A Ben & Jerry’s está a criar um gelado à base de canábis

Normalmente, as pessoas procuram guloseimas depois de consumirem ‘cannabis’. Agora, o fabricante Ben & Jerry’s espera acelerar todo o processo ao produzir um gelado com infusão de um dos compostos químicos da planta, o CBD.

Conhecida há muito tempo pelos sabores, como o Bonnaroo Buzz, o Phish Food e o Half Baked, a decisão da empresa norte-americana de adicionar o CBD aos seus produtos assim que o extrato da planta for legalizado a nível federal surge com a explosão de produtos à base desta substância dos últimos anos, noticiou na quinta-feira o Guardian.

O CBD é um dos 113 compostos químicos da planta de ‘cannabis’. Os seus defensores alegam que essa substância induz o relaxamento e a calma, e, ao contrário do seu primo tetrahidrocanabinol (THC), não é psicoativo.

Atualmente, a Food and Drug Administration (FDA) – entidade que regula a segurança alimentar nos EUA – proíbe a adição de CBD a alimentos e bebidas. Contudo, o órgão regulador anunciou uma audiência pública sobre a legalização para esta sexta-feira.

A Ben & Jerry’s está a incentivar os fãs dos seus produtos a contactar a FDA durante o período de consulta pública sobre o uso de CBD em alimentos, que decorre até julho.

O regulador informou que planeia utilizar os comentários do público para aconselhar um grupo de trabalho federal que procura “explorar potenciais caminhos para suplementos dietéticos e alimentos convencionais que contenham CBD, de forma a legalizá-los para serem comercializados”.

De acordo com o site da empresa, a Ben & Jerry’s está a pesquisar a CBD de origem sustentável a partir de Vermont, onde a empresa está sediada desde que a sua primeira loja foi aberta num posto de gasolina restaurado, em Burlington, em 1978.

O anúncio direciona a Ben & Jerry’s firmemente para uma das tendências mais quentes na área dos alimentos. Uma pesquisa recente publicada pela National Restaurant Association revelou que três em cada quatro chefs identificaram a CBD – e alimentos com infusão de ‘cannabis’ – como uma tendência quente em 2019.

“Estamos a fazer isto para nossos fãs”, disse o diretor executivo da empresa, Matthew McCarthy. “Escutamos e trouxemos de tudo, desde indulgências não lácteas a porções para viagem, com as ‘Pint Slices’. Aspiramos amar os nossos fãs mais do que eles nos amam e queremos dar-lhes o que estão à procura, de uma forma divertida, da maneira Ben & Jerry’s”.

Esforços para legalizar o CDB como suplemento alimentar vêm a ganhar força à medida que mais estados legalizam a ‘cannabis’. Em grande parte derivado do cânhamo, um parente próximo da planta canábica, o CBD recebe uma ampla gama de benefícios para a saúde, desde a melhoria do sono até à redução da ansiedade e ao alívio da dor.

Embora os estudos clínicos falhem em apoiar a maioria das reivindicações por CBD, o impulso político para legalizar deve-se em parte uma reação à crise de dependência de opiáceos que varreu os EUA, que fez com que as autoridades de saúde lutassem por soluções paliativas, porém forçadas ou não testadas.

A New Frontier Data, uma empresa de análises de Denver que estuda a indústria de ‘cannabis’, estimou que as vendas de produtos com CBD valiam 390 milhões de dólares (cerca de 350 milhões de euros) em 2018, número que pode triplicar para mais de 1,2 mil milhões de dólares (1,08 mil milhões de euros) até 2022.

Em dezembro, o Presidente norte-americano Donald Trump legalizou o cultivo de cânhamo, que havia sido listado como uma droga da Classe I sob a lei de substância controlada, o que, por sua vez, desencadeou uma onda de investimento, inclusive pelas gigantes farmacêuticas Walgreens e CVS.

Num comunicado divulgado o ano passado, a Coca-Cola indicou que, embora não tivesse “nenhum interesse” em ‘cannabis’, estava “a acompanhar de perto o crescimento da CBD não-psicoativa como ingrediente para bebidas funcionais de bem-estar em todo o mundo. O espaço está a evoluir rapidamente. Nenhuma decisão foi tomada até ao momento”.

A chave para uma maior expansão da indústria do cânhamo depende do quanto a FDA está pretende levantar as restrições do mercado para o composto. Essa decisão afetará os agricultores – especialmente em estados como o Kentucky -, muitos dos quais viram os negócios atingidos pelas tarifas chinesas sobre as importações de soja e outros produtos.

O comissário da Agricultura de Kentucky, Ryan Quarles, afirmou à NPR esta semana que o CBD devia ser listado como um suplemento dietético por causa do impulso que poderia dar aos agricultores de cânhamo.

TP, ZAP //

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