 em Lisboa).

Os 45 minutos de oratória de Bolsonaro vão abrir o encontro mundial. Durante este tempo, o Presidente brasileiro vai expor as diretrizes da revolução liberal em curso na economia do país, onde se supõe que venha a ser aclamado. No entanto, terá também de passar pelas chamas das áreas sensíveis, como as políticas de migração e ambientais.

Segundo o Diário de Notícias, Bolsonaro terá a seu lado, na comitiva, Paulo Guedes, ministro da Economia, Sérgio Moro, ministro da Justiça, e o seu filho e deputado Eduardo, entre outros.

Na 49.ª edição de Davos, os discursos de Bolsonaro e Guedes vão ser música para os ouvidos liberais que os vão escutar. Ambos anunciarão quantas e quais empresas públicas serão privatizadas e explicarão como se darão a reforma administrativa, que visa o emagrecimento súbito do Estado, e o essencial da reforma previdenciária.

Mas a participação brasileira no Fórum não será inteiramente pintada de cor de rosa: as áreas do ambiente e das migrações prometem ser o calcanhar de Aquiles de Bolsonaro, já que o Presidente parece estar na contramão dos discursos dos demais líderes globais – não incluindo Donald Trump neste grupo.

Desta forma, a recente saída do Pacto Global para a Migração e a ameaça de abandono do Acordo de Paris são pedras no sapato de Jair Bolsonaro.

Este ano, o Fórum em Davos é marcado pelas ausências, algo que já levou muitas vozes a defender o fim do Fórum Económico Mundial. Anand Giridharadas, ex-colunista do The New York Times, é uma dessas vozes. Em entrevista à CNN, afirmou: “Davos deveria acabar.

Portugal no Fórum

Enquanto não terminar, a comitiva portuguesa marcará presença. Este ano, o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, lidera a comitiva que integra o secretário de Estado da Internacionalização, contando “com muitos contactos” durante os “três dias muito intensos” que vai ter no Fórum Económico Mundial.

Devemos aproveitar todas estas oportunidades” que permitam dar a conhecer Portugal, disse Pedro Siza Vieira à Lusa. “E nós vamos aproveitar todas as oportunidades para fazermos o máximo de contactos para promover o nosso país.”.

O evento deste ano acontece numa altura em que a situação económica e política a nível internacional levanta dúvidas sobre o futuro, com a manifestação dos ‘coletes amarelos’ em França, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia e a insistência de Trump na construção de um muro na fronteira com o México.

Há pelo menos duas décadas que o Fórum de Davos alerta para que “o excesso de globalização” levaria a uma “situação de desequilíbrio e desigualdade” a qual “não era sustentável sem responsabilidade social”, recordou Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum.

No entanto, ficou assente que o Fórum não pretende deixar que a atualidade e as suas múltiplas crises catalisem os debates e conversas que vão decorrer até 25 de janeiro em Davos, num fórum que reúne cerca de 3.000 participantes, entre os quais mais de 60 chefes de Estado e de Governo, uma centena de responsáveis ministeriais e outros tantos dirigentes das empresas mais influentes de cerca de 20 indústrias.

As alterações climáticas serão um dos temas emblemáticos deste encontro, em que a posição cética não está representada por Trump, mas antes por Jair Bolsonaro. A Europa será representada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e pela chanceler alemã, Angela Merkel.

LM, ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. A não ser que alguém lhe escreva o discurso e Bolsonaro leia, a exposição em Davos deste troglodita só vai servir para expor a sua ignorância e humilhar o Brasil.

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