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Benfica 0-4 Bayern | Primeiro a ilusão, depois o rolo bávaro

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Mário Cruz / EPA

Otamendi e Vertonghen disputam a bola com Lewandowski

A ilusão durou 70 minutos. Ao longo de toda a partida, o Bayern foi melhor, criou inúmeros lances de golo, viu dois anulados, acertou no ferro, Vlachodimos fez defesas importantes, mas o Benfica deu luta, criou oportunidades para marcar, ao ponto de Manuel Neuer ser a figura ao intervalo.

Só que aos 70 minutos, Leroy Sané marcou o primeiro dos seus dois golos e precipitou a goleada, com quatro golos a acontecerem no espaço de 14 minutos. Inevitável? Talvez não, mas a sensação de naturalidade ficou.

Boa réplica do Benfica na primeira parte, embora fosse clara a superioridade do Bayern nos diversos momentos de jogo. Os bávaros trocavam a bola com total à-vontade, pela grande qualidade de passe, ao mesmo tempo que progrediam em bloco no ataque, sempre em velocidade, complicando a tarefa defensiva dos “encarnados” com as suas constantes movimentações – em especial de Lewandowski, a desposicionar Otamendi.

O Benfica teve pouca bola (33%) nesta fase, tentando explorar a velocidade de Darwin Núñez na esquerda, e o uruguaio poderia ter marcado aos 33 minutos, mas viu Manuel Neuer – o MVP da primeira parte, com 6.4 – realizar uma grande defesa. Lewandowski ainda marcou ao cair do pano, mas o lance foi anulado por braço na bola do polaco.

Difícil o arranque de segunda parte do Benfica, a sofrer ataques por todos os lados, e aos 47 minutos, Pavard acertou no ferro, com Vlachodimos ainda a realizar um desvio. Aos 54, Thomas Müller marcou, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo, e na resposta, Diogo Gonçalves – que entrara para o lugar do lesionado André Almeida – obrigou Neuer a uma defesa incrível. E aosd 68, Yaremchuk fugiu pela direita e, perante Neuer, rematou cruzado, ao lado.

O Benfica estava a ter oportunidades para marcar, mas o Bayern acabou mesmo por marcar e abrir “a torneira”. Aos 70 minutos Leroy Sané, na cobrança de um livre directo, atirou a contar. O Benfica sentiu o toque e aos 80, após cruzamento de Gnabry, o recém-entrado Everton fez autogolo. Aos 83, Lewandowski marcou o seu golinho da ordem e a seguir foi Sané (84′) a bisar. As “águias” bateram-se bem até ao 1-0, mas depois aconteceu o que, sentia-se, acabou por ser inevitável, embora por número exagerados.

O Melhor em Campo

Jorge Jesus tinha razão. Leroy “Saná” Sané foi mesmo o jogador do Bayern mais difícil de travar, sendo o que mais desequilíbrios  criou ao longo de todo o jogo, tendo mesmo marcado dois golos. O extremo alemão foi o mais rematador da partida, com seis disparos, dois enquadrados, fez três passes para finalização, uma assistência e registou quatro conduções aproximativas. Um verdadeiro quebra-cabeças que terminou com um GoalPoint Rating de 8.4.

Destaques do Benfica

Darwin Núñez 5.9 – O melhor do Benfica esta quarta-feira na Luz. Foi vê-lo a fazer “piscinas” do lado esquerdo, a ajudar Grimaldo bem dentro do primeiro terço – terminou com três bloqueios de passe/cruzamento -, e a esticar o jogo na tentativa de deixar Süle para trás. Conseguiu-o por vezes, obrigando Neuer a fazer uma enorme defesa. Destaque para cinco acções com bola na área alemã, três conduções super aproximativas e ganhou dois de três duelos aéreos ofensivos.

Rafa Silva 5.5 – Tal como Darwin, tentou esticar o jogo, mais pelo lado direito, mas pela frente teve um Lucas Hernández que se soube posicionar e usar o físico para anular o veloz atacante luso. Ainda assim, Rafa criou uma ocasião flagrante em dois passes para finalização.

Lucas Veríssimo 5.4 – Era expectável que a linha defensiva benfiquista fosse pressionada pelo Bayern e foi isso mesmo que aconteceu. O central brasileiro foi o melhor do sector, com duas intercepções, três alívios e, curiosamente, três duelos aéreos ofensivos ganhos em quatro.

Julian Weigl 5.4 – O alemão do Benfica nada pôde fazer para travar os seus compatriotas. Desta vez menos eficaz no passe (82%), acabou por se destacar nos desarmes, com três, e nas intercepções, com duas.

João Mário 5.2 – O médio começou por encostar a Joshua Kimmich para pressionar o organizador de jogo alemão logo à saída do primeiro terço bávaro. Aos poucos foi obrigado a recuar, pois os jogadores do Bayern surgiam “do nada” entre linhas em zona de perigo. Por isso, João Mário acabou por ter um jogo apagado, ainda assim com pontos positivos, como os dois dribles completos em três e os 25 passes certos em 26.

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Álex Grimaldo 5.1 – O espanhol teve uma noite difícil. Demorou a entender como travar Müller e Sané, e só o conseguiu a espaços, mas com a entrada de Grabry acabou por deixar-se levar no descalabro colectivo dos últimos minutos. Destaque para dois bloqueios de remate.

André Almeida 5.0 – O “patinho feio” foi olhado de lado por começar o jogo, uma vez que pela frente teria Sané ou Coman. Mas tal como Süle, que soube lidar bem com Darwin, o lateral português colocou em campo a sua experiência defensiva e posicionamento para realizar uma exibição consistente, ainda que sem se aventurar no ataque. Saiu lesionado ainda na primeira parte, com um registo de três recuperações e dois desarmes.

Diogo Gonçalves 5.0 – O seu substituto foi Diogo Gonçalves, que defensivamente acabou por mostrar o porquê de JJ apostar em André Almeida de início. Coman fez gato-sapato de Diogo, que foi dos que mais dribles consentiram no geral (3) e no primeiro terço (2). No ataque a conversa foi outra e, não só obrigou Neuer a uma defesa estupenda, como fez três passes para finalização.

Vlachodimos 5.0 – O grego estava a ser o melhor do Benfica a meio da segunda parte, mas a catadupa de golos atirou o seu rating por aí abaixo, embora não tenha tido responsabilidade em nenhum. O grego fez quatro defesas, três a remates na sua área, duas a disparos a menos de oito metros.

Nicolás Otamendi 4.4 – Jogo menos conseguido do argentino. No eixo da defesa “encarnada”, caiu muitas vezes no engodo de Lewandowski, que o arrastou em diversas ocasiões para zonas laterais, abrindo buracos na defesa benfiquista. Foi também dele a falta sobre o polaco que acabou no 1-0 e esteve mal no passe, com cinco falhados em 13. Destaque positivo para cinco alívios.

Roman Yaremchuk 4.2 – Noite infeliz do ucraniano. Importante a dar luta no combate físico com Upamecano, falhou seis de 11 passes, somou sete maus controlos de bola (máximo) e foi egoísta aos 69 minutos, rematando ao lado numa ocasião flagrante, quando podia ter servido Darwin.

Destaques do Bayern

Kingsley Coman 7.0 – De regresso ao estádio onde marcou o golo que deu o último título da Champions ao Bayern, em 2020, o extremo francês foi um quebra-cabeças, que acabou por beneficiar com a lesão de André Almeida. O extremo fez quatro remates, criou uma ocasião flagrante em três passes para finalização, somou o máximo de acções com bola na área contrária (8), completou quatro de sete tentativas de drible e fez cinco conduções aproximativas, três super aproximativas. Desperdiçou uma ocasião flagrante.

Joshua Kimmich 7.0 – Uma máquina. Jogador que somou o máximo de passes certos (73), o número mais alto de acções com bola (103), de desarmes (4) e de intercepções (4). Incrível.

Manuel Neuer 6.9 – As duas defesas monstruosas, a remates de Darwin e Diogo Gonçalves, valeram quase tanto como golos. O guardião foi o melhor do primeiro tempo e acabou com três defesas, todas a remates na sua área.

Resumo

  // GoalPoint

2 Comments

  1. Na falta de ideias, a crónica desportiva em Portugal usa “clichés” como substitutos. Na Luz não existiu qualquer rolo, houve um jogo com incidências que explicam um resultado volumoso. Não fora o segundo golo, a forma como aconteceu, acredito que o Benfica tivesse sofrido uma “honrosa” derrota de 0-1. Sofrer um golo de bola parada e depois aquele segundo, o Benfica ruiu, cedeu ao fatalismo, ao “estava escrito”, tinham dado o seu melhor e dois lances fortuitos deram cabo desse esforço. Mas, lá está, os “clichés” como substitutos de ideias: rolos compressores foram o Ajax em Lisboa e o Liverpool no Porto, o Benfica não foi impotente desde o primeiro ao último momento, apenas cedeu ao fatalismo. Não refiro o Ajax ou o Liverpool como forma de consolo, refiro factos, o Benfica lutou, tentou nadar contra a maré, o Bayern permitiu, os outros clubes que refiro nem admitiram “discussão”, terraplanaram os seus adversários. Três jornadas da Champions, um clube português goleado, isso é estatística, o facto é que só o Benfica não foi humilhado em jogo jogado.

    • Tu és mesmo um tolo do caraças!!! Fartei-me de rir com o teu comentário. Só na primeira parte o bayern podia ter dado 7 ou 8. Na segunda mais um 15 ou 20. Deves ter estado a ver outro jogo.
      Mas os jogadores do benfica até que estiveram bem. Afinal, sempre conseguiram assistir ao jogo sem ter de pagar bilhete.

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