Biden aumenta impostos e anuncia 2,3 biliões de dólares para infraestruturas

Oliver Contreras / Pool / EPA

O Presidente dos Estados Unidos anunciou, esta quarta-feira, um plano de investimentos de 2,3 biliões de dólares (dois biliões de euros) para renovar e modernizar as infraestruturas do país nos próximos oito anos.

Ao discursar no centro de formação do sindicato dos carpinteiros em Pittsburgh, Joe Biden classificou o projeto como “o investimento de uma geração na América”.

O Presidente foi ao ponto de comparar o seu projeto de transformação da economia dos EUA com a corrida ao Espaço e prometeu resultados tão grandes à escala como os programas ‘New Deal’, do Presidente Franklin D. Roosevelt, ou ‘Great Society’, do Presidente Lyndon B. Johnson, que formataram os Estados Unidos no século XX.



“Este é um investimento que se faz uma vez por geração, diferente de tudo o que se viu ou fez desde que construímos o sistema de autoestradas interestatal ou a corrida ao Espaço, há décadas. De facto, é o maior investimento em emprego nos EUA desde a II Guerra Mundial. Vamos criar milhões de empregos, empregos bem pagos”, declarou.

Dirigentes da Casa Branca adiantaram que o investimento vai gerar estes empregos à medida que o país sai dos combustíveis fósseis e combate os perigos das alterações climáticas.

O financiamento dos projetos virá de uma subida dos impostos sobre empresas. Ao fazê-lo, Biden vai passar as taxas sobre lucros de 21% para 28%, anulando a decisão dos republicanos de 2017.

Por outro lado, o chefe de Estado apontou o dedo à fuga fiscal: “91 das empresas da ‘Fortune 500’, incluindo a Amazon, não pagam um único cêntimo em impostos sobre lucros”.

O anúncio desta quarta-feira vai ser seguido, nas próximas semanas, por outro anúncio de um pacote equiparado de investimentos em cuidados infantis, créditos fiscais para famílias e outros programas internos. Este novo pacote de dois biliões de dólares vai ser pago por aumento de impostos sobre indivíduos e famílias com riqueza.

“Wall Street não construiu este país. Vocês, classe média, construíram este país. E os sindicatos construíram a classe média”, afirmou o Presidente norte-americano.

A Casa Branca já detalhou que a maior parte da proposta inclui 621 mil milhões de dólares para estradas, pontes, vias públicas, estações de carregamento de veículos elétricos e outras infraestruturas de transporte. Outros 111 mil milhões estão destinados à retirada de tubos de alumínio no transporte de água e modernização das redes de esgotos.

Segundo o jornal Público, se o anterior pacote de emergência contra a crise (de 1,9 biliões de dólares) passou por muitas dificuldades para passar no Congresso, agora as contas para este devem vir a ser ainda mais complexas.

Cisjordânia é um território “ocupado” por Israel

A administração norte-americana considerou que a Cisjordânia é um território “ocupado” por Israel, disse o Departamento de Estado numa atualização, depois da publicação de um relatório que parecia evitar essa formulação.

“É um facto histórico que Israel ocupou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e os montes Golã depois da guerra de 1967″, disse, esta quarta-feira, o porta-voz da diplomacia norte-americana, Ned Price, citado pela agência France-Presse.

O porta-voz assegurou que o relatório anual sobre os direitos humanos publicado na terça-feira por Washington “utiliza o termo ocupação no contexto atual da Cisjordânia”. “É a posição antiga de Governos precedentes”, tanto democratas como republicados, “há várias décadas”, insistiu.

No relatório, o departamento intitula de “Israel, Cisjordânia e Gaza” a secção relativa aos territórios e, antes do mandado do ex-Presidente Donald Trump, a secção chamava-se “Israel e os Territórios Ocupados”.

Desta forma, a Administração Biden pareceu também abster-se de falar explicitamente da Cisjordânia como um território “ocupado”, na linha da diplomacia mais favorável a Israel praticada pelo anterior Governo republicano.

Não tendo regressado à designação de “territórios ocupados”, o Departamento de Estado dos Estados Unidos inseriu, no entanto, um parágrafo a explicar que as palavras usadas “não refletem uma posição sobre nenhuma das questões relacionadas ao status final a ser negociado pelas partes no conflito, em particular as fronteiras específicas da soberania israelita em Jerusalém, ou as fronteiras entre Israel e um futuro estado palestiniano”.

“Essa secção do relatório cobre Israel (…), bem como os montes Golã e os territórios de Jerusalém-Este que Israel ocupou durante a guerra de junho de 1967”, de acordo com os autores do documento.

É também referido que “os Estados Unidos reconheceram Jerusalém como capital de Israel em 2017 e a soberania de Israel sobre os montes Golã em 2019″, sem voltar atrás nessas decisões tomadas durante a administração de Trump.

Ned Price declarou ainda que essa formulação não reflete uma mudança de posição da parte da Administração Biden que, contrariamente a Donald Trump, defende a solução de dois estados para Israel e Palestina.

Pentágono adota medidas que revogam veto de Trump às pessoas transgénero

O Pentágono anunciou, esta quarta-feira, uma série de medidas que revogam as políticas adotadas pela administração do ex-Presidente, que impedia pessoas transgénero de servirem nas forças armadas.

De acordo com a agência EFE, as novas disposições do Departamento de Defesa permitem aos membros desse coletivo alistarem-se e servirem com o género com que se identifiquem.

As pessoas terão também acesso a assistência médica no processo de mudança de sexo se o requerirem, explicou o porta-voz do Pentágono, John Kirby, em conferência de imprensa.

No mesmo dia, o Presidente dos Estados Unidos converteu-se no primeiro líder deste país a comemorar o Dia Internacional da Visibilidade Transgénero e pediu que se respeite “o valor e a dignidade” destas pessoas.

Nos últimos meses, a Defesa norte-americana tem estado a desenvolver estas medidas, depois de Biden ter ordenado, cinco dias depois da sua tomada de posse como Presidente, a derrogação do veto às pessoas transgénero nas forças armadas.

 

As medidas anunciadas agora pelo Pentágono, e que entrarão em vigor em 30 dias, proíbem ainda a discriminação por identidade de género.

O secretário da Defesa, Lloyd Austin, pediu também que se revejam os arquivos quanto a soldados que tenham sido dispensados ou a quem tenha sido negada a readmissão devido à sua identidade de género durante a administração do republicano.

As pessoas transgénero não puderam servir nas forças armadas dos Estados Unidos até à Administração de Barack Obama (2009-2017), em que Joe Biden foi vice-Presidente, ter levantado essa proibição.

ZAP ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Aumento de impostos para as empresas?
    Transexuais nas forças armadas?
    E o Trump é que era doido??!!
    Este homem é um louco e um incompetente.

    P.S: caríssimo ZAP, 2,3 biliões de dólares (dois biliões de euros)? Isso não será 2,3 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros)…? É que um bilião é um milhão de milhões.

  2. Estas políticas são muito “bonitas” no papel, mas na prática vão acabar por enfraquecer os EUA (politicamente, socialmente e economicamente), fazendo com que a China fique cada vez mais forte.
    Esta troca de preponderância e influencia no mundo (que de certeza será positivo em alguns pontos e negativo em outros) vai graduadamente aumentar as tensões entre estes 2 “monstros”, levando a que mais cedo ou mais tarde seja inevitável um conflito entre estas noções (financeiramente, ideologicamente e militarmente).
    Os EUA nas últimas décadas tem tomado decisões que marcarão o fim de uma era…

  3. Este está a começar bem, com o aumento de impostos. Os americanos agradecem. Ainda agora é o princípio do caminho deste quase octogenário.

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