Bebidas dietéticas podem levar ao aumento de peso

(CC0/PD) anasegota / pixabay

Uma vez anunciados como substitutos do açúcar, os adoçantes artificiais como a sucralose e o aspartame foram bem recebidos pelo público – até há pouco tempo.

Recentemente, os investigadores começaram a olhar com crescente suspeita para as moléculas, no decorrer de estudos que as ligavam ao aumento de gordura na barriga, entre outros problemas de saúde.

Agora, um grupo internacional de investigadores fez uma revisão de dezenas de estudos sobre os efeitos a longo prazo dos substitutos do açúcar, e a conclusão é de que não só eles não ajudam no controlo de peso, como podem levar a um aumento no índice de massa corporal e no risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Segundo Meghan Azad, investigadora da Universidade de Manitoba, no Canadá, envolvida na revisão, são necessárias mais evidências vindas de outros estudos para apurar conclusões com certeza. Mas, enquanto isso, as pessoas deviam ter em conta os resultados preliminares, segundo Meghan.

A pesquisa de Azad foi publicada no Canadian Medical Association Journal.

Por exemplo, a maioria dos estudos revistos pela pesquisa focava-se em pessoas que estavam ativamente a tentar perder peso ou que tinham outras condições médicas, como pressão arterial elevada.

Ainda assim, em todos os casos, os adoçantes artificiais foram significativamente associados com pequenos aumentos no peso corporal, IMC e na circunferência da cintura a longo prazo.

A gordura da barriga ou a gordura visceral tem sido associada a uma maior probabilidade de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e resistência à insulina, além de ser um componente da síndrome metabólica, uma constelação de fatores de risco para a saúde que também inclui triglicerídeos altos, pressão arterial e glicemia.

Diabetes e bebidas dietéticas

William Cefalu, médico e membro da Associação Americana de Diabetes, analisou o estudo a pedido do The Washington Post e concluiu que os adoçantes artificiais ainda são uma boa ferramenta para os diabéticos que tentam gerir os níveis de glicose no sangue.

Mas realçou a moderação, e concordou que eram necessários mais estudos sobre os efeitos a longo prazo de adoçantes artificiais.

“O que seria mais definitivo é um estudo controlado randomizado em pessoas com diabetes nos quis seria possível poderia realmente medir a ingestão e aderência”, disse ele. “Em estudos por observação, é difícil ser preciso porque é a pessoa que relata os efeitos e é sempre subjetivo”.

Aumento do peso

A ligação entre adoçantes artificiais e o aumento de peso parece existir, mas a razão é evasiva. Provavelmente o corpo sente o sabor doce e pensa que ainda está a comer açúcar, o que leva à ativação dos processos metabólicos de acordo com a situação.

Há também a possibilidade de existir um interruptor biológico desconhecido que é desencadeado pelos produtos químicos existentes nos adoçantes artificiais. Ou a razão pode ainda estar na cabeça das pessoas, tornando-as mais propensas a escolher alimentos calóricos por estarem tomando bebidas dietéticas, entre outras possibilidades.

Meghan Azad é especializada em bactérias intestinais e formulou ainda a teoria de que as bebidas dietéticas também podem afetar a composição dos pequenos organismos no sistema digestivo, afetando a digestão e a saúde geral.

Precaução

A causalidade entre adoçantes artificiais e o aumento de peso também pode ser outra – as pessoas que ganham peso por outras razões podem procurar mais alimentos artificialmente adoçados.

Ou, como outras pesquisas mostraram, pessoas que seguem dietas – com mais probabilidades de beber refrigerantes dietéticos – geralmente perdem peso, mas ganham mais depois.

Os investigadores ainda estão à procura respostas concretas. Por enquanto, o melhor é não assumir automaticamente que produtos artificialmente adoçados são a alternativa mais saudável.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Pois, mas quando se falava nisto há uns anos atrás, as farmacêuticas insistiam que era tudo mentiras e teorias da conspiração e que “está mais que comprovado que é seguro!” Agora toma!E como o aspartame, muitas mais substâncias existem e que fazem um mal terrível , mas que são consideradas completamente seguras, dizem eles… Qualquer dia é a vez das vacinas. Já faltou mais.
    Aconselho a ver o documentário “Sweet Misery: A Poisoned World” (2004)
    Custa a ver às pessoas que o que move esta indústria é o dinheiro e não a compaixão pelo bem da humanidade. Triste, muito triste vivermos num mundo assim. Mas felizmente as mentiras estão a ser expostas, dia após dia.

  2. O documentário mencionado acima já está desactualizado infelizmente. A indústria em causa está sempre um passo á frente. Creio que o estudo em causa, “s. Francisco 8”, acompanhou 2 grupos durante 8 anos, e concluiu que embora que a perda de peso foi quase nula no grupo que consumiu adoçante em relação ao grupo consumidor de açúcar de cana, este primeiro registou um aumento da circunferência abdominal entre outros marcadores de doenças cardiovasculares. De notar também, que nas bebidas carbonatadas, as duas multinacionais conhecidas já utilizam aspartamo há vários anos, e neste momento já se preparam para uma outra categoria de adoçantes chamado de açúcar-alcool totalmente sintético. Aguarda aprovação das entidades competentes.

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